Esportes Valdomiro: craque que nasceu em Criciúma e conquistou o Brasil, conta sua história em entrevista na Rádio Araranguá

Valdomiro: craque que nasceu em Criciúma e conquistou o Brasil, conta sua história em entrevista na Rádio Araranguá

21/03/2023 - 16h35

O atleta que mais vezes vestiu a camisa colorada, somando 803 partidas pelo Inter, Valdomiro Vaz Franco entrou para a história alvirrubra. Com seus gols, assistências e títulos, o camisa 7 do Tri brasileiro construiu sua vencedora carreira. De origem humilde, encarou com cabeça erguida muitos altos e baixos, teve de mostrar muito suor para chegar ao topo e chegando, não esqueceu de suas raízes.

Nascido em Criciúma, o ponta-direita chegou ao Inter em 1968, após boa passagem pelo Comerciário, time de seu município. Inicialmente muito contestado, a ponto de ouvir vaias em seu aquecimento, Valdomiro percebeu que não existia melhor resposta à desconfiança para com seu futebol, do que o empenho.

Com muita paciência e determinação, acumulou rótulos como homem Gre-Nal, decacampeão gaúcho e tri brasileiro. Com estes, eternizou-se na história do clube do povo. Com passagens pela seleção Brasileira, Valdomiro foi titular na Copa da Alemanha Ocidental em 1974, quando marcou um gol contra o Zaire, que salvou o Brasil de uma vexatória eliminação ainda na primeira fase. Jogou com a camisa 13, pois era considerada um talismã pelo supersticioso técnico Zagallo

Em entrevista à Rádio Araranguá, no programa As Esportivas, o ex-futebolista, Valdomiro Vaz Franco, falou sobre sua vencedora trajetória esportiva e principalmente de vida.

“Hoje em dia, parece que o futebol virou status. Eu tive a oportunidade de jogar duas partidas amistosas com o Pelé. O Rivelino, quando estávamos na Seleção, falou que na Copa de 70 no México, eles estavam no hotel e quando serviram a janta, veio um bife de carne muito duro e vários jogadores reclamaram, mas o Pelé sendo quem era, não reclamou de nada”, ressaltou Valdomiro.

Gratidão

“Tudo que consegui na minha vida, como homem e profissional, devo ao Inter. Quando cheguei lá, eu não sabia ler e escrever e sai na faculdade. Sou funcionário vitalício do Inter. Quando peguei o trabalho para fazer em Santa Catarina, nós tínhamos 3 mil sócios, hoje já são 28 mil. Temos consulado em todos os lugares. Os sócios são muito importantes para mim e meu clube”, explicou Valdomiro.

Rivalidade e admiração

“Nunca fui expulso de campo. Quando chego em algum evento, sempre há torcedores do Grêmio (Maior rival do Inter) e eles pedem para tirar foto comigo e eu sempre tiro. Saiu uma pesquisa em Porto Alegre, de qual jogador que os torcedores do Grêmio queriam no time e foi 99% eu. Então tenho um carinho muito grande”, acrescentou o ex-futebolista.

Família e companheirismo

“Hoje eu e minha companheira estamos com quase 60 anos juntos. Eu não faço nada sem ela. Foi toda a minha carreira acompanhada por ela. Quem administra tudo é ela, a dona Natália. Quando casamos, eu falei que ia jogar futebol e ela iria gastar. Foi muito bem aplicado nosso dinheiro por ela. Temos dois filhos, um fisioterapeuta e professor de educação física, o outro também é professor de educação física formado. Hoje em dia, eu vivo melhor do que quando eu jogava futebol. Sempre fui de bem com a vida”, ressaltou Valdomiro.

Trabalho social

“Tem um bairro em Criciúma, onde ajudo as crianças. Sempre no dia das crianças e no natal eu estou lá. Também ajudo um hospital de Armazém, onde me deram o título na Câmara de Vereadores. Sempre levo uma camisa do Inter autografada e eles fazem uma campanha”, falou o ex-futebolista.

Convite do Flamengo

“Em 1977, nas eliminatórias da Copa do Mundo, o Zico foi convocado e agente sentou junto no avião. Ficamos juntos na concentração, o Márcio Braga sempre queria que eu fosse para o Flamengo e o Zico perguntou porque eu não ia para o Flamengo. Então eu perguntei, o porque ele não vinha para o Inter. Naquela época a gente era muito mais amigo, hoje em dia o jogador de futebol passa e nem olha. Falta o reconhecimento do jogar à torcida”, finalizou Valdomiro.