Geral Nessa longa estrada da vida, ele se fez vencedor

Nessa longa estrada da vida, ele se fez vencedor

23/11/2023 - 12h04

Sabe aquela expressão: “Se tivéssemos mais 10 iguais a ele, esta cidade seria muito melhor”? Pois é, ela se aplica aos homens que no período em que estão aqui neste plano terreno, realmente fazem a diferença e se tornam expoentes não só em seu segmento de atuação, como também ultrapassam essa barreira e emprestam seu talento, visão, poder de mobilização para outros setores.

Pertence a este time, o empresário Alveri Aguiar de Sá foi nosso convidado de ontem, quarta-feira, 22, do programa 95.5 Entrevista. Desde muito cedo já trabalhava com caminhão. O ano era 1954, rodovias não existiam na região e ele já desbrava tudo isso guiando um bruto, transportando cargas para os quatro cantos.

Sempre trabalhou com caminhão. Os primeiros dez anos foram muito difíceis. Atuou com transportes pelo Brasil a fora, sem estrada realmente. O caminho do Arroio do Silva, por exemplo, tinha que passar pela praia, não havia outra estrada.

“Daqui para Florianópolis, era um dia de viagem, pois já tinha balsa desde aqui de Araranguá. Para Porto Alegre, o caminho era pela Rua Coronel Apolinário de Souza, chegava no Arroio do Silva e depois era costeando o mar até a capital do Rio Grande do Sul”, relembra.

De geração para geração

O pai também foi caminhoneiro, por isso, Alveri praticamente nasceu dentro de um caminhão. Quando era guri de treze, catorze anos, já era motorista de praça em Araranguá.

“É uma paixão, é um vício. Igual a cachaça. Dizem que o cachaceiro não deixa por nada do mundo. Assim é a minha paixão pelos carros. Você anda por aí viajando, encontra uma Ferrari você não se interessa. Mas se acha um carro abandonado, quer saber porque ele está lá. O nosso negócio é ferro velho. Aqui no Sul, do Chile para cá, eu e alguns amigos conhecemos todos os lugares que têm carros antigos. Às vezes nem é para comprar ou refazer, mas é para orientar, tentar ajudar, tentar salvar. Aqui no museu tenho um acervo de peças, que é para trocar com amigos”, conta ele sobre sua paixão que originou o Museu Relicar, no Bairro Mato Alto.

De sua família, ele recorda que eram em sete irmãos, sendo duas mulheres e cinco homens. Na vida, as maiores perdas também foram no ambiente familiar, sendo o momento mais difíceis a perda dos dois filhos. “Esse foi um período difícil. É uma coisa que você nunca esquece, parece que foi ontem. Um morreu em 1973 e o outro em 1980. Isso foi a maior dificuldade, na verdade é um pedaço da gente que caiu”, conta Alveri.

Depois, ele ergueu a cabeça e, em 1965, começou com o posto Irmão da Estrada, que logo depois se tornaria uma rede de postos de combustíveis.

Em 1969, Alveri ajudou a fundar a CDL. “Na década de 1980 era difícil. Fui presidente por dois mandatos consecutivos e naquela época criamos o mandato de dois anos, antes disso era um ano só”, fala. O primeiro telefone da CDL foi uma doação do seu Alverí. A CDL não tinha condições de pagar e ele emprestou um. Quando foi implantado o primeiro telefone com 100 canais o seu Alveri que implantou, já na sede onde a CDL encontra-se atualmente. Tiveram bastante dificuldades, tiveram que dividir até mesa com outras entidades.

A criação do Corpo de Bombeiro foi uma conquista da CDL. Na época fizeram rifa, conversaram com o comandante, para a vinda da corporação. A prefeitura entrou com o terreno e a construção foi a CDL que implantou.

Em 2003, depois de vencer as eleições do ano anterior, o já falecido ex-governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, seguindo o seu Plano 15, instalou 29 Secretarias de Desenvolvimento Regional, modelo trazido da Alemanha. Para o Extremo Sul, seu convidado foi Alveri Aguiar de Sá, para quem deu carta branca para montar toda estrutura necessária.

“Embora eu ainda queira fazer muita coisa na vida, pois sei que posso contribuir com a cidade e a região, posso dizer que sou um homem realizado”, pontua.

Confira a entrevista completa: