Polícia Civil conclui inquérito sobre ataque brutal em Araranguá; criança de 8 anos teve fraturas no crânio e risco de perder a visão
A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito que investigava um violento caso de agressão ocorrido na madrugada do dia 15 de maio de 2026, na comunidade de Vila Samaria, em Araranguá. O crime gerou forte comoção pela gravidade dos ferimentos sofridos por uma criança de apenas 8 anos, vítima de um ataque dentro da própria residência.
De acordo com a investigação conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) de Araranguá, dois homens invadiram a casa durante a madrugada armados com pedaços de madeira e uma garrafa de vidro. No local, passaram a agredir violentamente um jovem adulto e a criança, que dormiam no momento da invasão.
As investigações apontam que a motivação inicial estaria relacionada à suspeita de furto de aparelhos celulares pertencentes a familiares dos autores.
Segundo a Polícia Civil, os depoimentos colhidos revelaram que as agressões ocorreram dentro do quarto da residência, enquanto as vítimas estavam em repouso. Mesmo percebendo que a criança permanecia abraçada ao irmão mais velho, os investigados continuaram desferindo golpes na região da cabeça e do rosto utilizando objetos contundentes.
Os laudos da Polícia Científica confirmaram um cenário de extrema violência dentro da residência, com grande quantidade de sangue espalhada pelo ambiente, objetos destruídos e apreensão dos instrumentos utilizados nas agressões.
O quadro clínico da criança foi descrito como gravíssimo. Conforme o laudo médico-pericial, o menino sofreu politraumatismo, múltiplas fraturas na face e na base do crânio, traumatismo cranioencefálico, lesão ocular severa e contusões hemorrágicas intracranianas. A vítima precisou passar por cirurgia especializada e corre risco concreto de perder permanentemente a visão de um dos olhos, além da possibilidade de sequelas neurológicas permanentes.
Diante das provas reunidas, a investigação concluiu que os autores agiram assumindo conscientemente o risco de provocar a morte das vítimas. Os dois homens foram indiciados, em tese, por tentativa de homicídio qualificado contra criança menor de 14 anos, com as qualificadoras de meio cruel, recurso que dificultou a defesa das vítimas e agravante prevista na Lei Henry Borel. Também responderão pelo crime de lesão corporal contra a segunda vítima.
O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. Os suspeitos permanecem presos preventivamente desde o dia seguinte ao crime, após mandados expedidos pela 1ª Vara Criminal de Araranguá, a partir de representação da DPCAMI.
Além da investigação criminal, a Polícia Civil informou ter comunicado oficialmente a situação de vulnerabilidade social da família à rede municipal de assistência social, para avaliação de medidas de proteção, concessão de aluguel social e acompanhamento após a alta hospitalar da criança.













