Política Audiência na Assembleia Legislativa debate falta de árbitros na Fesporte após cancelamento de competições no Parajasc

Audiência na Assembleia Legislativa debate falta de árbitros na Fesporte após cancelamento de competições no Parajasc

13/06/2024 - 10h36

Uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa nessa quarta-feira, dia 12, trouxe à tona os graves problemas enfrentados pela Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte), que culminaram no cancelamento de duas modalidades (atletismo e bocha) durante o Parajasc, afetando cerca de 800 atletas. A competição ocorreu em Blumenau, no mês de maio, e a falta de árbitros foi atribuída a deficiências de gestão na Fesporte.

Os participantes da audiência apontaram que a ausência de árbitros foi causada por problemas crônicos de gestão, falta de pessoal, orçamento insuficiente e problemas estruturais na Fesporte. Conforme destacado, essas dificuldades são antigas, e o presidente da entidade, Freibergue do Nascimento, já tinha conhecimento prévio da situação.

Um dos principais obstáculos discutidos foi uma resolução referente ao pagamento de diárias aos árbitros, considerada “frágil legalmente” e “inconstitucional” pelo presidente da Fesporte. Freibergue do Nascimento defendeu a necessidade de encontrar uma solução legal para evitar o cancelamento do calendário esportivo, o que poderia prejudicar outras modalidades.

Busca por soluções

Deputados como Fernando Krelling (MDB), que presidiu a comissão, enfatizaram a urgência de resolver a questão para garantir a continuidade do calendário esportivo e evitar impactos negativos nos municípios e no pagamento de bolsas aos atletas. “Precisamos encontrar um caminho para concluir o calendário esportivo deste ano”, afirmou Krelling.

O presidente da Fesporte pediu um maior diálogo entre a fundação e as federações, responsáveis pela cessão dos árbitros. Freibergue do Nascimento sugeriu a realização das competições de atletismo e bocha em Jaraguá do Sul, em agosto, mas enfrentou ceticismo devido a questões financeiras e à desmotivação dos atletas.

O presidente da Federação Catarinense de Atletismo (FCA), Deraldo Opa, classificou a situação em Blumenau como “inadmissível” e criticou a falta de diálogo da Fesporte, lamentando a politização do evento. Alziro Golfetto, do Conselho Estadual do Esporte (CED), atribuiu os problemas à gestão da Fesporte, destacando que as federações estão abertas ao diálogo, mas aguardam uma reunião há um ano e meio.

Árbitros como Claudio Pacheco, da Associação de Pessoas com Deficiência de Criciúma, destacaram a inviabilidade financeira de participarem das competições sob as atuais condições. Vinicius Bion, também do CED, alertou que a Fesporte foi informada dos problemas com a arbitragem em 1º de maio e sugeriu várias soluções jurídicas para resolver a questão.

Apelo por respeito e melhoria na gestão

Aline Barros, coordenadora de bocha paralímpica, pediu mais respeito e organização, enquanto Michele de Souza, ex-presidente do CED, ressaltou que os atuais problemas refletem anos de desgaste na Fesporte. Josiane Lima, do Comitê Paralímpico Brasileiro, denunciou os “problemas políticos gravíssimos” na relação da Fesporte com as federações, destacando que os maiores prejudicados são os atletas.

A audiência contou com a participação de dirigentes esportivos e paradesportivos, atletas e paratletas, membros do Conselho Estadual do Esporte (CED), além de vereadores e deputados estaduais. Todos os parlamentares presentes defenderam o diálogo como caminho para resolver os problemas e garantir a continuidade das competições.