O milho está recuperando espaço perdido para o arroz?
Com o aumento exacerbado nos custos de produção constatado nos últimos anos, levando-se em consideração que os preços pagos ao produto nesse mesmo espaço de tempo, salvo raras exceções, se manteve praticamente estável, não é necessário pesquisar muito para saber porque a rizicultura vem perdendo espaço para outros cultivos como o milho e a soja no Extremo Sul catarinense.
Mesmo levando-se em consideração que a maioria esmagadora das áreas de plantio na região sofreu intervenção mecânica e humana, mudando suas características no sentido de favorecer a cultura do arroz desde a primeira metade da década de 1980, e que o Vale do Araranguá é formado por propriedades rurais de pequeno/médio porte (também privilegiando a cadeia produtiva arrozeira), é fato que a mudança já está acontecendo e a indústria orizícola sabe disso.
“Temos ciência que muitos agricultores estão revertendo terras que foram sistematizadas para o arroz, áreas de várzea, por exemplo, para o plantio de cereais que triplicaram sua produção nos últimos cinco anos. Neste caso, estou falando do milho.”, coloca o presidente da Coopersulca, Arlindo Manenti.
E foi já de olho nesse mercado futuro que em dezembro de 2020, a marca inaugurou suas novas instalações para recebimento, secagem e armazenagem para milho e soja. “Temos, enquanto indústria e ainda mais, enquanto Cooperativa, de apontar caminhos para nossos associados e caminhar junto deles, lado a lado. Somando forças, superamos as dificuldades e vencemos.” diz Arlindo.
Atualmente, a produtividade média do milho por hectare é de 200 sacas, sendo que na década passada era de 70 sacas. O preço também tem ajudado. Ao final de 2018, cereal era vendido aos R$ 42. Nessa semana, o produto abriu sendo comercializado aos R$ 89 à vista e R$ 90 com quarenta dias de prazo.
Subprodutos do milho para consumo humano
Além disso, a diversidade de produtos que podemos consumir é grande e o Brasil tem uma culinária que explora muito bem isso. Aliás, além de promover uma festa que utiliza o milho para preparar diversas receitas – a famosa Festa de São João -, a alimentação cotidiana dos brasileiros também é cheia de subprodutos do milho. Então, veja alguns exemplos:
Fubá, farinhas comuns, farinhas pré-cozidas, quirera, óleo de milho, amidos alimentícios, canjicas, pipocas, xarope de glucose, e cremes. A lista vai longe, já que a indústria transforma o milho em diversos outros produtos. E muitos deles nós nem imaginamos, como corantes para molhos, bebidas alcoólicas e refrigerantes. Da mesma forma, amidos industriais do milho também resultam em papel, fitas, adesivos e outros. Isso, sem mencionarmos a utilização em larga escala dele para a criação animal, como frangos e bovinos.







