Secretário estadual da Saúde anuncia oncologia e R$ 15 milhões em investimentos no HRA
Secretário estadual da Saúde, Diogo Demarchi Silva, esteve em Araranguá e confirmou que tratamento oncológico está previsto no edital que definirá a nova organização social responsável pela gestão do hospital
Durante passagem por Araranguá, o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi Silva, reuniu-se com os secretários municipais de Saúde dos 15 municípios da Amesc para discutir a ampliação e a organização da rede de atendimento regional.
Entre os principais assuntos tratados, esteve o futuro do Hospital Regional de Araranguá (HRA), a escolha da organização social que deverá assumir a gestão da unidade, novos investimentos na estrutura e, principalmente, a implantação de atendimento oncológico no hospital.
Segundo Demarchi, a integração entre Estado e municípios é fundamental para que a rede de saúde funcione de maneira planejada.
“Minha expectativa é discutir de uma maneira racional com os 15 secretários da Amesc. Saúde se faz com planejamento, se faz com debate, se faz com relação intergestores, ou seja, município e Estado. O Estado sem o município não vai funcionar bem.”
O secretário destacou que a orientação do governador Jorginho Mello é ampliar o debate antes da implementação de novos serviços e buscar maior racionalidade na aplicação dos recursos públicos.
“É uma ordem do governador Jorginho Mello que a gente sempre faça o grande debate, faça os encaminhamentos, tenha racionalidade no recurso público, na implementação de novos serviços. É isso que a gente vem fazendo desde 2023.”
Mais serviços perto da população
Durante o encontro com os gestores municipais, também foi discutida a possibilidade de ampliar a oferta de procedimentos de média complexidade pelos hospitais do Extremo Sul.
A intenção é reduzir a necessidade de deslocamentos dos pacientes para centros maiores, especialmente Criciúma e a Grande Florianópolis.
“Uma grande conversa com relação ao dimensionamento das ofertas de média complexidade dos hospitais da região, que eles podem fazer mais serviços de média complexidade sem o paciente ter que se deslocar ou para Criciúma ou para Grande Florianópolis.”
Para Demarchi, a descentralização dos serviços é um dos avanços importantes registrados nos últimos anos.
“Estamos felizes com os resultados, inclusive aqui na Amesc, que historicamente ficava muito concentrado o atendimento dos 15 municípios na Amrec. A gente conseguiu descentralizar bastante o serviço de alta complexidade e está avançando agora para outras especialidades.”
O secretário afirmou que o objetivo é fazer com que o cidadão seja atendido cada vez mais próximo de sua residência, ao mesmo tempo em que os hospitais tenham maior sustentabilidade.
“Para que cada vez o cidadão consiga ser atendido mais perto de casa, que a gente tenha mais sustentabilidade nos hospitais da região, mais racionalidade no uso dos recursos públicos e continue entregando o que a gente vem entregando com relação à redução de tempo de espera para a realização dos procedimentos, diagnóstico em tempo adequado e atender a população como ela merece, com qualidade e com respeito.”
Oncologia no Hospital Regional
A principal novidade apresentada pelo secretário durante a entrevista foi a confirmação de que a oncologia está no planejamento do Estado para o Hospital Regional de Araranguá.
De acordo com Demarchi, o governador Jorginho Mello já autorizou o avanço dos estudos técnicos para a implantação do serviço. E mais: a previsão do atendimento oncológico já foi incluída no edital que definirá a nova organização social responsável pela gestão do hospital.
“E aí eu dou o exemplo da oncologia, que é algo que o governador Jorginho já me liberou. A gente já está trabalhando tecnicamente, tem a previsão no próprio edital do Hospital Regional de Araranguá, a gente vai fazer.”
A implantação, no entanto, deverá ocorrer de maneira gradual. O secretário ressaltou que a intenção é estruturar o serviço de forma planejada para garantir sua sustentabilidade.
“Temos também que ter o pé no chão e fazer isso de forma escalonada, de uma maneira organizada para que seja sustentável.”
A inclusão da oncologia no edital também evita, segundo o secretário, a necessidade de abrir posteriormente um novo processo de contratação apenas para acrescentar o serviço.
Novo contrato para o Hospital Regional
Outro ponto importante da visita foi a atualização sobre o processo que definirá a organização social responsável pela administração do Hospital Regional de Araranguá.
Demarchi explicou que a atual gestão está vinculada a um contrato herdado de administrações anteriores e que, na avaliação da Secretaria de Estado da Saúde, precisa ser substituído por um modelo mais adequado à capacidade instalada do hospital.
“Nós herdamos um contrato que não era bom, não é bom, que é um contrato ainda vigente. Nós entendemos que o hospital pode produzir mais, de acordo com a capacidade instalada.”
O secretário citou, como exemplo, a possibilidade de ampliação do número de cirurgias, mas explicou que a administração pública precisa respeitar o objeto estabelecido no contrato vigente.
“A própria entidade diz que pode fazer mais cirurgias, mas eu não posso, enquanto gestor público, simplesmente ir alterando o objeto de um contrato. Ele é baseado no edital.”
Por isso, a estratégia adotada pelo Estado foi elaborar um novo edital, com uma previsão mais ampla dos serviços e dos investimentos necessários.
“Então eu tenho que ter um edital mais adequado, eu tenho um contrato mais adequado e aí eu tenho um monitoramento e uma entrega mais adequada.”
R$ 15 milhões em investimentos
O novo edital prevê, segundo o secretário, pelo menos R$ 15 milhões em investimentos na estrutura do Hospital Regional de Araranguá.
A intenção é utilizar o novo contrato como instrumento para melhorar a capacidade de atendimento e modernizar a unidade.
“No edital tem uma previsão de R$ 15 milhões, no mínimo, de investimento na estrutura.”
Demarchi afirmou que existe uma expectativa dentro da Secretaria de Saúde para que o hospital possa avançar após a conclusão do processo.
“Então eu também estou angustiado porque a gente não investiu o que gostaria, por conta de todas essas situações.”
Processo está na fase final
O secretário afirmou que o processo para escolha da nova organização social está em sua etapa final. A situação, entretanto, exige cautela diante das questões jurídicas relacionadas ao contrato atual e à própria contratação da futura entidade.
“Eu sempre falo, e o governador fala muito isso, que o retrovisor é bem menor que o para-brisa. Eu quero olhar para frente e a população merece isso.”
Demarchi também destacou que a administração pública precisa seguir um rito determinado pela legislação.
“Nós, enquanto administradores, temos que tomar cuidado, tem um rito administrativo, tem legislação. Não é somente o que eu quero, mas é o que eu posso, que a lei me permite.”
A expectativa do secretário é que o novo contrato traga maior estabilidade para a gestão do hospital nos próximos anos.
“Eu entendo que o novo contrato vai pacificar esses entendimentos. E aí a gente vai ter, no mínimo, uns cinco anos para frente de mais calmaria, de mais organização.”
Planejamento para os próximos anos
A ampliação da estrutura de saúde também está relacionada ao crescimento populacional da região e à necessidade de preparar a rede para uma demanda cada vez maior.
O secretário lembrou que o planejamento precisa considerar não apenas as necessidades atuais, mas também o cenário das próximas décadas.
“Na região da Amrec, assim como todas as regiões de Santa Catarina, a população vai aumentando e a nossa obrigação é prospectar para o futuro a capacidade de atendimento.”
Segundo ele, esse planejamento passa necessariamente pela ampliação das estruturas hospitalares.
“É isso que o governador fala quando ele fala de 30 anos para frente. É a rede de saúde também ter de maneira clara o que precisa e isso passa por ampliações.”
Demarchi citou ainda obras em andamento ou previstas em municípios da região.
“Eu venho falando que nós temos mais de 70 hospitais em obra. Aqui na região é um exemplo. Meleiro está em obra, Jacinto Machado agora vai iniciar uma obra, Sombrio está em obra.”
Casa de acolhimento para pacientes
Além dos investimentos diretamente no Hospital Regional, o secretário revelou que o Estado também pretende contribuir para viabilizar uma casa de acolhimento destinada a pacientes que precisam permanecer em Araranguá durante o tratamento.
A estrutura poderá beneficiar principalmente pessoas de outros municípios que necessitam de atendimento especializado.
“Então a ideia é que a gente possa ajudar para ter uma casa de acolhimento também, para quem vem de fora para ser atendido.”
A expectativa é que novos anúncios sejam feitos até o final do ano, inclusive com a possibilidade de uma nova visita do governador Jorginho Mello a Araranguá.
“Eu acredito que até o final do ano a gente consiga, inclusive, vir aqui com o governador, talvez já em outro momento, fazer uma visita no hospital e fazer novos anúncios.”
O secretário afirmou que essa futura etapa deverá apresentar de forma mais detalhada como serão aplicados os recursos e quais mudanças deverão ocorrer na unidade.
“Inclusive desse valor inicialmente, para que vai ser feito, o que a gente vai aumentar, o que a gente vai mudar, para que possamos viver uma nova etapa do Hospital Regional de Araranguá.”
Entrevista completa:











