Esportes A história do menino de Araranguá que tinha uma das únicas refeições do dia na escola e que se tornou um multicampeão

A história do menino de Araranguá que tinha uma das únicas refeições do dia na escola e que se tornou um multicampeão

08/05/2024 - 10h32

Em entrevista à Rádio Araranguá, no programa 95.5 Entrevista, apresentado por Gregório Silveira, o atleta de mountain bike, Marco Aurélio, o Tocha, contou detalhes de sua trajetória no esporte. Nascido em Curitiba, Paraná, ele encontrou sua verdadeira paixão pelo esporte ao se estabelecer no litoral catarinense, mais especificamente em Araranguá, onde passou parte da sua infância.

“Apesar de ter nascido em Curitiba, fui formado em Araranguá. Vim muito cedo para a cidade. Toda minha família era da Cidade das Avenidas. Com 13 anos comecei a trabalhar, até que com 16 anos iniciei minhas pedaladas na bike. Com isso, percebi na bike a oportunidade de mudar de vida através do esporte. Tive uma infância muito difícil, infelizmente nasci sem pai. Aos olhos naturais, tinha tudo para dar errado. Entretanto, toda as dificuldades que encontrei durante minha trajetória serviram para me fortalecer. Me recordo que ia para a escola para ter minha primeira refeição”, destacou.

Sua jornada rumo ao sucesso começou em sua adolescência, quando Marco Aurélio surpreendeu a todos com sua determinação e talento nas competições de mountain bike. Rapidamente se tornou uma referência nacional na modalidade, conquistando o primeiro lugar em um campeonato brasileiro logo nos seus primeiros anos de prática.

“Apesar de ter sido campeão muito cedo, iniciei minha trajetória no esporte participando de uma competição no UCA, bairro de Araranguá, na qual, fiquei na última colocação. O resultado me motivou a comprar uma bike e começar a treinar em trilhas da região. Trabalhei seis meses para pagar a bike, até que comecei a participar de algumas competições. Iniciando por Urussanga, percebi que tinha jeito para a coisa”, destacou.

Marco continua: “Em 1996 me lancei de cabeça no esporte e comecei a vencer competições importantes. Todo meu sacrifício para conseguir patrocínios para participar das provas nos fins de semana, me deixavam mais fortes. Um ano após ter ingressado na bike (1997), comecei a vencer todas as competições que participava. Chegando a ser Campeão Sul Brasileiro. A partir daí meu sonho subiu de patamar. Queria ser o melhor atleta do Brasil no esporte. Em 1998, com muita luta e determinação, alcancei esse feito”, acrescentou Tocha.

Longe de se acomodar com seus sucessos, Marco Aurélio decidiu desbravar novos horizontes no mundo do esporte. Em 2001, mudou-se para o bicicross e não demorou a ganhar fama internacional, acumulando títulos e medalhas ao longo dos anos.

“Sempre queremos mais. Aprendi muito com minhas derrotas. Na busca por mais competições, participei de mundiais. Minha próxima meta será vencer o mundial. Infelizmente no Brasil, nosso reconhecimento não é muito. Com isso, precisamos estar sempre correndo atrás para conseguir as coisas. Sou profissional do esporte desde 1995. Temos vários atletas que precisam se desdobrar entre o trabalho e esporte para conseguir se sustentar”, ressaltou.

Seu currículo esportivo impressionante inclui 21 títulos como campeão brasileiro de BMX, além de conquistas em competições sul-americanas e participações em mundiais. Ele também coleciona títulos regionais, sendo 30 vezes campeão catarinense e tetracampeão paranaense.

“Sem dúvidas, o título que mais me emociona foi o sul-americano. Estava há quatro anos correndo atrás e quando o alcancei, a alegria foi muito grande. Foi uma grande batalha, porque não tinha condições financeira para participar da competição. Tive que ir de ônibus para a Argentina. Meus adversários estavam há uma semana na competição, eu cheguei nas vésperas. Porém, quando subi na bike, tinha certeza que venceria o campeonato. Voltei de lá como o melhor atleta da américa”, relembrou.

Além de suas conquistas no esporte, Marco Aurélio é um exemplo de equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Casado com Raquel Cristina Sant’Helena e pai de Abigail, de 14 anos, ele encontra apoio e motivação em sua família para continuar alcançando novos patamares em sua carreira esportiva. “A família é minha base. Sem eles, nada seria possível. Encontro nela, a força para continuar buscando novos ares no mundo do esporte”, finalizou.