Merisio inicia pré-campanha com desafio claro: convencer um eleitor que não era o seu
Martelo batido, chapa formada e time em campo. Esse foi o cenário político catarinense nesta quinta-feira (16), com a oficialização da frente de esquerda no Estado.
Como pré-candidato ao governo surge um nome já conhecido dos catarinenses: Gelson Merisio, ex-presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, agora na disputa pelo PSB, representando um campo político diferente daquele em que construiu sua trajetória.
A escolha ainda está sendo assimilada por parte do eleitorado de esquerda, especialmente porque o próprio Merisio admite que não tem origem nesse campo ideológico. Em 2018, quando disputou o governo pelo PSD, apoiou Jair Bolsonaro.
Segundo o comentarista Upiara Boschi, Merisio afirma não se arrepender daquele apoio, justificando que, à época, entendia que o Brasil precisava de uma ruptura. No entanto, relata que se desencantou com Bolsonaro durante a pandemia, período em que passou a se aproximar da esquerda.
Nessa mudança de rumo, apoiou Décio Lima (PT) ao governo em 2022, chegando a coordenar a campanha que levou, pela primeira vez, o PT ao segundo turno em Santa Catarina, disputa vencida por Jorginho Mello (PL).
Durante o discurso de oficialização, Merisio reconheceu a resistência de parte da esquerda à sua chegada, mas afirmou que pretende construir pontes por meio do diálogo e do debate.
A composição da frente traz ainda Ângela Albino (PDT) como pré-candidata a vice, Décio Lima (PT) ao Senado e Afrânio Boppré (PSOL) como segundo nome na disputa ao Senado.
Agora, o desafio passa a ser a leitura do eleitorado sobre essa nova configuração. Conforme Upiara Boschi, a escolha de Merisio teria sido pessoal do presidente Lula e faz parte de uma estratégia mais ampla para o Sul do país: evitar candidaturas do PT ao governo estadual e apostar em nomes com maior capacidade de diálogo com eleitores fora do partido.
Esse movimento se repete em outros estados da região. No Rio Grande do Sul, o PT deve indicar o vice na chapa de Juliana Brizola (PDT), enquanto no Paraná o candidato ao governo também será do PDT.
Em relação aos adversários, Merisio adotou um tom moderado. Sobre o governador Jorginho Mello (PL), destacou ter uma relação fraternal, reconhecendo acertos e apontando críticas pontuais, como na área da educação e segurança pública. Ainda assim, sua principal observação foi sobre a imagem de Santa Catarina fora do Estado, que, segundo ele, precisa ser melhorada.
Quanto a João Rodrigues (PSD), ressaltou a parceria em eleições passadas e o classificou como um grande prefeito de Chapecó.
Na avaliação de Upiara Boschi, Merisio não precisa partir para o confronto direto com seus adversários. Sua estratégia central deve ser captar o eleitorado alinhado a Lula em Santa Catarina. Considerando um percentual em torno de 25%, isso poderia ser suficiente para levá-lo a um eventual segundo turno.
Por fim, Merisio também avaliou que João Rodrigues enfrenta um cenário mais desafiador, ao disputar espaço no mesmo campo político do atual governador, dentro de um espectro associado ao ex-presidente Bolsonaro.
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