Banco Vermelho é inaugurado em Araranguá como símbolo permanente de enfrentamento ao feminicídio
Aconteceu na tarde desta segunda-feira, dia 29, às 14h, na Praça Hercílio Luz, no Centro de Araranguá, a inauguração do Banco Vermelho, símbolo internacional de conscientização e reflexão sobre o enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher.
Mais do que um marco físico, o Banco Vermelho representa um convite permanente à sociedade para lembrar as vidas perdidas, romper o silêncio diante da violência e reafirmar o compromisso coletivo com a prevenção, a denúncia e a proteção das mulheres. A iniciativa busca manter o tema em evidência diariamente, indo além de campanhas pontuais realizadas em datas específicas.
A Rádio Araranguá esteve presente no local e acompanhou a inauguração. Durante a cobertura, a reportagem conversou com a presidente do Conselho Municipal de Políticas Públicas Voltadas à Mulher e delegada responsável pela DPCAMI de Araranguá, Eliane Chaves, que destacou a importância simbólica e prática da ação.
“Hoje o Banco Vermelho significa que trazemos à população uma ação permanente de enfrentamento à violência contra a mulher, visando realmente o feminicídio zero. Queremos que todos os dias as pessoas falem, debatam e reflitam sobre esse assunto”, afirmou a delegada.
Eliane Chaves ressaltou que, apesar dos avanços em políticas públicas e no trabalho em rede, os números ainda preocupam. Segundo ela, o feminicídio segue em alta em Santa Catarina, mesmo com a redução de outros crimes violentos. “Isso mostra que precisamos de mais envolvimento, mais prevenção e mais educação, principalmente desde a infância”, pontuou.
A delegada também destacou que cerca de 90% dos casos de violência contra a mulher são cometidos por companheiros ou ex-companheiros, e lembrou que a violência raramente começa de forma física. “Ela inicia com a violência psicológica, moral, com o controle e o isolamento da mulher, até chegar ao extremo”, explicou.
Em relação aos dados locais, Eliane informou que Araranguá registrou mais de 2.500 ocorrências relacionadas à violência doméstica até novembro. “Apesar disso, o município não registrou feminicídio consumado em 2025, apenas tentativas, todas investigadas. Esperamos que o feminicídio continue zero aqui na cidade”, afirmou.
A programação também contou com a participação da vice-primeira-dama Dirlene da Silva Oliveira, representante da UAMA (União das Associações de Moradores de Araranguá) e presidente da Associação de Moradores do bairro Coloninha. Ela reforçou o caráter de conscientização do Banco Vermelho.
“Esse símbolo é para a gente refletir. Precisamos falar sobre esse assunto, porque muitas mulheres sofrem diariamente e, infelizmente, algumas situações chegam ao extremo”, destacou.
Dilene também falou sobre o trabalho do Conselho Municipal da Mulher, implantado neste ano, que realiza reuniões mensais para debater dados, propor ações e fortalecer políticas públicas de acolhimento e prevenção. “O município conta com uma rede de apoio, incluindo o CREAS, para atendimento às mulheres em situação de violência”.
Durante o encerramento, foi destacado que o Banco Vermelho foi viabilizado por meio do envolvimento de várias mãos e parcerias, com doações e trabalho voluntário de empresas e profissionais locais, como madeireiras, pintores e empresas de comunicação visual.
Instalado em local de grande circulação, o Banco Vermelho traz a frase: “O amor não controla, não humilha, não agride. Sentar e refletir, levantar e agir”.
A mensagem é clara: o combate à violência contra a mulher é uma responsabilidade de toda a sociedade, que começa com a reflexão, passa pela denúncia e se consolida na ação.






