Geral Gaúchos buscam refúgio no Extremo Sul de SC: mais de 680 pessoas já estão na região

Gaúchos buscam refúgio no Extremo Sul de SC: mais de 680 pessoas já estão na região

16/05/2024 - 11h04

Com as recentes cheias devastadoras que atingiram o Rio Grande do Sul, muitas pessoas têm buscado refúgio e esperança em Santa Catarina para reconstruir suas vidas. Em uma entrevista exclusiva à Rádio Araranguá, durante o programa O Dia em Notícia, apresentado por Alaor Alexandre, Dalva Maria Machado Leme, presidente da CDL Araranguá, compartilhou o posicionamento da entidade diante da imigração de gaúchos desabrigados que estão fixando residência no município.

“Nossa cidade é muito positiva em relação a qualidade de vida. Muitas pessoas se desesperam e buscam em outros lugares, recomeçar suas vidas. Só vamos ver o que acontecerá no decorrer do tempo. Ao todo, estamos de portas abertas. Sempre fomos muito receptivos para com nossos irmãos gaúchos”, explicou a presidente.

Dalva destacou a importância da solidariedade e das ações conjuntas para auxiliar os afetados pela tragédia. Ela anunciou uma iniciativa da CDL, em parceria com um banco, onde cada associado contribuirá com um PIX de R$ 10, e o banco dobrará a arrecadação para enviar ao Rio Grande do Sul. Ela ressaltou as perdas significativas sofridas pelos estabelecimentos comerciais gaúchos e expressou preocupação com a reconstrução do setor comercial após o fim da crise.

“Estamos desde o início realizando ações e nesse momento já estamos com uma ação a nível de estado, onde cada associado contribuirá com um pix de R$ 10 e um banco fará o pix do dobro arrecadado para enviar ao Rio Grande do Sul. Há municípios que tinham 138 estabelecimentos comerciais, desses, 98 perderam tudo. A representatividade que esses setores tem é muito grande. Quando tudo se acalmar e voltar ao normal, como ficará a parte comercial? Penso que muitos cidadãos se mudarão para outros estados para reconstruir suas vidas”, destacou Dalva.

A presidente da CDL enfatiza a importância das ações em prol do Estado Gaúcho continuarem até que o mesmo, esteja em condições de se manter. “Penso que todas as ações devem continuar em prol do Rio Grande do Sul. Essas catástrofes, não são resolvidas de um dia para o outro. Foi praticamente todos os municípios atingidos. A federação está direcionando ações em prol do empresariado, que precisarão recomeçar seus negócios”, concluiu.

Por sua vez, o deputado estadual Tiago Zilli destacou a importância de manter as ações em prol do Rio Grande do Sul e enfatizou que as consequências das catástrofes não serão resolvidas rapidamente. Ele mencionou a união de esforços da federação em apoio ao empresariado e expressou preocupação com o impacto da migração para Santa Catarina, especialmente no quesito emprego.

“Nossa preocupação além de ser com a saúde, se concentra também no quesito emprego. Essas pessoas precisam ser abrigadas, atendidas e assistidas. Em reunião com os prefeitos, juntamente com o governador, conversamos muito sobre isso. Sabemos que haverá o reflexo dessa vinda das pessoas para o Estado, em todos os aspectos. Estamos todos muitos unidos e só na Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc), temos 684 pessoas vindas do RS. Só em Balneário Arroio do Silva, mais de 50 pessoas são de lá”, destacou Tiago.

Apesar da receptividade, Zilli reconhece que o aumento populacional que essa vinda trará para o Estado, resultará em alguns congestionamentos nos serviços públicos. “Foi uma reunião muito produtiva. Sabemos que todas as áreas serão sobrecarregadas. Todos estamos preocupados com isso. Estaremos acompanhando de perto toda essa demanda. Mas se trata de uma questão de todos. Somos muito solícitos com essas pessoas”, enfatizou o deputado.

Ambos os entrevistados salientaram a receptividade e solidariedade de Santa Catarina em acolher os desabrigados, ressaltando que a preocupação vai além da saúde, abrangendo também o emprego e a qualidade de vida dessas pessoas. Eles afirmaram que estão acompanhando de perto a situação e se comprometeram a fornecer apoio contínuo para auxiliar na reconstrução das vidas dos afetados pelas cheias.