Primeiro dia da Operação Recomeço: quase todas as pessoas em situação de rua, abordadas em Araranguá, tinham passagens por crimes
Na tarde de terça-feira, dia 26, a sede da Associação Empresarial do Vale do Araranguá (Aciva), foi palco do Fórum de Segurança Pública, onde autoridades e representantes da comunidade se reuniram para abordar a crescente preocupação em torno das pessoas em situação de rua em Araranguá.
O evento destacou uma iniciativa denominada “Operação Recomeço”, conjunta entre as autoridades locais, incluindo as polícias Militar e Civil e outros órgãos competentes, para enfrentar esse desafio social. De acordo com informações da PM, durante o próprio dia do fórum, foram realizadas, na parte da manhã, 35 abordagens a indivíduos em situação de rua. Destas, nove pessoas aceitaram voluntariamente serem internadas em instituições apropriadas, enquanto outras três optaram por retornar as suas cidades de origem.
A ação, que visa encontrar soluções para amenizar o problema, foi destacada como resposta ao impacto negativo que o aumento do número de pessoas em situação de rua tem causado à cidade. Durante a reunião, foram abordados dois temas principais: o primeiro tratou das abordagens realizadas, envolvendo uma variedade de setores, como segurança pública, saúde e assistência social, com o intuito de oferecer suporte às pessoas nessas condições.
“A ação aconteceu em vários pontos da cidade, quando essas pessoas eram localizadas, nossas equipes realizavam a ação. Na abordagem, também realizamos a verificação se a pessoa possuía algum mandado de prisão em aberto. Caso existisse o mandado, encaminhávamos ao presídio e não para a internação. Constatamos que praticamente todos os abordados tinham passagens por crimes cometidos”, destacou Orige Naspolini, comandante da Polícia Militar.
Além disso, foi lançada uma campanha publicitária para conscientizar a população sobre a não doação de esmolas para pessoas em situação de rua. O presidente da Aciva, Édio Kunhasky, ressaltou que a intenção da campanha é fazer com que as pessoas reflitam sobre as consequências dessa prática e como ela pode interromper processos de ressocialização.
“O objetivo é fazer com que as pessoas reflitam sobre o que de fato acontece com a ação de dar esmola. A esmola mata a chance de um recomeço. Essa atitude interrompe um ciclo que já existe para ressocializar essas pessoas. A intenção é realizar essa divulgação através das mídias sociais e também de painéis publicitários”, destacou.
Em suas declarações, Michele Vitor, assistente social do município, explicou que em conjunto com o ambulatório de álcool e drogas, estão sendo realizadas visitas periódicas para acompanhar o tratamento das pessoas que aceitaram ajuda voluntária.
“Com isso, elaboramos um projeto, que visa inserir novamente essa pessoa no mercado de trabalho e reencaminhar a sociedade, reabilitada. O tratamento dura cerca de nove meses”, explicou Michele Vitor, assistente social do município.











