Geral Conheça a história de Matheus Premoli e Bono, binômio de Araranguá que foi convocado para atuar no resgate das vítimas do RS

Conheça a história de Matheus Premoli e Bono, binômio de Araranguá que foi convocado para atuar no resgate das vítimas do RS

07/05/2024 - 09h14

Em entrevista à Rádio Araranguá, no programa 95.5 Entrevista, uma história de determinação e serviço público foi contada ao jornalista Gregório Silveira. Seu convidado especial foi o Bombeiro Militar Matheus Premoli, do 4º Batalhão de Bombeiros Militar (4º BBM). Natural de Araranguá, Matheus atua em busca, resgate e salvamento, junto ao seu fiel companheiro, o cão Bono.

Nascido em 1988, Matheus trilhou um caminho que o levou das salas de aula aos corredores do Corpo de Bombeiros. Após um breve período em Florianópolis na infância, ele retornou à sua cidade natal, onde completou seus estudos básicos e posteriormente ingressou na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em Araranguá, inicialmente interessado em tecnologia da informação e comunicação.

“Tenho poucas lembranças de Florianópolis, porque foi um período onde era muito novo. Na Cidade das Avenidas minha paixão foi estimulada. Tenho um carinho muito grande pela cidade. Tive uma infância comum da época, com meus amigos da escola. Apesar do meu pai querer que eu ingressasse no ramo farmacêutico, que é a área da família, busquei outro rumo”, destacou.

Entretanto, sua vida tomou um novo rumo quando se deparou com a oportunidade de ingressar no Corpo de Bombeiros em 2012. Durante seu treinamento, Matheus foi introduzido à atividade de busca, resgate e salvamento com cães, um momento que viria a moldar sua carreira.

“Através da minha mãe resolvi fazer a prova para o Corpo de Bombeiros. Quando ingressei ao curso, me deparei com algo totalmente diferente do que imaginava. A principio me assustei, não queria muito, mas fui descobrindo a profissão e me encontrei nela. Hoje faço o que mais gosto”, explicou.

Servindo em diversas cidades catarinenses ao longo dos anos, Matheus acumulou experiência e conhecimento em operações de resgate. Seu comprometimento foi reconhecido quando passou em seleções para cursos de aprimoramento, incluindo o de formação de cabos e o Curso de Formação de Bombeiro Cinotécnico.

“Após ter me formado, logo fui para o Extremo Oeste do estado. Desde essa época, realizava pedidos para ingressar no curso de cinotécnico. Porém, não estava conseguindo a liberação e apenas em 2018, a alcancei. Infelizmente no final do curso minha vó faleceu e não pude ver ela. Aprendi muito com os cursos que desbravei durante minha carreira na corporação”, ressaltou.

Para se tornar um condutor de cão de busca, Matheus enfrentou desafios e exigências rigorosas, incluindo cursos específicos e centenas de horas de estágio operacional. Em setembro de 2019, ele finalmente recebeu seu parceiro de trabalho, o cão Bono, com quem compartilha uma incrível jornada de resgates e salvamentos.

“Após ter alcançado os pré-requisitos, aguardava receber meu cachorro. Sempre soube da responsabilidade que era ter um. Quando surgiu a oportunidade de receber o Bono, foi uma grande alegria. A partir daí, começou nossa jornada juntos”, relembrou.

Atualmente, a dupla ostenta impressionantes 11 certificações, sendo seis delas ativas, colocando-os no topo dos cães com mais certificações ativas no país. Sua dedicação incansável e habilidades excepcionais têm sido um verdadeiro alento para aqueles em situações de emergência.

“Essas certificações tem validade nacional. Busco sempre nosso aprimoramento. Sempre que temos a oportunidade de realizar certificações, não pensamos duas vezes e vamos. Realizamos muitas buscas e uma das que mais me marcou, foi em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Me recordo de irmos e no local das buscas, um homem voluntário nos ajudava. A princípio pensei que era um profissional, mas depois descobri que era o pai de uma vítima. Foi muito forte, a situação estava bem complicada e conseguimos ajudar muito nessa operação”, enfatizou. 

Durante a entrevista um chamado surpreendeu. Matheus e Bono foram convocados para auxiliar nas operações de resgate das vítimas das recentes enchentes no Rio Grande do Sul. “Nossa função é a busca dos desaparecidos. Estamos convocados na primeira equipe, com uma estimativa de cinco dias de trabalho para cada equipe. Chegando no local, o comandante vai passar nossa área de busca e sem dúvidas, desempenharemos o trabalho com toda a força e comprometimento”, ressaltou.

A história de Matheus Premoli e Bono é um testemunho do comprometimento e coragem dos bombeiros militares, bem como da inestimável contribuição que os cães de resgate oferecem em situações de crise.