Geral Solidariedade e desespero: relatos impactantes da tragédia no Rio Grande do Sul

Solidariedade e desespero: relatos impactantes da tragédia no Rio Grande do Sul

06/05/2024 - 11h22

Entrevistados na Rádio Araranguá compartilham experiências angustiantes de resgate e sobrevivência em meio às inundações.

Em uma entrevista concedida à Rádio Araranguá, no programa Dia a Dia, apresentado por Saulo Machado, dois personagens envolvidos diretamente nas consequências devastadoras das enchentes no Rio Grande do Sul compartilharam relatos assombrosos sobre a situação no estado vizinho.

Eliezer Pereira Machado, voluntário que se dedica à retirada de famílias em Canoas, RS, descreveu um cenário de desespero e caos. “Nunca vi algo parecido. Andávamos no meio da cidade e as embarcações navegavam onde eram as ruas. Ouvíamos gritos de pessoas desesperadas, algo aterrorizante. Pegava as pessoas e até levá-las a um local seguro levava cerca de 40 minutos. Chegou uma hora em que eram muitas embarcações. Está tudo inundado, a água era muita, a ponto de submergir um caminhão caçamba”, relatou Eliezer.

Jeferson Silveira, motorista de caminhão de Araranguá, compartilhou sua angustiante experiência ao ficar ilhado na região de Encantado, RS. “Saímos na terça-feira da semana passada em comboio sentido Guaporé, RS. A polícia já estava na pista e pediu para retornarmos, porém não conseguíamos voltar mais, porque o caminhão estava carregado e desabaram os morros atrás e na frente, impossibilitando de sair. Era muita chuva, parecia ser jogada com balde. Além disso, era de noite, não tinha o que fazermos. Estávamos em uma área de risco, onde os Bombeiros nos resgataram. Do caminhão até onde havia o local seguro eram quase dois quilômetros. Ficamos ilhados, onde consegui recuperar os caminhões na sexta-feira”, detalhou Jeferson.

Jeferson também compartilhou as dificuldades enfrentadas na cidade de Encantado, RS, após a inundação. “A ajuda começou a aparecer somente no sábado, onde começou a chegar comida, higiene. Outro ponto foi a roubalheira, criminalidade, vândalos passaram a roubar as lojas e supermercados. Vivenciamos cenas de terror. Onde eu estava, vimos de tudo boiando no rio, desde corpos até móveis de casa”, disse ele.

Apesar das adversidades, Jeferson enfatizou que está em um local seguro, mas incapaz de sair devido à proibição de deslocamento para caminhões. “Estou em um local seguro, comendo de forma fracionada, porque a comida está em falta. Não conseguimos sair porque está proibido a saída de caminhão do Estado”, informou Jeferson Silveira.