Mesmo com 97% de aprovação, IMAS ainda vive incerteza e futuro administrativo do Hospital Regional de Araranguá segue indefinido
O Hospital Regional de Araranguá, Deputado Affonso Ghizzo, sob a administração do Instituto Maria Schmitt (IMAS), deu um salto na qualidade e é reconhecido pelo alto índice de satisfação por parte dos pacientes. Balanços divulgados no final de 2025 e início de 2026 apontaram mais de 97% de aprovação nas pesquisas de satisfação com os atendimentos prestados.
Mesmo assim, a incerteza ainda paira sobre a unidade. O IMAS tem mais dois anos e meio de contrato, aproximadamente, para administrar o HRA, mas isso pode mudar em pouco tempo. O governo do Estado vem alterando a forma dos contratos, necessitando abrir novas licitação, para escolher as OSs (organizações sociais) que irão gerir as unidades de saúde estatais de Santa Catarina. Um processo licitatório chegou a ser aberto para o Hospital Regional de Araranguá, mas foi cancelado e não se falou mais a esse respeito.
Em entrevista a rádio Araranguá, no programa Dia a Dia, desta quarta-feira, 11, apresentado por Saulo Machado, o diretor técnico do Instituto Maria Schmitt, dr Robson Schmitt Machado, falou sobre esse momento de incerteza.
“Estamos em um processo de uma situação tão grande do IMAS em relação a isso, com uma série de novos serviços sendo abertos, de ganhos para a população em nível de Estado e acabamos não nos atendo mais a isso (possibilidade de nova licitação). O que a gente sabe é que recentemente abriu o edital do materno infantil de Criciúma, o edital do Regional (de Araranguá) foi revogado, aquele que participamos apenas nós e o IDEAS e a gente têm expectativa que tenha algum aceno relacionado a isso, mas nesse momento não podemos precisar nada, pois não temos nenhuma posição do governo do Estado e nem provocação nossa a esse respeito”.
Mesmo não sabendo o dia de amanhã, os investimentos na unidade continuam, mas um planejamento estratégico mais elaborado se torna inviável.
“Na verdade, não deveria, mas como somos daqui, temos feito algumas reformas sim, para dar conforto aos pacientes. Colocamos ares-condicionados e tivemos um verão muito menos sofrível. Lembro quando eu cheguei no Hospital Regional de Araranguá no final de 2018. Os quartos não tinham ar-condicionado, a rede elétrica se ligasse mais de três ventiladores caia, então a gente continua dando o conforto e o capricho de uma casa limpa e arrumada. Mas realmente, o planejamento estratégico para crescer, fica muito prejudicado, pois a gente não sabe o que vai acontecer. Hoje teoricamente temos mais 2 anos e meio de contrato, mas o modelo de contrato da secretaria de Estado da Saúde vem mudando e o nosso ainda é antigo, então nada impede que a secretaria publique, daqui a pouco, um edital para alguém gerir o hospital, mas claro, nada impede também que possamos ganhar esse edital de licitação e continuar administrando o HRA. Mas nesse momento, um planejamento a médio e longo prazo é difícil de ser feito”.
Uma das grandes batalhas do IMAS é o Unacon (Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia). A unidade já está saindo do papel, mas por enquanto será vinculada ao Hospital Dom Joaquim.
“Hoje não temos muita estrutura para crescer dentro do Hospital Regional (Araranguá) e querendo ou não estamos vivendo um momento onde, provavelmente daqui a pouco deve ter algum edital, enfim, não sabemos quais serão os próximos passos em relação a estrutura do HRA. O que eu sei, com relação a oncologia, é que a gente vem fazendo um trabalho em paralelo, através daquela unidade já em obras no bairro Santa Catarina e devemos inaugurar essa unidade até o final do ano, com uma estrutura vinculada ao Hospital Dom Joaquim (Sombrio e hospital próprio do Instituto Maria Schmitt), para a gente trazer o Unacon (Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia) para a região, se for possível e de interesse do Estado, se não for, iremos fazer apenas privado”.
Por fim, dr Robson explicou a diferença entre investir no Hospital Dom Joaquim e no HRA.
“O Dom Joaquim é um hospital do Instituto Maria Schmitt, mas o Regional de Araranguá é do Estado. Por ser do governo do Estado, não tem como nós pegarmos recursos próprios e investirmos. Até porque tem uma série do obrigações contratuais e temos direito (com administradores) de 1 a 3% do recurso mensal para investimento. Se a gente for destinar isso para fazer uma obra gigante o custo seria muito maior. Por isso, precisamos entender quais são os planos do governo do Estado. Nós estamos fazendo um trabalhado aqui em Araranguá valorizando a região da Amesc e a cidade. Na nossa gestão, trouxemos alta complexidade em bariátrica, alta complexidade em cardiologia, alta complexidade em ortopedia e traumatologia e agora estamos muito próximos de trazer a neuro. A região merece, precisa, é a nossa contribuição, só que algumas coisas fogem um pouquinho da nossa alçada e acabamos não tendo autonomia. Por exemplo: acabando o nosso contrato pode haver um edital sendo aberto e nós não necessariamente nos sagrando vencedores”.







