Geral Turfa Fértil Agro S/A se compromete a ajudar na preservação da Lagoa do Caverá

Turfa Fértil Agro S/A se compromete a ajudar na preservação da Lagoa do Caverá

17/06/2024 - 10h40

A Lagoa do Caverá, um dos importantes corpos d’água da região, vem sofrendo com o assoreamento ao longo dos anos, causando preocupações nos moradores locais. Muitos acreditam que a empresa Turfa Fértil Agro S/A, que opera nas proximidades da lagoa, seja a principal responsável pelo problema.

Em entrevista ao programa Dia a Dia da Rádio Araranguá, apresentado por Saulo Machado, o diretor da empresa, Everaldo Luiz Passini, e o advogado Aldir Sonaglio, defenderam as práticas da Turfa Fértil e apresentaram argumentos para provar que não são os culpados pelo assoreamento.

Everaldo Passini explicou que a empresa iniciou suas operações em 1987, extraindo turfa para gerar energia. “A turfa é um acúmulo de material vegetal que se forma em locais alagados. Para extraí-la, é necessário drenar a água, senão a área volta a se transformar em uma lagoa”, disse. Com a introdução do gás em 1994, a empresa reduziu a extração de turfa, utilizando apenas parte de sua jazida de 728 hectares.

Passini destacou que a empresa possui um sistema de drenagem eficiente. “Temos valas de drenagem que canalizam a água para bacias de decantação. Utilizamos apenas quatro das dez bacias disponíveis, pois não estamos explorando toda a jazida. Toda a água é bombeada para o Rio Sangrador, que por sua vez deságua na Lagoa do Caverá”, explicou.

O diretor enfatizou que a água decantada nas bacias é cuidadosamente tratada para evitar a contaminação do rio. “Realizamos estudos com o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMAS) e nossas análises trimestrais mostram que a quantidade de turfa na água é insignificante. A legislação permite que passe em torno de 1 ml por litro de água por hora. Nossas últimas análises apontam que passa menos de 0.1 miligrama, sendo uma quantidade muito baixa que vai para o rio. Além disso, usamos telas nos canos para impedir que material seja despejado no rio”.

O advogado Aldir Sonaglio complementou, ressaltando que a empresa utiliza o material decantado em sua linha de produção, tornando inviável economicamente o despejo de resíduos no rio. “Para nós, é mais vantajoso reter o material do que descartá-lo. Além disso, temos laudos que mostram que o assoreamento é causado principalmente por resíduos sólidos de esgoto dos valos de Araranguá. De maneira alguma interessa para nós, jogar algum material no rio. Quanto mais material for jogado no rio, mais perdemos dinheiro e vasão de água” disse.

Sonaglio e Passini argumentaram que a solução para o assoreamento da Lagoa do Caverá passa pela limpeza dos resíduos acumulados no fundo da lagoa. “O Ministério Público constatou que estamos em conformidade com as regulamentações ambientais. A questão dos resíduos dos valos é que precisa ser resolvida”, afirmou o advogado.

Ambos defenderam a necessidade de um esforço coordenado entre os municípios afetados, incluindo Balneário Arroio do Silva, Araranguá, Sombrio e Gaivota, para limpar e desassorear a lagoa e o Rio Sangrador. “A prefeitura de Araranguá já se mostrou disposta a ajudar, mas é essencial que essa iniciativa parta do setor público e não apenas de uma empresa privada”, concluiu Passini.