Segurança Bombeiros de Araranguá relatam desafios em operações de resgate no Rio Grande do Sul

Bombeiros de Araranguá relatam desafios em operações de resgate no Rio Grande do Sul

14/05/2024 - 13h04

Durante uma entrevista no programa Estúdio 95 da Rádio Araranguá, os bombeiros André Luís e Pablo Panatta Maffioleti, juntamente com o Major Borges, comandante do Corpo de Bombeiros de Araranguá, compartilharam suas experiências durante as operações de resgate no Rio Grande do Sul, em decorrência das enchentes.

André Luís relatou que o acionamento para o atendimento foi imediato, ocorrendo no dia 30 do mês anterior, e que a equipe se dirigiu rapidamente para a região de Lajeado. “A situação estava caótica, sem água, luz e comunicação, e a falta de coordenação devido ao caos. A comunicação com o batalhão era feita por mensagens, e as informações sobre a localização das pessoas eram obtidas através dos próprios moradores. Um destaque para a generosidade da população local, que nos acolheu e ajudou durante os momentos difíceis. O pior foi no primeiro e segundo dia, onde nem comida havia. A comida a gente conseguia com os populares, porque não tinha mais nada lá”, destacou o bombeiro.

Já para Panatta, sua ida ao Rio Grande do Sul ocorreu mais tarde, no dia 6, e ele foi encaminhado para a cidade de Canoas. “Foram muitas as dificuldades encontradas, incluindo a falta de comunicação e os problemas de segurança, como trocas de tiros e tentativas de roubo. É muito grande a diferença entre as operações realizadas em Santa Catarina e a situação enfrentada no RS, onde o nível de perigo é muito maior”, ressaltou.

“Haviam muitos veículos submersos, o que resultava em botes e equipamentos danificados, o que fazia a operação demorar mais do que o normal. Além disso, muita gente que se recusava a sair pelo medo de ter sua residência furtada. Tivemos muitos problemas de segurança na região de Canoas. Quando chegava a noite a atenção era redobrada porque era muito perigoso, o roubo e a violência eram grandes. Tentaram roubar nosso bote, coisas incabíveis em Santa Catarina, mas muito presente lá”, acrescentou Panatta.

O Major Borges enfatizou a rapidez com que as situações se desenvolvem durante esse tipo de ocorrência e a importância da colaboração da população. “Nossa equipe vivenciou a dificuldade em convencer as pessoas a deixarem suas casas e o impacto emocional que essas experiências deixavam nelas. Não se compara com nossas ocorrências em Araranguá. Em razão das cheias, nosso Estado é muito mais resiliente nessas operações. Quem passa por essa experiência, fica marcado. Atuei em muitas ocorrências e sei muito bem o que é viver isso”, disse o comandante. 

André e Panatta concordaram que, apesar dos desafios e das situações adversas enfrentadas, o desejo de ajudar as pessoas sempre prevalece. Eles destacaram a importância de se colocarem no lugar dos afetados e reiteraram o compromisso dos bombeiros em servir à comunidade, mesmo diante das adversidades.

“Mesmo estando tudo de ruim, queremos estar lá para ajudar. Nos colocamos no lugar das pessoas. É completamente diferente de tudo que já vivenciamos. Sem dúvidas, nos abalamos com o que vimos, somos seres humanos, mas o desejo de ajudar é maior”, concluíram.