Com 5 anos de história a Ama.esc vem auxiliando pais e crianças autistas na região
No último domingo, 02, foi comemorado o dia mundial de conscientização do autismo. A Rádio Araranguá entrevistou nesta segunda-feira, 03, o presidente da Ama.esc (Associação dos Pais de Autistas do Extremo Sul Catarinense), Luiz Vicente Costa, que falou sobre a importância dessa celebração e o trabalho que a associação vem fazendo.
“As pessoas estão buscando saber mais sobre o que é o autismo. Por isso é de extrema importância falarmos sobre isso. Quando iniciei junto o processo de criação da AMA, uma das coisas que dei início aqui em Araranguá, foi tentar fazer algo no sentido de preferenciar o autista. Na verdade, vai além de preferenciar, mas é as pessoas começarem a ver que aquele lacinho de quebra-cabeça colorido tem um motivo. Quando em vários lugares tem aquilo, chama-se a atenção para a causa”, relatou Luiz.
Primeiros sintomas
“A primeira coisa que acontece é os pais chamarem a criança e ela não atender. Parece que ela é surda. Outra característica é ter as estereotipias, que são movimentos repetitivos, como ficar movimentando o corpo para frente e para trás, ficar batendo palmas e dentre outros. Outra é a sensibilidade visual, a criança não gosta muito do sol, quebra de rotina, aquela rigidez comportamental, aquela dificuldade de aceitar o não. São conjuntos de comportamentos, daí a necessidade de levar a um profissional, o neurologista”, ressaltou o presidente.
Projeto Ama.esc
“De tempo efetivação legal, são 5 anos que iniciamos. Nossa motivação foi essa, tirar aquele sentimento dos pais, de achar que estão sozinhos. Dando um amparo a eles, podemos aconselhar e direcionar para que saibam qual caminho seguir. No final de tudo, quem é beneficiado é as crianças. No começo, quando acontece o diagnóstico é um baque. Os pais ficam perdidos, em dúvidas e sem chão. Estou inserido nisso porque passei por isso com minha filha e sei como é essa situação”, acrescentou Luiz.
Atendimentos oferecido pela Ama.esc
“Hoje oferecemos atendimento de fonoaudióloga, psicólogo, inclusive para a família, temos a equoterapia, trabalho de assessoria jurídica e tudo isso de forma gratuita. Na escola da Ama.esc temos 53 crianças matriculadas, que vão toda a semana para os tratamentos”, afirmou o presidente.
Custos
“Hoje a Ama.esc possui 7 colaboradores, profissionais registrados. Conseguimos por conta do Caesp, um convenio com a Fundação Catarinense de Educação Especial. Com isso, o recurso de folha de pagamento nós recebemos do Estado. Porém, ainda temos a despesa que sai do nosso caixa, com a fisioterapeuta, a despesa de material de escritório, material escolar, aluguel, água e luz. Precisamos de muita ajuda, nosso custo mensal é de R$ 6 mil”, relatou Luiz.
Roubo e doações
“Fomos roubados, rasgaram a nossa tela de separação de terreno e a turma está levando de carrinho de mão as tampinhas embora. É uma frustação tremenda, saber que tem pessoas nos roubando. Estamos avaliando se continua ou não até para ser justo com quem doa para a gente. Temos poucas pessoas que fazem doação de lata de alumínio, tampinhas plásticas e algumas outras doações”, explicou o presidente.
Festa de Araranguá e convênio assinado
“Fomos surpreendidos com o convite para estar participando do estande com a Ama.esc. Foi muito bacana e organizado. Com isso, eu fiz uma convocação especial para os pais e tivemos uma grata surpresa, os pais corresponderam, fizemos uma escala, o pessoal foi lá bateram fotos e foi bem bacana. Além disso, conseguimos assinar um termo de convenio com a prefeitura para ajudar a gente com relação ao aluguel. Ficamos muito felizes com essa conquista”, acrescentou Luiz.
Estrutura defasada
“A demanda que temos é muito grande e por isso precisamos de um lugar maior. Quando vir o recurso vamos precisar ir para um lugar maior, estamos extremamente saturados. Fracionamos algumas salas para fazer outras e daí imagina, crianças autistas que já tem uma dificuldade sensorial e auditiva, a gente ficar fracionando salas”, ressaltou o presidente.
Termo de intenção de doação
“No ano passado foi assinado um termo de intenção de doação de terreno aqui pela prefeitura. Porém por conta de tramite político, essa mudança na governança, está lá parado. Sou bem sincero, não sei se será dado sequencia nisso, o último estágio que eu fiquei sabendo é que estava na Casa Civil, mas os projetos estão parados. Não posso ficar parado esperando as coisas acontecerem. Quero expressar meu agradecimento a prefeitura que está nos ajudando”, explicou Luiz.
Próximos passos
“Nossos próximos passos serão ter uma sede nova e ampliar os nossos atendimentos, justamente para acalentar os pais. As vezes eles vão lá e falam que já faz um ano que colocaram o nome do filho e não foram chamados ainda e isso corta nosso coração”, finalizou o presidente.











