Geral Em Turvo: memorial Frei Egidio resgata a memória de religioso que pode ser beatificado

Em Turvo: memorial Frei Egidio resgata a memória de religioso que pode ser beatificado

25/01/2023 - 08h56

O município de Turvo, no Extremo Sul catarinense, cada vez mais tem se tornado referência quando o assunto é Turismo Religioso. Formada em sua grande maioria por imigrantes italianos, alemães e portugueses, a cidade do Vale do Araranguá, desde a segunda década do século passado, sempre teve forte relação de seus habitantes com o Cristianismo.

Principalmente, quando os Servos de Maria iniciaram concomitantemente suas atividades em Turvo e Araranguá. De Araranguá, os Servos de Maria saíram em 1952, quando a paróquia foi desenvolvida a diocese. O seminário começou a funcionar provisoriamente numa casinha de madeira em Araranguá. Depois passou para uma outra sede provisória em Turvo.

O atual, prédio do seminário, foi inaugurado em 1944 e em 1960 foi feita uma nova ala. Durante toda sua história contribuiu com a formação de muitos Freis da Ordem dos Servos de Maria. As atividades do Seminário continuam auxiliando na formação de jovens que seguem a vocação sacerdotal.

Além disso, é de Turvo o menino, hoje homem adulto e pai de família, o agricultor Solano Favarim, a quem foi concedido o milagre da hoje Santa Gertrudes, que possui um oratório ao lado da Igreja Matriz Nossa Senhora da Oração, no Centro.

Dia de festa

A sexta-feira, 13 de janeiro de 2023, foi um dia especial para Ordem dos Servos de Maria, para a sociedade turvense e todos os devotos de Frei Egidio espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Com a presença da totalidade dos Freis servitas que estavam no Seminário de Turvo reunidos, ex seminaristas advindos de muitos estados, autoridades em geral e devotos de turvo e região, tivemos aproximadamente 150 pessoas participando do importante cerimonial de inauguração deste espaço sagrado dedicado ao santo irmão Egidio.

A organização da cerimônia coube aos ex seminaristas Osni Alves, José Pedro Idalino e Ricardo Custódio. Idalino e Ricardo foram os mestres do cerimonial que iniciou as 10 horas da manhã e encerrou as 11 horas. O evento foi abrilhantado pelos colegas ex seminaristas, professor Luiz Cirimbelli e a família de Donizete Gubbert. Foram belos e emocionantes cânticos.

Os pontos fortes da cerimônia foram vários: Frei Rinaldo leu a bela biografia de Frei Egidio, escrita pelo Postulador da causa dos Santos, Frei Franco Azzalle, de Roma. O ex seminarista Osni Alves narrou para todos a história do processo de canonização que se iniciou com o Bispo da Ordem, Dom Moacir, no ano de 2014 em Porto Velho, quando fez o pedido a Osni Alves, Joaquim e Osni Rabelo. Coube a estes três difundir o projeto, que de pronto foi aceito pelo Provincial Frei Charlie de Souza e assim foi deflagrado os trabalhos para processo de canonização a partir de 2016 na Festalia daquele ano.

A construção de um memorial fazia parte do projeto. A seguir ocorreu a fala da arquiteta do memorial Ana Luiza Simon, explicando ao público como foi a ideia da elaboração do projeto num formato de um chapéu muito usado por frei Egidio e os nosso agricultores. Depois a autoridade maior o Províncial das província do Brasil e Moçambique, Frei Charlie, falou da importância do processo de canonização de dois ilustres servitas, Frei Egidio, de Turvo, e Frei Paulino, do Acre, e destacou todo o empenho que a ordem vem fazendo para tornar este anseio dos devotos em realidade.

Frei Charlie é a pessoa que faz a interface, entre Roma, o bispo Dom Jacinto, e os defensores do processo de canonização de frei Egidio. A seguir, tivemos o corte da fita inaugural com quatro pessoas que no ato representaram a ordem e o povo: Frei Gerson e o prior Frei Nivaldo por parte dos servitas, e os Seminaristas Osni Alves e Evaristo de Luca, representado todos os devotos.

Após o corte da fita, frei Charlie fez a benção do memorial, de todos os presentes e dos pãezinhos símbolo de Frei Egidio que foi padeiro e agricultor. Prosseguindo, Frei Gerson conclamou aos presentes a rezar com ele a “Oração pela declaração de Servo de Deus de Frei Egidio”.  Oração esta que fora elaborada por Dom Moacir, e hoje bastante difundida nas missas e rezas da coroa. A cerimônia se encerrou com a tradicional Salve Regina em latim, cantada pelo maestro Luiz Cirimbelli. 

Finalizando, o ex-seminarista Joaquim externou os agradecimentos em nome do grupo Os Meninos de Turvo, a todos que participaram da trajetória deste belo processo visando a canonização de Frei Egidio. Em especial, ao saudoso Bispo Dom Moacir, ao Provincial, Charlie e Frei Franco, de Roma, aos Freis Nereu, José Flash, Nivaldo, Zezinho, Gerson e o vice Postulador da causa, Frei Pedro Lucietti; a professora Neide Simon, idealizadora da reza da coroa de NSra das Dores; Venancio Menegaro, responsável pela construção do Memorial; a José Pedro Idalino, pelo apoio a causa e resgate da memória de Frei Egidio; aos cantores maestro Cirimbelli e família Gubbert. Enfim, as autoridades políticas (prefeito, vereadores, deputados) de nosso município e região que apoiaram a causa. Joaquim encerrou agradecendo Frei Egidio, o santo inspirador que possibilitou a união de todos para resgatar o amor, a fé e a esperança em nossos corações.

Após o encerramento, foi servido um almoço com os Freis servitas e convidados no salão da comunidade de Linha Contessi. Coube ao ex-seminarista Osair Simon, preparar o saboroso churrasco de confraternização. A noite ainda houve a última confraternização no Balneário Gaivota com a participação de muitos ex-seminaristas num jantar sob o comando do colega Leonor Burim.

Desta forma, Turvo ganha mais um espaço sagrado para difundir a oração e a Fé, onde todos podem visitar e rezar para Frei Egidio, o santo irmão de Turvo. O grupo Memorial Frei Egidio e Os Meninos de Turvo agradecem a participação de todos.

Quem foi Frei Egidio

Humildade, simplicidade e espírito de oração são marcas de frei Egídio Maria Moscini, nascido em Valentano, na Itália, com o nome de Vicente e que ingressou na Ordem Servos de Maria em 1906. Emitiu os votos solenes em 1909, chegou no Brasil em 1921 e por 12 anos trabalhou no Acre.

Depois de alguns anos no Rio de Janeiro, foi transferido na década de 40 para Araranguá. Em 1952 foi para o Seminário de Turvo, no qual ficou até seu falecimento em 25 de agosto de 1976, aos 92 anos de idade, sendo estimado e admirado por todos.