Geral Entrevista esclarece inquérito e confirma inocência de jovem acusado de vilipêndio de cadáver e tráfico em Araranguá

Entrevista esclarece inquérito e confirma inocência de jovem acusado de vilipêndio de cadáver e tráfico em Araranguá

16/12/2025 - 09h44

Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o advogado Dr. Cesar Teixeira Novo Nury, o perito criminalista Max Oliveira e o empresário José Carlos dos Santos esclareceram detalhes do processo que envolveu o sobrinho do empresário, acusado de vilipêndio de cadáveres e comercialização de drogas, acusações das quais foi totalmente inocentado após a conclusão das investigações.

Segundo o Dr. Cesar, o caso teve início a partir de denúncias anônimas encaminhadas à Polícia Civil. “Aconteceram três denúncias corriqueiras, que seguiam o mesmo rito, pedindo que a Polícia Civil tomasse as medidas cabíveis, visto que, segundo o denunciante, estava ocorrendo vilipêndio de cadáveres”, explicou.

As denúncias ainda alegavam que o jovem utilizaria outra fonte de renda, comercializando fotos na internet. Diante disso, foi instaurado um inquérito policial, com pedido de busca e apreensão, posteriormente analisado pelo Ministério Público.

“Dentro disso, foi feita a busca. Cabe ressaltar que entendemos que houve excesso, principalmente pelo horário, e porque o funcionário estava em um cortejo no momento. Ainda assim, o aparelho telefônico foi apreendido”, relatou o advogado.

Durante a análise do material, foram encontradas mensagens e imagens relacionadas a urnas funerárias. No entanto, conforme o Dr. Cesar, esse conteúdo estava diretamente ligado à atividade profissional exercida pelo jovem.

“Foram encontradas trocas de mensagens e fotos de urnas, o que é absolutamente normal, pois faz parte do ofício. Muitas vezes a família pede fotos para acompanhar o trabalho. As conversas eram estritamente profissionais, com funcionários do próprio ciclo da funerária. Em momento algum foi encontrado qualquer indício de comercialização de fotos ou de drogas”, afirmou.

O perito criminalista Max Oliveira trouxe à tona um ponto ainda mais grave: a origem das denúncias. “Fizemos o craqueamento cibernético, ou seja, o acesso técnico aos celulares, e constatamos que as denúncias foram arquitetadas por três pessoas. Entre elas, um policial militar e sua esposa, além de outro funcionário que ainda trabalhava com o seu Carlos”, revelou.

De acordo com Max, o material analisado é extenso. “Foram localizadas 536 mil imagens e mais de mil conversas entre eles. Inclusive, tivemos acesso a mensagens entre marido e esposa em que ele dizia para cometer o crime de difamação, acreditando que nunca seria descoberto. Após a descoberta, essa mulher acabou abandonando o emprego”, detalhou.

Diante dos fatos, o advogado confirmou que medidas judiciais já estão sendo tomadas. “A empresa já adotou todas as providências cabíveis, que correm em segredo de justiça. A índole e a imagem da Funerária Santa Terezinha serão preservadas, porque não será uma calúnia que vai manchar essa história”, afirmou o Dr. Cesar.

Visivelmente emocionado, o empresário José Carlos dos Santos relatou os danos emocionais causados à família, especialmente ao sobrinho, alvo das acusações. “Me sinto muito triste. Essas pessoas serão penalizadas judicialmente, mas o estrago emocional é incomparável. Meu sobrinho precisou ser internado, entrou em depressão e tentou suicídio. Ele perdeu 19 quilos em apenas 30 dias, está tomando remédios controlados. Ele tem apenas 30 anos e está em uma situação muito triste”, desabafou.

José Carlos também agradeceu o trabalho da Polícia Civil e destacou a trajetória da empresa.
“A família inteira ficou abalada. Gostamos das coisas claras. Sou uma pessoa idônea na cidade. Temos 74 colaboradores e não sabemos da vida pessoal de cada um fora do trabalho, mas nunca tivemos problemas. Estamos há 26 anos no mercado e nunca tivemos problema algum”, ressaltou.

Ao final da entrevista, o Dr. Cesar confirmou que novas ações judiciais serão protocoladas. “Vamos entrar com uma representação criminal por calúnia e difamação. Vamos exigir explicações de como essas pessoas tiveram acesso a determinadas imagens. Nosso intuito é que a justiça seja feita. No total, essas pessoas podem pegar até oito anos de prisão, além de responderem na esfera cível com indenizações financeiras”, concluiu.