Violência contra a mulher cresce 18% em Araranguá em 2025: novo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher entra em ação
O município de Araranguá registrou um aumento preocupante nos casos de violência contra a mulher em 2025. Até o mês de junho, foram aproximadamente 800 ocorrências, o que representa um crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados foram apresentados em entrevista à Rádio Araranguá pelas integrantes do novo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, composto pela presidente Dra. Eliane Márcia Chaves, delegada titular da DEPCAMI, pela vice-presidente Dra. Júlia Roberta Porto, advogada da OAB, e pela secretária Taís Coelho da Silva, assistente social da Secretaria de Assistência Social e Habitação.

De acordo com a delegada Eliane Chaves, a alta nos números reflete não apenas o agravamento da violência, mas também o aumento da conscientização das vítimas. “Esses números envolvem tanto situações flagrantes quanto os casos que chegam espontaneamente à delegacia. Em toda a região da Amesc, foram 776 pedidos de Medidas Protetivas. O número cresce porque as mulheres estão entendendo que são vítimas. Muitos agressores afirmam que não sabem o motivo de estarem na delegacia, porque nunca bateram na companheira, mas a violência vai muito além da agressão física”, destacou.
A delegada ainda reforça que os dados conhecidos representam apenas a ponta do iceberg. “Apenas 15% das mulheres denunciam. Isso significa que os números reais são muito maiores. Aproximadamente 90% dos casos acontecem dentro de casa”, alertou Eliane.
Em Araranguá, os agressores mais recorrentes são os próprios companheiros, responsáveis por 21,57% dos casos. Em seguida aparecem os cônjuges (10%), ex-cônjuges (10%), pessoas com outro tipo de relação íntima (9,73%), filhos (8%), ex-namorados (7,43%), parentes (6%) e pais/mães (5%).
A advogada Júlia Roberta Porto, representante da OAB, trouxe à tona a importância de garantir o acesso à informação e ao suporte jurídico. “Temos uma média de cinco mulheres por semana buscando proteção e orientação. Muitas vítimas não sabem que têm direitos. Um caso que atendemos envolvia uma mulher em cárcere privado, totalmente dependente financeiramente do agressor. Ela não podia sair de casa e não tinha acesso a nenhum recurso. A violência patrimonial é silenciosa e muito comum. A lei está do lado delas, e nós estamos aqui para lutar junto”, afirmou.
Já a assistente social Taís Coelho da Silva reforçou a atuação do município no enfrentamento da violência. “A mulher muitas vezes se sente refém de seus agressores. Por isso, as redes de apoio são fundamentais. A prefeitura, por meio do CRAS, CREAS e da Assistência Social, oferece suporte gratuito e contínuo. Queremos romper o ciclo da violência com acolhimento e ação efetiva”, pontuou.
O novo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, recentemente formado, já tem data marcada para sua primeira conferência regional. O encontro ocorrerá no próximo dia 28 de julho, no Centro Multiuso de Araranguá, e terá como foco a deliberação de medidas e ações voltadas à promoção dos direitos das mulheres e ao fortalecimento dos mecanismos de apoio e denúncia.
Todos os atendimentos realizados pelo Conselho, pela DEPCAMI e pela OAB são gratuitos. Em casos de urgência, as vítimas devem ligar para o número 190.






