Eleições 2026 Principais candidatos evitam debates e mudam estratégia da disputa eleitoral

Principais candidatos evitam debates e mudam estratégia da disputa eleitoral

24/08/2026 - 09h56

A ausência de candidatos nos debates eleitorais começa a chamar a atenção na corrida deste ano e levanta questionamentos sobre a importância desse formato para a disputa. A avaliação é do analista político da Rádio Araranguá, Upiara Boschi, que considera haver um esvaziamento dos debates, especialmente diante da decisão de alguns dos principais candidatos de não participar dos encontros.

Para Upiara, os debates já tiveram papel central nas campanhas eleitorais, servindo como espaço para confronto de ideias e convencimento dos eleitores. “Teve momentos em que o debate foi o ponto alto das campanhas, da disputa, do confronto de ideias, do convencimento do eleitor”, afirma.

Na avaliação do analista, porém, esse cenário mudou. Ele cita como exemplo os debates realizados no domingo, incluindo o presidencial, que não contou com a participação de Lula, do PT, nem de Flávio Bolsonaro, do PL.

“Lula deixou até a última hora e Flávio Bolsonaro condicionou a ida à presença de Lula”, observa Upiara. Segundo ele, a ausência ganha peso diante da polarização que marca a disputa presidencial, com os dois nomes liderando as intenções de voto.

Nesse cenário, outros candidatos enfrentam dificuldades para se apresentar como alternativas. Upiara cita a participação de Ronaldo Caiado, do PSD, Renan Santos, do Missão, e do escritor Augusto Cury, do Avante, mas destaca a ausência de Romeu Zema, do Novo.

“Zema precisa aparecer, precisa se mostrar como alternativa também”, afirma. Para o analista, a decisão de não participar pode indicar uma avaliação de que o debate não seria suficientemente vantajoso diante do confronto entre candidatos que ainda ocupam uma posição secundária na corrida eleitoral.

Santa Catarina

Em Santa Catarina, Upiara chama atenção para a ausência de Carlos Bolsonaro e Carol De Toni em um debate entre candidatos ao Senado realizado no domingo. Os dois são candidatos do PL e integram a chapa do governador Jorginho Mello.

Participaram do encontro Esperidião Amin e Antídio Lunelli, da chapa de João Rodrigues; Décio Lima e Afrânio Boppré, ligados à candidatura de Gelson Merisio; além de Jeferson da Rocha, produtor rural que, segundo Upiara, tem aproveitado os debates para demonstrar desenvoltura.

“É o segundo debate que a dupla do PL evita o confronto, evita ser criticada ou questionada pelos adversários”, destaca o analista.

A estratégia, entretanto, ainda não pode ser medida com precisão nas pesquisas. Upiara observa que alguns levantamentos apontam Carlos Bolsonaro e Carol De Toni à frente, enquanto outros mostram Esperidião Amin em situação de empate com os candidatos do PL.

Para o analista, Carlos Bolsonaro parece apostar em uma campanha baseada principalmente no bolsonarismo, na militância, nas redes sociais e, a partir da próxima sexta-feira, na propaganda eleitoral.

“Fica essa sensação de que Carlos vai apostar no bolsonarismo, na militância de rua e também nas redes sociais”, avalia.

Jorginho também limitará participação

A estratégia de reduzir a participação em debates também aparece na campanha para o governo de Santa Catarina. Upiara lembra que Jorginho Mello já anunciou que pretende participar de apenas quatro debates durante a eleição, concentrados mais para a reta final.

O governador tem aceitado convites para sabatinas, mas estabeleceu uma participação mais limitada nos debates. Para Upiara, isso reforça uma discussão sobre o peso de cada ferramenta na campanha.

“Fica essa dúvida: o debate não é mais importante? A sabatina? As entrevistas? A propaganda eleitoral? O que vai valer?”, questiona.

Na avaliação do analista, o eleitor acaba sendo o principal prejudicado quando os protagonistas da disputa deixam de participar dos confrontos.

“Quem perde sempre é o eleitor”, afirma Upiara. Segundo ele, o debate permite observar contradições, posicionamentos, acusações e, principalmente, a maneira como cada candidato reage quando é colocado sob pressão.

Ao mesmo tempo, o analista reconhece que o próprio formato dos debates pode precisar de mudanças. Para ele, encontros muito engessados e com muitos candidatos podem perder efetividade na apresentação das propostas.

“Os debates muito engessados, com muitos candidatos, acabam não sendo algo realmente efetivo na divulgação das ideias dos candidatos”, conclui.

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