Política Secretária de Educação de Araranguá denuncia tentativa de boicote ao IDEB por parte de servidores da rede municipal

Secretária de Educação de Araranguá denuncia tentativa de boicote ao IDEB por parte de servidores da rede municipal

15/12/2025 - 09h11

Em entrevista ao comunicador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, a secretária municipal de Educação, Mariluce Rodrigues, falou abertamente sobre um grave episódio envolvendo profissionais da rede municipal de ensino. Segundo ela, dois ou mais servidores teriam coagido alunos a irem mal propositalmente na prova do IDEB, que mede o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, com o objetivo de prejudicar os resultados do município e, consequentemente, atingir a gestão da secretaria de Educação.

“Notícia não muito boa, um verdadeiro desprestígio. Visto que afeta nossa classe. Assim que tivemos essa informação, há pouco mais de 45 dias, passamos a investigar e conversar com os envolvidos. Essa ação prejudica não só a secretária de Educação que sou eu, mas a cidade em si. O IDEB é algo muito importante que precisa ser evoluído. Estamos apurando tudo”, afirmou Mariluce.

De acordo com a secretária, a denúncia chegou inicialmente por meio de um professor, que relatou o caso à direção da escola. A informação foi repassada à secretaria e acompanhada de provas, como mensagens e prints de conversas.

“Havia prints dessas conversas. A princípio se tratava de uma professora, que disse que havia sido clonada. Mas, conforme fomos averiguando e chegamos ao nosso jurídico, acreditamos que não passe de quatro profissionais envolvidos”, explicou.

Mariluce destacou que o episódio causa tristeza justamente pelo momento positivo vivido pela educação municipal. Ela ressaltou que os avanços nos indicadores educacionais são resultado de um trabalho intenso desenvolvido ao longo do ano.

“Ficamos tristes, porque nosso plano de educação deste ano foi muito bom. Não podemos colocar em questão toda a classe por causa de algumas pessoas. Elas não podem manchar o trabalho que vem sendo realizado”, disse.

Segundo a secretária, os resultados comprovam a evolução da rede municipal. “Fizemos muitos simulados do IDEB. Nossos quintos anos saltaram de 4,4 para 7,9. Tivemos escolas integrais que chegaram a 8,6. Ou seja, um grande avanço. Temos certeza de que todo o trabalho tem dado certo”.

Ela também relatou situações atípicas ocorridas durante a aplicação das provas. “Teve caso de provas sendo entregues em branco, com alunos alegando cansaço. O diretor mandou refazer todas as provas. Na época, não sabíamos o motivo, mas depois entendemos”, contou.

Durante a entrevista, Mariluce foi enfática ao afirmar que o problema não representa a totalidade da rede. “É pesado, é lamentável. Uma equipe que se dedica muito, trabalha muito. Está aí o resultado de uma secretaria inteira que se dispõe a fazer esse trabalho junto com o prefeito, que nos cobra e nos alinha. E, de alguma forma, está certo quando exige resultados”.

A secretária também comentou sobre resistências internas enfrentadas desde que assumiu a pasta. Segundo ela, ao chegar à secretaria encontrou uma estrutura desorganizada e sem acompanhamento pedagógico efetivo.

“Peguei uma secretaria sem comando nenhum, onde um grupo de professores ficou muito tempo sozinho, fazendo do seu jeito, sem cobrança. Mudanças foram necessárias, e isso gerou resistência no início. Mas hoje temos uma rede organizada, segura e que dá resultados”, afirmou.

Motivação política

Questionada se o episódio teria motivação política, Mariluce descartou essa hipótese. “Não vejo isso como política. Já passou pela minha cabeça, mas penso que é algo muito mais individual, de querer regalias ou de não concordar com o processo. Criticar é legítimo, mas não se pode fazer o que foi feito”.

Ela ainda alertou para o impacto direto que esse tipo de ação pode gerar nos recursos do município. “Desde 2023, os recursos federais estão cada vez mais atrelados aos resultados. Hoje não é só o IDEB, mas também outros indicadores. Chega de fazer de conta que ensina. O IDEB é legítimo e não dá para desconstruir uma história construída ao longo de muitos anos”.

Podem perder o emprego

Sobre as consequências, a secretária confirmou que os envolvidos são servidores concursados e que podem, sim, perder o cargo. “Podem ser exonerados. Já temos, nos próximos dias, as primeiras reuniões da comissão que vai ouvir esses funcionários”.

Mariluce também afirmou que o caso pode extrapolar a esfera administrativa. “Quando se fala em recursos financeiros altos que afetam diretamente o município, acredito que cabe, sim, o envolvimento da procuradoria. Mas isso será avaliado pela comissão”.

Ao final da entrevista, a secretária agradeceu o apoio recebido e reforçou seu compromisso com a educação pública. “Estamos sempre à disposição. A rede trabalha muito para desenvolver algo sempre melhor, pensando no nosso aluno”.