Geral Golpes com carros alugados e restrições judiciais preocupam lojistas e consumidores

Golpes com carros alugados e restrições judiciais preocupam lojistas e consumidores

23/06/2025 - 11h21

Em entrevista à Rádio Araranguá, o empresário Alexandre Brullinger, proprietário da AutoFácil Veículos, e o advogado Rafael Oliveira alertaram sobre um problema cada vez mais comum no mercado de automóveis: carros com restrição judicial que aparecem somente após a compra, gerando grandes prejuízos para lojistas e consumidores.

“Trabalho no ramo de veículos há 25 anos e essa situação é bastante complexa. Você compra um carro e, na hora de vender, descobre uma restrição judicial. Ou seja, você não consegue vender o veículo”, destacou Alexandre.

O advogado Rafael explicou que existem dois tipos de restrições. “Há as restrições visíveis no primeiro momento, como execuções e protocolos judiciais. Mas também nos deparamos com casos mais delicados, como processos em segredo de justiça, por exemplo, em divórcios, em que uma das partes vende o veículo durante o processo, mesmo ele estando com protocolo de execução”, alertou.

Além disso, os dois destacaram um golpe que tem se tornado recorrente no Brasil. “O cidadão aluga um veículo, negocia como se fosse dele, troca com o vizinho e promete transferir depois. Só que esse carro nem é dele, é alugado. O vizinho, por sua vez, repassa o veículo para um terceiro, que, só quando tenta fazer a documentação, descobre que o carro está bloqueado judicialmente. O problema é que, mesmo ganhando na justiça, o processo é demorado e pode levar anos para ser resolvido”, explicou Alexandre.

O empresário também compartilhou um caso pessoal que gerou grande prejuízo. “Eu comprava veículos de um cidadão aparentemente de bem, de Florianópolis. De repente, ele foi alvo de uma operação policial e, na época, tive 13 caminhonetes bloqueadas, cada uma avaliada em cerca de R$ 200 mil. O processo demorou um ano e meio para se resolver. Foi uma situação muito difícil”, relatou.

O advogado Rafael fez um alerta importante: “Nunca pague nada antes de ter toda a documentação em mãos. Além disso, jamais venda um veículo financiado e deixe no seu nome esperando que o comprador assuma. Legalmente, quem responde por todas as pendências, sejam judiciais ou financeiras, é quem consta no documento”, reforçou.

A recomendação é que, ao comprar um veículo, o consumidor sempre busque orientação jurídica ou consulte empresas especializadas para verificar possíveis restrições ocultas, protegendo-se de cair em golpes ou assumir prejuízos inesperados.