Segurança Não caia nessa besteira: cigarro eletrônico, um vício mortal, que está se popularizando entre os jovens de Araranguá

Não caia nessa besteira: cigarro eletrônico, um vício mortal, que está se popularizando entre os jovens de Araranguá

13/11/2024 - 10h02

Em Araranguá o uso de dispositivos como os cigarros eletrônicos, está se tornando uma questão de saúde pública, especialmente entre adolescentes. A crescente apreensão desses dispositivos em ambientes escolares motivou uma ação coordenada pela delegada titular da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) de Araranguá, Eliane Chaves. A decisão foi impulsionada pelo aumento de ocorrências envolvendo menores flagrados com esses dispositivos nas escolas.

A popularidade dos DEFs (Dispositivos Eletrônicos para Fumar) entre jovens contrasta com a legislação rigorosa vigente no Brasil desde 2009, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a fabricação, comercialização e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar. Em 2024, a Anvisa reforçou as restrições por meio de uma nova resolução que, além de proibir a venda e o uso desses produtos em locais fechados, públicos e privados, visa coibir a prática crescente e seu impacto na saúde pública.

O perigo dos cigarros eletrônicos para adolescentes

Embora muitos DEFs sejam vendidos como alternativas “menos maléficas” do que cigarro convencional, estudos médicos indicam que esses dispositivos podem causar danos significativos à saúde dos jovens. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), além da nicotina, esses dispositivos contêm substâncias tóxicas que prejudicam não apenas os usuários, mas também pessoas próximas expostas aos aerossóis emitidos. Mesmo alguns produtos que alegam não conter nicotina podem apresentar uma substância em sua composição, contribuindo para a dependência precoce entre os jovens e impactando qualidades no desenvolvimento cerebral, no aprendizado e na saúde mental.

De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso de DEFs vem aumentando entre os jovens, bem como, as chances de migrarem para o cigarro tradicional. Dados da última Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) revelam que, em 2019, 16,8% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos já experimentaram o cigarro eletrônico, com maior prevalência entre os meninos (18,1%) do que entre as meninas (14,6%). Esse uso crescente preocupa especialistas, uma vez que as DEFs estavam associadas a doenças cardíacas e respiratórias, além de distúrbios pulmonares, sendo ainda mais específicas para o sistema nervoso no desenvolvimento de adolescentes.

Estudo compara efeitos do cigarro eletrônico com os do convencional |  Metrópoles

A OMS alerta para os seguintes efeitos dos cigarros eletrônicos na saúde:

Aumento do risco de doenças cardíacas;

Aumento da probabilidade de desenvolver doenças pulmonares;

Exposição de não-fumantes à nicotina e a outras substâncias nocivas;

Possibilidade de exposição a lesões físicas, como queimaduras;

Exposição acidental de crianças a líquidos venenosos;

Dia mundial sem tabaco 2024: proteger as crianças da indústria do tabaco

Visando fortalecer a ideia contra o uso de DEFs, especialmente entre os mais jovens, o Ministério da Saúde lançou a campanha de 2024 para o Dia Mundial Sem Tabaco, com o tema “Proteção das crianças contra a interferência da indústria do tabaco”. O diretor-geral do INCA, Roberto Gil, enfatizou a importância de conscientizar sobre os perigos do tabaco: “Ao educar e fortalecer nossas crianças contra o tabagismo, estamos investindo na saúde do futuro. Focar nas crianças é crucial, pois elas são especialmente vulneráveis e representam o futuro”.

Vigilância Sanitária de Vitória da Conquista inicia campanha de combate ao  tabaco - Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista - PMVC

A campanha se baseia em uma linguagem acessível e próxima do público jovem para promover mudanças de comportamento e alertar sobre as estratégias da indústria do tabaco para atrair crianças e adolescentes. Durante o lançamento da campanha, um estudo foi apresentado, destacando o impacto econômico e de saúde que o tabagismo causa no país.

Ações de controle e prevenção do tabagismo

O Ministério da Saúde, em parceria com o INCA, tem trabalhado no fortalecimento das políticas de controle do tabagismo por meio do Programa Nacional de Controle do Tabaco, no Sistema Único de Saúde (SUS). O programa oferece apoio ao tratamento da dependência, incentivo a ambientes livres de tabaco e promove campanhas educativas em escolas, centros comunitários e unidades de saúde. Esse trabalho tem sido essencial para reduzir o consumo de tabaco e as mortes relacionadas a ele no Brasil.

Dia Nacional de Combate ao Fumo: como parar o tabagismo | CPAPS

Por meio do Programa Saúde na Escola (PSE), o Ministério da Saúde e a rede pública de ensino promovem atividades que integram saúde e educação, buscando prevenir o uso de produtos derivados do tabaco e combater a dependência da nicotina. O secretário de Atenção Especializada à Saúde, Adriano Massuda, reforçou a importância de tais medidas para evitar o crescimento da população jovem tabagista: “O Brasil fez importantes avanços na redução da população tabagista, mas vemos uma alta entre os mais jovens, o que nos leva a promoção de ações preventivas”.

Aumento alarmante

Embora o percentual de pessoas que fazem uso diário de DEFs no Brasil seja menor do que em países onde sua venda é permitida, o aumento entre adolescentes é alarmante. Além da dependência precoce, o uso de DEFs aumenta o risco de doenças graves, como problemas cardíacos e pulmonares, e, em mulheres grávidas, pode afetar o desenvolvimento cerebral do feto.

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Ao reforçar as políticas de combate e prevenção ao tabagismo, o Brasil visa proteger seus jovens dos efeitos devastadores do tabaco, em todas as suas formas, para que as futuras gerações tenham mais qualidade de vida e saúde. A atuação das autoridades é um passo importante na construção de um país onde crianças e adolescentes crescem livres da pressão da indústria do tabaco e dos riscos à saúde que o tabagismo representa.