Agronegócio Safrinha: milho enfrenta encurtamento de espigas e problemas com os grãos em muitas regiões

Safrinha: milho enfrenta encurtamento de espigas e problemas com os grãos em muitas regiões

28/06/2024 - 07h47

As condições climáticas desfavoráveis estão prejudicando a segunda safra de milho em diversas regiões do Brasil. A combinação de pouca chuva e altas temperaturas está levando a perdas significativas na produtividade, com espigas encurtadas e grãos falhados sendo observados em estados como Paraná e Mato Grosso do Sul.

Impacto Climático no Desenvolvimento do Milho

O engenheiro agrônomo e gerente da área técnica da KWS Sementes, Wagner Gusmão, explica que a estiagem e as temperaturas elevadas afetaram o desenvolvimento das plantas em várias etapas do crescimento. “Houve um estresse na fase vegetativa do milho (V6 e V7), onde ocorre a definição do número de fileiras da espiga. Outro momento crítico foi na fase V12, quando se define o tamanho da espiga”, detalha Gusmão.

Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo também apontam o impacto do clima adverso. “No Paraná, o plantio foi mais tardio e toda a espiga foi afetada. A polinização ocorreu normalmente no início da fase de desenvolvimento da espiga, mas depois veio o impacto climático”, explicam.

Outros Fatores Contribuintes

Além das condições climáticas, outros fatores podem ter contribuído para os problemas nas espigas de milho. O ataque de pragas, como o pulgão, que teve uma infestação maior devido ao clima quente, é um desses fatores. “O pulgão é responsável pela transmissão do vírus do mosaico comum, e quando o monitoramento e manejo não são adequados, o problema só é identificado tardiamente, na fase reprodutiva”, ressalta Gusmão.

Hipótese de Adjuvantes Descartada

A hipótese de que o uso de adjuvantes nas lavouras poderia estar causando os problemas nas espigas de milho foi levantada nos Estados Unidos em 2007. Estudos sugeriram que surfactantes não iônicos poderiam gerar etileno dentro da espiga, afetando os grãos. No entanto, Marcelo Hilário, responsável químico da Sell Agro, descarta essa possibilidade. “Para que o surfactante não iônico gerasse etileno na espiga, seriam necessárias condições de altíssimas pressões e temperaturas, algo impossível de ocorrer na prática”, explica Hilário.

Hilário enfatiza que, sendo quimicamente inviável, cabe aos pesquisadores buscar explicações agronômicas para o que está acontecendo com as espigas. Enquanto isso, os agricultores devem continuar monitorando suas lavouras de perto e adotando medidas de manejo adequadas para minimizar os impactos dessas adversidades.