Safra 2023: pescadores artesanais do Extremo Sul esperam capturar 200 toneladas de tainha
Foi dado início à Safra da Tainha nesse mês de maio. Segundo a Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), as condições para a prática iniciaram favoráveis neste período do ano. O vento sul atuando, irá provocar a saída dos cardumes dos estuários do Prata (MG) e Lagoa dos Patos (RS), o que possibilita os primeiros lanços de tainha neste início de Safra.
A pesca da tainha não é só uma tradição em Santa Catarina, a prática garante o sustento de muitas famílias. Além disso, também é uma fonte que abastece toda a cadeia produtiva, envolvendo turismo, gastronomia, transportes, exportação e pesquisa. Seja de forma artesanal ou industrial, a prática é capaz de mobilizar uma grande rede de pessoas, serviços e comércio.
Na região do Extremo Sul do Estado não é diferente. Segundo o presidente da Colônia de Pescadores Z-24, de Balneário Arroio do Silva, Paulo Souza, a Safra da tainha é um dos momentos mais aguardados por todos os pescadores da região. Tendo em vista que muitos dependem da prática para seu próprio sustento. De acordo com dados passados, na região do Extremo Sul, que vai de Balneário Arroio do Silva a Passo de Torres, foram capturadas aproximadamente 40 toneladas. O presidente ainda afirmou que a expectativa para a safra 2023 é chegar à 200 toneladas.
Em entrevista ao Portal da Rádio Araranguá, Paulo Souza, falou sobre a expectativa da prática. “A cada ano que passa ficamos na esperança, onde investimos mais em equipamentos para que tenhamos uma boa safra. Nesse início, a captura está em baixa. No final de semana, quatro embarcações soltaram cinco mil metros de rede, mas não capturamos o suficiente”, ressaltou Paulo.
Safras passadas e dificuldades
“No ano passado tivemos uma boa Safra, onde alcançamos a captura de algumas toneladas. Essa prática ajuda inúmeras famílias, que sobrevivem da pesca. A cada ano que passa, as dificuldades são maiores. Começando pelos equipamentos de rede, o que se torna muito caro. Além disso, as leis não cooperam, tivemos sorte de que com muita luta, a pesca de arrastro se prolongasse em cinco anos, o que faz com que não precisássemos estar a cada ano tirando a licença. A cada ano que passa perdemos 30% de pescadores”, explicou o presidente.
Seguro defeso
De acordo com Paulo, muitas famílias saem do Arroio e vão ao Rio Grande do Sul em busca da pesca. “São mais de 20 famílias que saem do Arroio para o Rio Grande do Sul para pescar. Só em nossa região, são mais de 271 pescadores com carteiras ativas pendentes do seguro defeso. Acredito que em alguns anos, vai chegar um ponto em que os pescadores vão desistir”, finalizou Paulo.











