Um dado alarmante: região de Araranguá tem cerca de 9 mil criadouros ilegais de pássaros
Em entrevista à Rádio Araranguá, o policial Militar Ambiental, sargento Cristiano Teixeira, alertou para o grande número de irregularidades envolvendo a criação de pássaros silvestres em cativeiro na região de Araranguá. Segundo ele, enquanto cerca de 3 mil criadouros estão regularizados, outros 9 mil operam de forma ilegal, colocando em risco a fauna nativa.
“Nossa região tem essa cultura de ter pássaros em cativeiros. As pessoas acham que podem ir até a natureza, pegar o animal e passar a criá-lo. Um dos exemplos mais emblemáticos é o Cardeal, que chegou a desaparecer da fauna local, mas vem sendo reintroduzido através de ações de preservação”, destacou.
Regularização e categorias de criadores
O sargento explicou que existem duas categorias de criadores: os amadores e os profissionais. Os amadores podem manter até 100 pássaros e gerar até 35 filhotes por ano, mas não têm autorização para vender os animais, apenas doá-los para outros criadores registrados. Já os criadores profissionais têm permissão para comercialização e não possuem limite de plantel.
“Muito difícil ouvirmos que alguém doou algum animal, mas, na verdade, vendeu. Para que um Trinca-Ferro chegue a um torneio de canto, outros 100 trinca-ferros tiveram que ser retirados de seu habitat natural”, afirmou, citando o impacto na fauna.
Segundo ele, só na região da Amesc, há cerca de 5 mil trinca-ferros mantidos ilegalmente. “São números que preocupam e que impactam diretamente a biodiversidade da nossa fauna nativa”, completou.

Fraudes e maus-tratos
A fiscalização também tem enfrentado fraudes nas anilhas, que são os identificadores colocados nas aves para comprovar sua origem legal. Há casos em que anilhas de animais mortos são reutilizadas, ou mesmo anilhas são forçadas em animais mais velhos, causando mutilações.
“Para se colocar uma anilha corretamente, ela deve ser inserida de três a cinco dias após o nascimento. Passando disso, o procedimento não é mais possível sem causar danos. Muitos quebram dedos do animal para colocar a anilha, o que é uma violação grave da legislação”, alertou Teixeira.
Multas e espécies proibidas
As penalidades variam conforme a gravidade da infração: R$ 500 por animal irregular e R$ 5 mil por animal em extinção. “Se tiver 10 pássaros em casa e apenas um for ilegal, todos respondem como irregulares. A multa é aplicada a todos. Na região Sul do Estado, espécies como o Curió e o Bico-de-pimenta são proibidas em cativeiro, a menos que venham de doação de criadores amadores legalizados. Todas as aves da fauna nativa só podem ser mantidas sob autorização do Ibama”, explicou.
Tráfico de animais e denúncia
O sargento finalizou com um alerta: o tráfico de animais é o terceiro maior comércio ilegal do mundo. “Precisamos insistir na mudança de comportamento da população. Manter animal em casa exige responsabilidade e legalidade. Denúncias podem ser feitas diretamente para a Polícia Militar Ambiental pelo telefone (48) 3431-7485”, concluiu.









