Geral Defesa Civil de Araranguá intensifica ações preventivas e alerta população para buscar informações em canais oficiais

Defesa Civil de Araranguá intensifica ações preventivas e alerta população para buscar informações em canais oficiais

09/06/2026 - 09h10

A participação da Defesa Civil de Araranguá no Fórum Estadual de Proteção e Defesa Civil, promovido pela Federação Catarinense de Municípios (Fecam), em Tubarão, serviu para reforçar estratégias de prevenção, monitoramento e preparação para possíveis eventos climáticos extremos previstos para os próximos meses. O tema foi abordado durante entrevista concedida pelo coordenador da Defesa Civil de Araranguá, Alexandre Pereira, e pelo agente Richard Dassoler ao programa O Dia em Notícia, da Rádio Araranguá.

Segundo Alexandre, o município já vinha se preparando antes mesmo do decreto estadual relacionado às ações preventivas. “A Defesa Civil de Santa Catarina vem há bastante tempo investindo na estrutura do setor e os municípios também. Não é diferente em Araranguá. O prefeito, há quase 40 dias, reuniu a Defesa Civil, Secretaria de Obras e o Samae pedindo que fossem feitas todas as prevenções necessárias. Quando o governador lançou o decreto, nós já estávamos trabalhando”, destacou.

Fórum debate preparação e combate às fake news

Durante o encontro estadual, um dos temas centrais foi a preparação para eventos extremos e a forma correta de comunicar riscos à população. “Foi muito debatida a questão de lançar alertas sem causar pânico. Precisamos passar informações corretas para as pessoas, porque grande parte do que está circulando nas redes sociais é fake news”, afirmou Alexandre. Ele ressaltou que o município acompanha permanentemente os dados oficiais da Defesa Civil e dos órgãos meteorológicos.

O coordenador também destacou que existe a previsão de um fenômeno climático mais intenso nos próximos meses, mas que ainda não é possível determinar exatamente quais regiões serão mais impactadas.

“Vai ter um El Niño mais forte? Vai. Agora, exatamente os locais que ele vai atingir e a força que ele vai atingir, ainda não temos. Isso vai sendo definido ao longo dos próximos dias e meses, conforme surgem novos dados”, explicou.

Richard Dassoler reforçou que as previsões climáticas devem ser interpretadas com cautela. “Pode acontecer uma chuva forte em Araranguá e não acontecer em Forquilhinha ou Criciúma. Trabalhamos com previsões e elas não significam que um evento vai atingir todos os locais da mesma forma”, observou.

Estrutura reforçada para enfrentar emergências

A Defesa Civil também aproveitou a entrevista para detalhar os investimentos realizados para fortalecer a estrutura de atendimento.

Alexandre informou que o município recebeu equipamentos do Governo do Estado e adquiriu novos recursos próprios.

“Ganhamos um kit do Governo do Estado, fizemos a troca do jipe por uma caminhonete 4×4, que é mais adequada para a nossa região. Também vai chegar um drone, mas o prefeito optou por adquirir um equipamento ainda mais moderno, com maior tecnologia e capacidade de identificar até focos de incêndio”, relatou.

Além disso, o município está montando uma estrutura de ajuda humanitária para situações emergenciais. “Também foi autorizada a aquisição de kits de limpeza, kits de higiene, colchões, cobertores e travesseiros. Tudo está sendo preparado para que, caso aconteça alguma situação, estejamos prontos para atender a população”, acrescentou.

Limpeza de canais, bocas de lobo e áreas de risco

Entre as ações preventivas já em andamento estão a limpeza de bocas de lobo, valos comunitários, canais de drenagem e a vistoria de áreas consideradas de risco.

“Foi definida a limpeza de todas as bocas de lobo da cidade. Também estamos limpando valos comunitários, canais e a saída da Lagoa da Serra. Além disso, realizamos vistorias em árvores com risco de queda e em residências que apresentam risco estrutural”, explicou Alexandre.

Segundo ele, a Defesa Civil também atua na elaboração de laudos para encaminhamento de famílias que eventualmente precisem ser removidas de locais perigosos.

“Dependendo da situação, o caso é encaminhado para a Assistência Social, que pode viabilizar aluguel social para as famílias até que o problema seja resolvido”, afirmou.

Preocupação com o período de chuvas

Os representantes da Defesa Civil admitem que, mesmo com toda a preparação, transtornos poderão ocorrer caso as previsões de chuva se confirmem.

“As previsões são de muita chuva. Com todo o trabalho que estamos fazendo e ainda com cerca de 40 dias pela frente para trabalhar, pode haver transtornos. Estamos preparados, mas nosso rio recebe água de toda a região e isso exige atenção constante”, alertou Alexandre.

Ele destacou ainda a importância da máquina anfíbia adquirida pelo Samei para a limpeza de rios e canais. “Na região inteira ninguém tem uma máquina anfíbia como essa. Ela é fundamental para esse trabalho e faz toda a diferença na prevenção de enchentes”, ressaltou.

Defesa Civil funciona 24 horas

Outra informação repassada durante a entrevista é que a Defesa Civil de Araranguá mantém atendimento permanente. “Desde a reunião realizada pelo prefeito foi determinado que o setor trabalhe 24 horas por dia. A população pode entrar em contato sempre que necessário”, explicou Alexandre.

O telefone de plantão da Defesa Civil de Araranguá é o (48) 98841-3559. “A gente pode não responder imediatamente em alguns momentos, devido à grande demanda, mas não deixamos ninguém sem retorno. Estamos visitando, avaliando e encaminhando cada situação para o setor competente”, garantiu.

População deve colaborar

Ao final da entrevista, os representantes da Defesa Civil pediram o apoio da comunidade, especialmente no descarte correto de resíduos. “Não adianta fazermos a limpeza e depois as pessoas descartarem lixo em locais inadequados. Quanto mais assoreados estiverem os rios e valos, mais dificuldade a água terá para escoar e maiores serão os riscos de enchentes”, alertou Richard.

Alexandre também ressaltou a importância dos meios de comunicação durante situações de emergência, lembrando a experiência vivida durante o Furacão Catarina. “Uma das coisas que aprendemos no fórum é que o rádio continua sendo o melhor meio de comunicação em situações extremas. No Furacão Catarina faltou energia, não havia sinal de televisão nem de celular, e as pessoas acompanhavam tudo pelo rádio. Por isso, é fundamental continuar utilizando os canais oficiais e confiáveis para buscar informações”, concluiu.