Política Convenção do Novo amplia disputa na direita enquanto Santa Catarina se prepara para mais definições estaduais

Convenção do Novo amplia disputa na direita enquanto Santa Catarina se prepara para mais definições estaduais

28/07/2026 - 09h50

A corrida presidencial ganhou mais um capítulo nesta segunda-feira (27) com a oficialização da pré-candidatura do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). A convenção da sigla amplia o número de nomes que disputam o eleitorado de direita e ocorre em um momento em que os partidos também aceleram as articulações para as eleições em Santa Catarina.

Na análise do comentarista político da Rádio Araranguá, Upiara Boschi, a candidatura de Zema chega cercada por um histórico recente de atritos com o PL, especialmente após as críticas direcionadas ao Flávio Bolsonaro.

“Desde então, toda vez que o Zema fala, a relação entre o PL e o Novo dá uma azedada, especialmente aqui em Santa Catarina.”

Apesar desse histórico, Boschi destaca que o tom da convenção foi diferente. Segundo ele, Zema evitou confrontos internos e concentrou seu discurso na oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendendo a união das forças de direita em um eventual segundo turno.

O analista observa, porém, que a maior dificuldade enfrentada pelo ex-governador mineiro é semelhante à dos demais pré-candidatos do campo conservador.

“Ele não tem uma aliança, ele não tem um pré-candidato a vice-presidente já definido.”

Segundo Boschi, o cenário revela uma fragmentação entre os principais nomes da direita. Flávio Bolsonaro ainda busca ampliar sua coligação, Ronaldo Caiado apresentou um vice considerado “caseiro”, Gilberto Kassab, e Zema segue tentando consolidar apoios.

“A gente tem três pré-candidatos, por enquanto, buscando esse eleitor da direita, buscando o eleitor antipetista e cada um do seu jeito.”

Além deles, Boschi cita Renan Santos, do Missão, embora ressalte que o partido ainda enfrenta limitações quanto à participação na campanha eleitoral. Já o Novo vive uma situação específica: a legenda poderá participar dos debates em razão da bancada formada após a janela partidária, embora não tenha direito ao horário eleitoral gratuito.

Na avaliação do comentarista, a disputa entre os pré-candidatos tende a ficar mais acirrada nas próximas semanas. Em vez de concentrarem ataques apenas ao governo federal, eles passaram a disputar espaço entre si.

“Eles começam a se atacar uns aos outros.”

Boschi lembra que Renan Santos abriu essa linha de confronto, enquanto Caiado intensificou recentemente as críticas a Flávio Bolsonaro. Zema também buscou espaço no debate, mas ainda não conseguiu refletir esse movimento nas pesquisas de intenção de voto.

Enquanto o cenário nacional segue em construção, Santa Catarina entra na reta final para as convenções estaduais, marcadas para o próximo sábado. O governador Jorginho Mello (PL) oficializará sua candidatura à reeleição, enquanto João Rodrigues (PSD) também confirmará sua participação na disputa pelo governo do Estado.

Upiara chama atenção para outro ponto que ainda permanece indefinido.

“Eu estou curioso com a questão do Avante aqui em Santa Catarina.”

Segundo ele, embora o partido tenha direito à participação obrigatória nos debates, ainda não definiu se apoiará uma candidatura já existente ou se lançará um nome próprio para a disputa estadual.

O comentarista também destaca a presença de lideranças catarinenses nas convenções nacionais. Jorginho Mello participou do evento que oficializou Flávio Bolsonaro, acompanhado de nomes como o deputado estadual Alex Brasil e Jair Renan. Já na convenção de Ronaldo Caiado estiveram representantes do PSD catarinense, entre eles Raimundo Colombo, Julio Garcia, Eron Giordani e Jorge Bornhausen.

Para Boschi, os próximos dias serão decisivos para consolidar alianças e medir o comportamento do eleitorado de direita.

“Vamos ver como vão ficar esses últimos arremates e para onde vai o eleitorado da direita, tanto em nível nacional quanto em nível estadual. Por enquanto as pesquisas apontam que está indo com o PL.”