Segurança Caso Jeff Machado: advogado da família revela detalhes do processo

Caso Jeff Machado: advogado da família revela detalhes do processo

30/01/2024 - 11h55

Em uma entrevista exclusiva concedida à Rádio Araranguá, no programa Dia a Dia, apresentado por Saulo Machado, o advogado da família de Jeff Machado, assassinado no Rio de Janeiro, Jairo Magalhães, trouxe à tona detalhes impressionantes sobre o andamento do processo e as próximas etapas.

“Já tivemos três audiências, com isso, a fase da instrução acabou. Temos materialidade para o encaminhamento dos dois envolvidos, tanto do Bruno, quanto do Jeander, para o Tribunal do Júri”, afirmou o advogado.

A entrevista revelou que Bruno, apontado como o principal mentor do crime, cultivava uma amizade próxima com Jeff. Por outro lado, Jeander também teve participação ativa nos preparativos, execução e nas horas subsequentes ao crime hediondo.

“Vemos como o Jeander é uma pessoa extremamente fria. Percebemos durante essas três audiências acontecidas. Por isso que ele enganou a todos, inclusive o Jeff, durante esse período”, destacou o advogado.

Para Jairo, a expectativa é que a pena imposta aos acusados seja rigorosa, refletindo a gravidade do crime e o compromisso em buscar justiça não apenas para a família de Jeff, mas para toda a cidade de Araranguá e o Brasil.

“Temos todas as provas técnicas, materialidade e testemunhas. Estamos ansiosos pelo júri, queremos dar a resposta não só para a família do Jeff, mas para a cidade de Araranguá e todo o Brasil. Temos plena certeza que ambos sejam condenados. Além disso, existe ocorrências de crimes cometidos anteriormente pelo Jeander”, acrescentou o advogado.

A previsão é que o julgamento pelo júri popular ocorra no primeiro semestre do ano que vem. “A pena estabelecida, indiscutivelmente não será pequena. Um dos meus compromissos junto da promotora é especificar cada detalhe do crime. A previsão é que peguem uma pena alta. Entramos na primeira fase, que é quando a juíza envia os acusados para o júri. Acredito que o júri aconteça no primeiro semestre do ano que vem”.

Confira detalhes da última audiência do caso: (Fonte: TJ-RJ)

Caso Jeff Machado: durante interrogatório, Jeander reafirma que foi Bruno quem matou o ator

Acusado de participação na morte do ator Jefferson Machado, ocorrida no dia 23 de janeiro de 2023, Jeander Vinicius da Silva Braga confirmou o depoimento prestado em inquérito policial e acusou Bruno de Souza Rodrigues de ter cometido o homicídio. Ao ser interrogado nesta sexta-feira (26/1), durante Audiência de Instrução e Julgamento, Jeander disse que sua atuação no crime se limitou a levar o corpo da casa do ator, junto com Bruno, dentro de um baú, até a casa, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, onde ele foi enterrado. Na audiência, no momento de ser interrogado, Bruno exerceu o direito de permanecer em silêncio.

Durante o interrogatório, Jeander afirmou que havia sido chamado por Bruno para gravar um vídeo na casa de Jefferson, onde manteriam relações sexuais. Jeander afirmou que foi tomar banho e quando saiu, se deparou com o corpo do ator caído no chão, amarrado e com um fio passado no pescoço. Disse ainda, que, ao perguntar ao Bruno o que tinha acontecido, este falou que era para seguir as instruções dele, caso contrário, iria dizer que ele, Jeanderson, é quem tinha matado o Jefferson.

Antes do interrogatório dos dois réus, o juízo da 1ª Vara Criminal do Rio ouviu as últimas cinco testemunhas do processo. O corpo do ator só foi encontrado em maio, dentro de um baú concretado no quintal de uma casa em Campo Grande. Bruno de Souza Rodrigues e Jeander Vinicius da Silva Braga são acusados do homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

A primeira testemunha ouvida foi Emanuelle Maciel Pinto, vizinha do imóvel onde foi encontrado o corpo de Jeff. A mulher confirmou que encontrou Bruno algumas vezes no local acompanhando uma obra que estava sendo feita na residência e que ele teria dito que moraria lá após a reforma. Emanuelle informou, ainda, que nunca viu a vítima no local.

Bruno Armstrong Brum foi a segunda testemunha a depor. Amigo há mais de 10 anos do acusado Bruno de Souza, Armstrong também foi morador da residência onde o corpo de Jeff foi encontrado. Ele foi o responsável por repassar o contato da locatária do imóvel para Bruno. Segundo a testemunha, Bruno disse que queria alugar a casa para um amigo chamado Jefferson. A proprietária do imóvel, Rosane Sousa da Silva, foi ouvida em seguida. 

André Rosa, policial civil da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), foi a quarta testemunha. Ele foi responsável pela investigação que realizou o cruzamento de informações entre as operadoras de telefone móvel, o aplicativo whatsapp e o Google. O policial afirmou que três telefones apareceram nos arredores da casa onde o corpo de Jefferson foi encontrado: de Jerffeson, Bruno e Jeander. 

A quinta e última testemunha do dia, arrolada pela defesa de Jeander, Rodrigo Peterson Caio Borges, apenas confirmou que Jeander tinha comentado com ele que estava cavando uma cisterna, mas que só soube depois, pela imprensa, que era na casa onde Jefferson foi enterrado.