Geral Outubro Rosa: dra. Lorena Rodrigues alerta para prevenção e cuidados com a saúde da mulher

Outubro Rosa: dra. Lorena Rodrigues alerta para prevenção e cuidados com a saúde da mulher

24/09/2026 - 09h03

Ginecologista destaca importância do acompanhamento médico, prevenção do câncer e atenção aos sintomas da menopausa e da transição hormonal

Com a proximidade do Outubro Rosa, período dedicado à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama e do câncer do colo do útero, a saúde da mulher volta a ganhar destaque. Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, a ginecologista Dra. Lorena da Rosa Rodrigues falou sobre prevenção, vacinação contra o HPV, acompanhamento médico e também sobre as mudanças que ocorrem durante a menopausa.

Segundo a médica, o Outubro Rosa representa uma oportunidade para que as mulheres retomem os cuidados de rotina e procurem os serviços de saúde. “É um período muito importante para a mulher lembrar todo ano de fazer a sua rotina, né? Então, é um período muito importante.”

Prevenção deve começar antes do problema aparecer

Durante a entrevista, Lorena destacou que muitas pessoas acabam procurando atendimento somente quando algum problema já está próximo ou quando alguém da família recebe um diagnóstico.

Para a médica, o objetivo das campanhas é justamente estimular a prevenção. “O importante é não deixar chegar perto. É prevenir e ir atrás dos recursos. Hoje temos tantos, né? A ciência está tão avançada.”

Entre as ferramentas de prevenção citadas pela ginecologista está a vacinação contra o HPV, que tem relação direta com a prevenção do câncer do colo do útero. “É muito importante as mães lembrarem de levar os filhos de 9 a 14 anos para fazer a vacina do HPV, que também previne o câncer do colo do útero.”

A profissional também destacou que, durante o Outubro Rosa, as ações de saúde costumam reforçar a realização de exames preventivos e mamografias, de acordo com a indicação médica e os protocolos de acompanhamento.

Menopausa vai muito além dos famosos “calorões”

Outro tema abordado durante a conversa foi a menopausa e a transição que antecede esse período.

Segundo Lorena, ainda existe uma percepção de que o principal sintoma da menopausa são apenas os chamados fogachos, mas as alterações hormonais podem provocar diferentes sintomas. “Antigamente se falava muito só em fogacho. Que é o calorão. Mas é muito mais do que o calorão.”

A médica citou sintomas como alterações na libido, ressecamento vaginal, desconforto durante as relações sexuais, alterações de memória e sintomas emocionais.

Ela explicou ainda que a chamada transição menopausal pode começar antes da interrupção definitiva da menstruação. “É a transição menopausal que pode acontecer a partir dos 35. Então ela tem que estar de olho para que esses efeitos da falta desse hormônio, dessa queda hormonal, não atrapalhe a vida dela.”

Lorena ressaltou, entretanto, que os sintomas e a necessidade de tratamento devem ser avaliados individualmente.

Reposição hormonal precisa ser individualizada

Questionada sobre a reposição hormonal, a ginecologista foi enfática ao destacar que não existe uma conduta única para todas as mulheres. “Totalmente cada caso é um caso. Totalmente tem que ser individualizado cada mulher.”

A médica citou situações que podem representar contraindicações ao tratamento hormonal e reforçou a necessidade de avaliação profissional antes de iniciar qualquer terapia.

Lorena também comentou que ainda existe receio entre algumas mulheres em relação à reposição hormonal por causa de informações que se consolidaram ao longo dos anos. “Hoje em dia, a gente trabalha muito na medicina para a mulher perder o medo de se tratar e de melhorar esses sintomas.”

Saúde íntima também precisa de atenção

Um dos pontos que ganhou destaque durante a entrevista foi a chamada síndrome geniturinária da menopausa, relacionada às alterações provocadas pela redução hormonal.

A ginecologista explicou que o ressecamento e a perda de elasticidade dos tecidos podem provocar desconforto e dor durante as relações sexuais. “Então a, aquela vagina ela deixa de ficar elástica e já não comporta mais a atividade sexual. E isso atrapalha muito a vida da mulher.”

Além do impacto na vida sexual, Lorena relacionou essas alterações a problemas urinários e infecções recorrentes. “Então começa a dar candidíase de repetição, infecções urinárias de repetição pelo ressecamento, pela falta do colágeno.”

A médica destacou que existem tratamentos hormonais e não hormonais para esses casos, mas reforçou que a indicação depende da avaliação de cada paciente.

Tecnologias são utilizadas em alguns tratamentos

Lorena também explicou que existem diferentes tecnologias utilizadas em tratamentos para alterações da região íntima feminina, entre elas laser, ultrassom microfocado e radiofrequência.

Segundo ela, esses recursos têm como objetivo estimular a produção de colágeno e melhorar as condições dos tecidos. “Todos eles agem produzindo colágeno, elastina e melhorando, trazendo aquele tecido vaginal de volta, regenerando.”

A médica ressaltou, porém, que esses tratamentos exigem acompanhamento e manutenção. “Uma manutenção, é isso aí. É muito importante e resolve muito porque a libido, a perda da libido tem muito a ver com esse sentimento vaginal de perda.”

Sintomas podem afetar relacionamento e qualidade de vida

Durante a conversa, Saulo Machado destacou que muitas mulheres podem deixar de procurar relações íntimas por causa da dor, enquanto o parceiro pode interpretar a situação de outra maneira.

Lorena afirmou que a informação é fundamental para que o casal compreenda o que está acontecendo. “Não é que ela não queira, ela pode até ter vontade, mas, pô, dói, cara! Daí fica ruim, né?”

A ginecologista explicou que a falta de conhecimento sobre essas alterações ainda é um dos obstáculos para que muitas mulheres procurem tratamento.

Segundo ela, essa área de atuação também é relativamente recente dentro da ginecologia e exige formação específica. “Poucos ginecologistas trabalham também com isso.”

Acompanhamento médico deve ser mantido

Ao longo da entrevista, Lorena reforçou a importância de manter consultas e exames de acompanhamento ao longo da vida.

“A mulher no geral tem que todo ano ter acompanhamento no mínimo anual.”

Para mulheres que estão em tratamento após a menopausa, a médica defende um acompanhamento mais frequente, de acordo com cada caso.

A orientação geral é que sintomas novos ou persistentes sejam discutidos com um profissional de saúde, evitando a automedicação ou o início de tratamentos sem avaliação individual.

Atendimento em Araranguá

Dra. Lorena da Rosa Rodrigues também contou que atua na rede municipal de saúde de Araranguá desde 2007. Os tratamentos específicos com tecnologias para saúde íntima mencionados durante a entrevista são realizados em consultório particular.

A médica atende na Clínica Inspirar, em Araranguá, e na Clínica DeLoren, em Criciúma.

Durante a entrevista, Lorena afirmou que tem observado aumento na procura pelos tratamentos, principalmente por indicação entre as próprias pacientes. “Tem tido bastante procura. Vagarosamente é que vai de boca em boca, as pacientes elas vão fazendo o tratamento, vão vendo a melhora, vão falando para as amigas e vai surgindo gente.”

A entrevista reforçou que o Outubro Rosa vai além da campanha de um mês: é também um momento para lembrar as mulheres da importância do acompanhamento regular, da prevenção, da vacinação contra o HPV e da busca por orientação profissional diante de mudanças no corpo.