Geral Subtenente Beling Corrêa, o araranguaense que viu de perto a fome e o sofrimento nas missões humanitárias no Haiti, Venezuela e Angola

Subtenente Beling Corrêa, o araranguaense que viu de perto a fome e o sofrimento nas missões humanitárias no Haiti, Venezuela e Angola

07/06/2024 - 08h47

No programa 95.5 Entrevista da Rádio Araranguá, apresentado por Gregório Silveira, o subtenente veterano da reserva do Exército Brasileiro, Francisco Roberto Beling Corrêa, compartilhou detalhes de sua trajetória militar e experiências de vida.

Nascido em Araranguá e com 52 anos, Francisco é filho de Ademir e Maria Marlene. Sua jornada no Exército Brasileiro começou em 1990, quando ingressou como recruta. No ano seguinte, ele passou no Concurso Público da Escola de Sargento, formando-se terceiro Sargento de Carreira da Arma de Comunicações.

“Tenho ótimas lembranças da minha infância em Araranguá, local que até meus 18 anos residi. A cidade evolui muito, nem parece a mesma. Desde pequeno a carreira militar já me brilhava os olhos. Sempre quis ser militar e foi nisso que me dediquei. Completando a idade, fui para Florianópolis servir o país”, destacou.

Ao longo de sua carreira, Francisco serviu em diversas unidades militares pelo país e no exterior, destacando-se por sua dedicação e competência. Ele atuou no 63º Batalhão de Infantaria e no Hospital Militar da guarnição em Florianópolis, no 3º Batalhão de Comunicações em Porto Alegre, na 3ª Companhia de Engenharia de Combate em Dom Pedrito, no Quartel General da 5ª Região Militar em Curitiba, na 1ª Companhia de Guerra Eletrônica em Brasília, no 1º Batalhão de Comunicações no Rio de Janeiro, no 19º Batalhão de Infantaria de Força de Paz em São Leopoldo, no 3º Batalhão Logístico em Bagé, no 9º Grupo de Artilharia no Mato Grosso do Sul, no 41º Centro de Telemática em Belém, no 10º Grupo de Artilharia de Selva em Boa Vista, e na 14ª Companhia de Comunicações em Dourados.

“Aprendi a gostar de todos os Estados que passei. Tenho um carinho muito grande pelo Rio Grande do Sul. Gostei muito do chimarrão e tomo até hoje. Já na região do Mato Grosso do Sul, foi um local bem complicado que passei. Parece um faroeste, a quantidade de adeptos ao tráfico é muito grande”, ressaltou.

A carreira do subtenente é marcada por várias medalhas e condecorações, incluindo a prestigiosa medalha das Nações Unidas. Ele participou de importantes missões de paz e humanitárias, como a Força de Paz da ONU em Angola em 1997, a Missão de Força de Paz no Haiti em 2004 e a Missão Logística Humanitária na Venezuela em 2018.

“Em missão na Angola, o principal problema eram as minas. Existia um conflito entre grupos dentro da cidade. Na missão, nosso objetivo era desativar minas. Via muitas pessoas sem perna. No Haiti, a fome era enorme e como se tratava de uma ilha, existe pouca água potável disponível. Era comum ver nas ruas, as pessoas fazendo bolinho de terra para vender e outras pessoas comerem. Na época, o país estava enfrentando uma guerra civil e com isso, havia muitos corpos em decomposição. Mediante a isso, as pessoas engordavam os porcos com a carne humana, para depois matar os porcos para comerem. Na Venezuela, aconteceu uma vinda muito grande de venezuelanos para o Brasil. Muitos vinham do jeito que estavam, sem nenhumas condições. Nossa missão era recepcionar essas pessoas. Ajudávamos com barracas, alimentos, higiene e encaminhamento para o mercado de trabalho”, relembrou.

Confira a entrevista completa na íntegra: