Primeiro lockdown de SC prestes a completar 3 anos: os relatos de quem venceu a luta contra a Covid-19
Prestes a completar 3 anos do primeiro lockdown de Santa Catarina, a Covid-19 deixou danos irreparáveis em todo o mundo.
O vírus foi identificado pela primeira vez a partir de um surto em Wuhan, China, em dezembro de 2019. As tentativas de contê-lo falharam, permitindo que o vírus se espalhasse para outras áreas da China, posteriormente, para todo o mundo.
Em 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS), classificou a situação como Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional e em 11 de março de 2020, como pandemia. Até 16 de março de 2023, 676.609.955 casos foram confirmados em 228 países e territórios. Dessas, 6.881.955 mortes foram atribuídas à doença. Tornando-se uma das mais mortais da história.
Em Santa Catarina, os primeiros casos foram confirmados no dia 3 de março de 2020, em Florianópolis. Já em Araranguá, o primeiro caso foi em 16 de março. Aproximadamente 1.994.758 casos confirmados em todo o Estado. Com 22.706 óbitos, Santa Catarina foi o sexto colocado, entre os menos afetados pela doença.
Em entrevista à Rádio Araranguá, o ex-secretário da Saúde, doutor Henrique Besser, a atual secretária de Saúde do município, Daiane Biff, a enfermeira, Vera Lucia Leal, o cronista esportivo, Cleder Maciel, que esteve na UTI (Unidades de Terapia Intensiva) e o repórter e comentarista da Rádio Araranguá, Dejair Inácio, que passou por momentos críticos, falaram sobre a pandemia.
Relatos de quem conviveu ou teve a doença
“Não sei se já estava com Covid-19, mas depois de 4 dias que tomei a vacina comecei a passar mal. Fui fazer o exame e deu positivo. Após uns dias, os sintomas aumentaram e fui levado ao Hospital Regional e ali fiquei. Cheguei na sexta-feira e no domingo fui entubado. Senti muito medo, porque a maioria que era entubado não voltava. Fiquei 14 dias entubado, depois fui para UTI e depois para o quarto. Nesse tempo, tive muitos pesadelos. Foi uma luta diária pela vida, a pior experiência que já tive”, relatou Cleder.
“Aconteceu muito rápido. Nos primeiros sintomas comecei a suar e ter muita febre. A partir daí, fui para casa me medicar e no dia seguinte fui fazer o teste, deu positivo. Com isso, estava fazendo todo o procedimento correto de medicação e repouso, mas comecei a ter muita falta de ar. Com muita fraqueza, fui para o Hospital Regional, lá fiquei 9 dias. A febre foi tão alta que minhas vistas escureciam. Em 9 dias eu perdi 8kg. Foi um período muito difícil, não só para mim, mas para toda minha família”, explicou Dejair.
“Foi uma situação muito complicada, nós comprávamos respiradores e cedia para o Hospital Regional. No dia 20 de janeiro foi iniciada a vacinação e o pânico se estalou na população. A ambulância andava para cima e para baixo, a gente pedindo para os vizinhos (municípios) soro e o hospital lotado”, acrescentou o ex-secretário de Saúde, Henrique Besser.
“Recebemos 100 vacinas e tinha 300 pessoas na fila para vacinar. Conseguimos passar por tudo isso, porque a equipe deu as mãos e se uniu. Teve dia fizemos 1.500 vacinas. Sempre falei que tínhamos um plano, as vezes vinha uma quantidade de vacina e anunciávamos menos para nunca faltar vacina”, comentou a enfermeira Vera.
“Não fizemos home office, a saúde foi para a linha de frete. A cidade estava deserta, lembro que nós íamos para os lugares e tudo deserto. Ficamos com muito medo. Na época até se cogitou a hipótese de ir ficar em um motel, que foi alugado para o pessoal da área da saúde, para não passar a doença para os familiares. Fiquei uma semana sem ver minha filha. Tivemos um profissional que faleceu”, afirmou a secretária.
Pós pandemia
“A pandemia mudou completamente minha vida. Para mim foi positiva a mudança que tive, me ajudou muito. No momento foi terrível, mas o pós Covid-19 acrescentou muito em minha vida. Eu renasci, estava praticamente morto. A luta pela vida foi grande, mas não tive sequelas”, explicou Cleder.
Confira o programa completo:







