Água avança sobre a SC-447 e trecho entre Araranguá e Meleiro pode ser interditado
Coordenador da Defesa Civil de Meleiro alerta para elevação do nível da água próximo ao elevado da BR-101 e orienta motoristas a não trafegarem por vias alagadas
A situação provocada pelas fortes chuvas segue exigindo atenção em Meleiro, que decretou situação de emergência após registrar danos em diferentes localidades do município. Entre os pontos que mais preocupam a Defesa Civil está a SC-447, no trecho que liga Meleiro a Araranguá, onde o avanço das águas já compromete a segurança do tráfego.
Em entrevista ao programa O Dia em Notícia, da Rádio Araranguá, o coordenador da Defesa Civil de Meleiro, João Francisco “Chico” Nazário, informou que a água avançou sobre a pista nas proximidades do elevado da BR-101 e que a situação estava sendo acompanhada em conjunto com a Polícia Militar Rodoviária.
“Tem muita água sobre a pista e essa água tende a elevar o nível da pista. Creio que eles vão interditar esse acesso Meleiro a Araranguá. Durante a noite acaba ficando muito perigoso ali”, alertou.
Segundo Chico, o trecho pertence ao município de Araranguá, mas a Defesa Civil de Meleiro mantém o monitoramento devido à importância da ligação para os moradores. Caso a interdição seja confirmada, motoristas precisarão utilizar rotas alternativas.
“O pessoal tem que voltar tudo e dar a volta ou por Ermo ou por Forquilhinha. É uma volta muito grande”, explicou.
A orientação é para que os motoristas não tentem atravessar pontos com água sobre a pista, mesmo que o volume pareça pequeno. “A gente recomenda que o pessoal não trafegue por nenhuma via alagada, por menor que seja. A gente não sabe a situação que ela está, se criou algum buraco, se tem alguma correnteza.”
Meleiro decreta situação de emergência
Diante dos estragos registrados desde a madrugada, o município de Meleiro decretou situação de emergência. De acordo com Chico Nazário, a decisão foi tomada ainda nas primeiras horas da manhã, após avaliação da Defesa Civil e do prefeito.
Diversas comunidades foram afetadas, entre elas Barra do Cedro, Jacaré, Sapiranga, Rio Cedro Baixo, Cedrinho e Forquilha Rocha Machado. Segundo o coordenador, algumas dessas localidades chegaram a ficar isoladas.
“São comunidades grandes com famílias isoladas e a gente tem pleno contato com eles. Assistência básica está sempre em contato. Nenhum precisou sair das suas casas durante o dia de hoje, mas na madrugada duas famílias precisaram ser retiradas pelos bombeiros.”
As duas famílias foram encaminhadas para casas de parentes e, até o momento da entrevista, não havia sido necessário abrir um abrigo municipal.
Rio Araranguá preocupa Defesa Civil
Com a grande quantidade de água recebida de municípios da região, o Rio Araranguá também passou a ser motivo de preocupação em Meleiro.
Chico explicou que o sistema recebe águas de diferentes municípios, aumentando o volume que chega às comunidades localizadas próximas ao rio. “O interior próximo ao rio Araranguá, que recebe chuvas de Morro Grande e Meleiro pelo rio Manoel Alves, recebe águas também de Timbé, Turvo e Ermo, que teve bastante problema com cheias, e recebe também águas de Criciúma, Forquilhinha e Nova Veneza.”
Segundo ele, todo esse volume acaba se concentrando no Rio Araranguá e aumenta o risco de alagamentos nas comunidades ribeirinhas.
Comunidades seguem isoladas
Em alguns pontos de Meleiro, o volume de água ainda impede o acesso por veículos. Na região da Barra do Cedro, por exemplo, Chico relata que havia aproximadamente um metro a um metro e meio de água sobre a pista.
“Não tem como chegar, é questão de um metro de água, um metro e meio em cima da pista, nem trator não dá.”
Diante da dificuldade de acesso, a Defesa Civil mantém contato com os moradores por telefone e WhatsApp. “As famílias estão cientes disso, a gente monitora e acompanha a situação delas. Nenhuma está em estado de risco, mas a gente vem conversando para tranquilizar.”
Prejuízos ainda serão levantados
Os impactos também atingiram propriedades rurais, estradas, empresas e estruturas utilizadas na atividade agropecuária. Entre os danos estão problemas em galpões, silos e estruturas utilizadas na produção e armazenamento de leite.
Neste primeiro momento, porém, a prioridade da Defesa Civil é o atendimento às famílias. “Nesse primeiro momento, a gente é assistência humanitária, toda atenção voltada para as famílias retiradas de casa, assistência social, cesta básica onde precisa.”
O levantamento dos prejuízos será realizado posteriormente, principalmente após a redução do nível das águas. “A Epagri é acionada, ajuda a fazer esse levantamento da pecuária, e a gente tem que aguardar as águas baixarem para saber a quantidade de prejuízo que a gente vai ter na infraestrutura do município.”
Defesa Civil orienta moradores a registrar todos os danos
Chico Nazário também reforçou a importância de que os moradores registrem os prejuízos provocados pelas chuvas, mesmo aqueles considerados de menor proporção.
Segundo ele, os registros ajudam o município a reunir informações que posteriormente são encaminhadas às esferas estadual e federal.
A comunicação pode ser feita pelo WhatsApp da Defesa Civil de Meleiro, pelo número (48) 3537-8415. “Qualquer dano, por menor que seja, a gente tem que registrar no município.”
A Defesa Civil também informou que deverá iniciar, a partir de quinta-feira à tarde, o atendimento relacionado à emissão de atestados para moradores que não conseguiram deixar suas residências para trabalhar em razão da situação de emergência.
Atenção permanece voltada para a SC-447
Apesar de a chuva ter diminuído ou cessado no município no momento da entrevista, a Defesa Civil mantém o alerta devido ao deslocamento das águas provenientes de outras cidades.
Chico afirmou que o nível do Rio Araranguá permanecia elevado e fora da calha, especialmente nas proximidades do elevado da BR-101.
Por isso, além da possibilidade de interdição da SC-447 entre Meleiro e Araranguá, a recomendação é que os moradores evitem qualquer tentativa de atravessar trechos alagados.
“A gente pede, por favor, que fique em isolamento, mantenha em contato com a Defesa Civil, que a gente aciona os bombeiros ou a Secretaria de Obras para dar qualquer assistência possível.”
A situação do trecho da SC-447 deve continuar sendo monitorada pelas equipes de segurança e pela Defesa Civil devido à elevação das águas.











