Amin analisa cenário do PP para as próximas eleições, avalia governos estadual e federal e fim das praças de pedágio
Em entrevista exclusiva à jornalista Juliana Oliveira, o senador Esperidião Amin (PP), fez um panorama sobre a projeção do partido para as eleições do ano que vem. De acordo com Amin, a sigla deve conquistar ainda mais espaço nos municípios catarinenses, ampliando o número e cadeiras nas Câmaras de Vereadores e prefeituras.
“Na eleição do ano que vem é claro que meu partido quer ter candidato a prefeito em todo lugar, mas sabemos que isso não vai acontecer. Por isso, temos que mapear quais são os valores que nós temos e quais são os nossos possíveis parceiros. Mas temos certeza de uma coisa: o nosso partido vai aumentar a sua participação. Se hoje temos 504 vereadores, queremos aumentar esse número para o ano que vem, porque a política é uma corrida permanente”.
Amin também falou sobre o papel do PP e o seu como parlamentar, no cenário político atual. “De uma forma ou de outra, nós somos protagonistas. Pode ser protagonista no poder e pode ser protagonista na oposição. No Brasil, hoje, eu estou na oposição. Apoiei o governo Bolsonaro, apoiei sua candidatura e perdemos a eleição. O meu dever qual é? Ser protagonista na oposição. Estou procurando fazer isso, sem ser oposição ao Brasil. Combatendo, por exemplo, essa confrontação permanente que o governo (federal) está fazendo contra a oposição, estou participando ativamente da CPMI do dia 8 de janeiro, especialmente procurando identificar os omissos que permitiram aquela vergonha. Estou também ajudando a aperfeiçoar a PEC da transição, que trouxe recursos para investimentos em nossas estradas, e claro, estamos de olho na reforma tributária para que não haja aumento de impostos, não votarei nisso. Por isso eu reforço, continuo sendo protagonista”.
O senador também elogiou a Universidade Federal de Santa Catarina em Araranguá e pontuou que esse potencial precisa ser valorizado e aproveitado ao máximo. “Eu participei de uma reunião no campus da UFSC, em Araranguá, para tratar da qualificação do curso de medicina. Lá estava presente o Jorge Boeira, que é um dos patronos do campus da universidade federal aqui. Estava também o Mariano Mazzuco, nosso ex-prefeito e grande exemplo de político. Nós discutimos o que? O que precisamos para qualificar a curso de medicina com a possibilidade de residência médica na rede pública de saúde. Para isso, vamos desenvolver um esforço junto com a universidade, com a secretaria de Estado da Saúde e com os Ministérios da Educação e da Saúde. Pretendo ajudar para que essa qualificação seja aprimorada”.
Outro destaque na visão do senador é o curso de energia da UFSC e o que ele pode trazer para a economia regional. “Tratamos também do curso de energia, que com a lei que, primeiro eu propus e depois ajudei a aprovar, da transição energética justa, vai permitir que se desenvolvam modais de energia que vão ajudar a reabilitar o meio ambiente, já que o Sul do nosso Estado pagou uma conta muito grande pela exploração do carvão, ao longo da sua história e para atender uma necessidade do Brasil”.
Reforma tributária
Por fim, o parlamentar atualizou o andamento da reforma tributária. “Essa é a pauta principal. A Câmara dos Deputados aprovou um texto que, em princípio, tem uma grande vantagem, a simplificação. Reduz o número de impostos e com uso de tecnologia da informação e comunicação, permite que se ganhe dinheiro. Só a simplificação já nos dá uma vantagem de R$ 500 bilhões. Ou seja, nós ganhamos 0,5% do PIB. Mas tem um outro item que está deixando a desejar. Nós queremos menos Brasília e mais Brasil. Estão criando um conselho federativo e eu sou contra. Já apresentei uma emenda para tirar isso da reforma tributária. Ou você escreve bem a lei, para que os critérios de distribuição de recursos sejam resolvidos por algoritmo, sem intervenção humana, ou você penaliza municípios é o Estado. Vai ser decidido em Brasília? Não conte comigo para isso. Terceiro: você está criando uma lista de excepcionalidades de setores que vão ter menos impostos, com isso outros setores irão pagar mais caro. Eu não votarei em qualquer coisa que aumente tributo. Portanto, vejo um ponto positivo e duas ressalvas. Então vamos trabalhar para aperfeiçoar isso”.
Fim das praças de pedágio
“Eu consegui aprovar uma lei do free flow que acaba com a praça de pedágio. Ou seja, você vai pagar por quilômetro rodado. Assim é muito mais justo, porque a praça de pedágio é uma tranqueira. Eu tenho usado com frequência a BR-101 e a tranqueira já acontece agora, imagina o que vai acontecer na temporada de verão. Nós temos que modernizar a forma de pagar o pedágio e onde todos pagam, todos pagam menos”.
Avaliação dos governos estadual e federal
“No caso do Lula, onde eu atuo como parlamentar, eu lamento que o governo não tenha tomado medidas concretadas no sentido de pacificar o país. Acho que a confrontação está sendo estimulada pelo presidente e isso é muito ruim. Nós podemos elevar o nível do debate para coisas que são importantes para a sociedade. Temos que ter cuidado com os gastos, pois isso gera inflação. Esse cuidado temos demostrando com o novo arcabouço fiscal. É uma posição de fiscalização para ajudar o governo a não errar”.
Gestão Jorginho Mello
“Quanto a questão estadual eu acho que é muito cedo para avaliar. Algumas iniciativas do atual governador, nós podemos dizer que elas até podem estar vindo com algum atraso. É o caso do programa para recuperação das estradas, mas está certo. Lançar um programa para melhorar as rodovias estaduais é mais do que necessário é urgente. O governo estadual também está fazendo uma boa atualização de assistência ao estudante carente do ensino superior. Esse programa existe desde de 1986, mas ele está dando uma dimensão maior com o Universidade gratuita. Mas eu entendo que a prioridade absoluta é para o ensino médio, onde o Brasil está perdendo. Na questão da saúde eu quero destacar que a bancada federal ajudou o governo do Estado com R$ 50 milhões de reais, de emendas de todos nós parlamentares, para reduzir a fila das cirurgias eletivas”.
Confira a entrevista da íntegra:







