Escola Cívico-Militar de Araranguá desenvolve projeto Protetor Ambiental Crianças em parceria com a Polícia Militar Ambiental
Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, a diretora da Escola Cívico-Militar Professora Neusa Ostetto Cardoso, Mara Rúbia Gabriel, o responsável pela parte militar da escola, Maike Adriano Valgas, e a sargento da Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina, Roberta Rocha Matos Inácio, falaram sobre o programa social e educativo Protetor Ambiental Crianças, desenvolvido com alunos do 4º ano do ensino fundamental.
Logo no início, a sargento Roberta explicou como surgiu o programa e como ele funciona na prática. “Esse programa, o Protetor Ambiental Crianças, que hoje está sendo desenvolvido na Escola Cívico-Militar de Araranguá, é um programa institucional da Polícia Militar de Santa Catarina, desenvolvido pela Polícia Militar Ambiental com crianças do quarto ano”, explicou.
Segundo ela, o projeto já é realizado há três anos na região atendida pelo batalhão de Maracajá. “Em Maracajá, que é a nossa sede, atendemos 25 municípios da Amesc e da Amrec, ficando de fora apenas Lauro Müller e Orleans. Esse é o terceiro ano que desenvolvemos o programa”, destacou.
Roberta também apresentou as cartilhas utilizadas durante as aulas e explicou a metodologia aplicada. “São 12 cartilhas da série Nosso Ambiente. Trabalhamos temas como fauna, flora, pesca, água, agrotóxicos e vários assuntos relacionados ao meio ambiente. As aulas são lúdicas e práticas para que eles consigam absorver o conteúdo de forma leve”, afirmou.
O responsável pela parte militar da escola, Maike Adriano Valgas, ressaltou a importância da conscientização ambiental desde cedo e relembrou costumes antigos que hoje são vistos de forma diferente.
“No passado, muita gente via como normal caçar passarinho, destruir ninhos ou usar espingarda de pressão. Faltava conscientização. Hoje entendemos a importância de preservar e ensinar isso para as crianças”, comentou.
Ele também explicou que a Polícia Militar vem ampliando projetos sociais de proximidade com a comunidade. “A Polícia Militar desenvolve vários projetos de aproximação com a sociedade. O primeiro foi o Proerd e depois vieram outros programas. O Protetor Ambiental segue essa mesma linha, trabalhando prevenção e educação”, disse.
A diretora Mara Rúbia Gabriel afirmou que o projeto foi muito bem recebido pela comunidade escolar. “Os alunos abraçaram muito bem o projeto, os pais também e todo o corpo docente. A presença da Polícia Ambiental dentro da escola despertou muito interesse nas crianças”, relatou.
Segundo ela, a participação da sargento Roberta também contribuiu para criar identificação entre os estudantes. “Mesmo já tendo policiais na escola, essa presença feminina chamou bastante atenção. Eles gostam muito da interação e das atividades desenvolvidas”, comentou.
Durante a entrevista, os participantes também falaram sobre a relação das crianças com a polícia. Roberta lamentou que ainda existam pais que utilizem a figura policial como forma de ameaça.
“Muitos pais ainda dizem: ‘Se não obedecer, vou chamar a polícia’. Isso é errado. A polícia está para ajudar e proteger. Quando vejo isso acontecer, aproveito para orientar os pais e explicar para as crianças que elas podem confiar na polícia”, afirmou.
Ela contou ainda um episódio recente vivido durante uma visita a uma escola. “Fui oferecer uma balinha para uma criança e ela ficou com medo, retraída. A professora disse que ele tinha muito medo de policial. Isso mostra como algumas crianças ainda crescem vendo a polícia como ameaça”, relatou.
Outro tema debatido foi a preservação da água e os desafios ambientais da região. Maike alertou para a necessidade de conscientização sobre o uso responsável dos recursos naturais. “A água é um bem finito. Muitos países já enfrentam problemas graves de escassez. O Brasil ainda possui grandes reservas, mas isso não significa que podemos desperdiçar”, explicou.
Ele também destacou os cuidados necessários com o aquífero Guarani e o uso de agrotóxicos. “Um poço artesiano mal feito pode contaminar todo o aquífero da região. Além disso, precisamos ter cuidado para que os agrotóxicos não contaminem os mananciais”, alertou.
A diretora Mara Rúbia também falou sobre as mudanças ocorridas após a implantação do modelo cívico-militar na escola. “Mudou bastante e para melhor. Hoje temos uma nova estrutura física, mais alunos e uma realidade muito diferente da que existia anos atrás”, afirmou.
Segundo ela, a comunidade apoiou a implantação do programa desde o início. “O bairro possui vulnerabilidade social, problemas relacionados às drogas e outras dificuldades. Quando o projeto foi apresentado, pais, professores e alunos aceitaram imediatamente”, contou.
Mara Rúbia destacou ainda que a disciplina dentro da escola melhorou significativamente. “Há alguns anos, quando se falava na Escola Neusa Ostetto Cardoso, muita gente tinha receio. Existiam problemas graves de indisciplina e até drogas dentro da escola. Hoje a realidade mudou muito”, declarou.
Ela enfatizou que, neste ano, não houve registros de situações envolvendo drogas dentro da instituição. “Este ano não tivemos nenhum caso relacionado a drogas dentro da escola. Isso mostra o quanto evoluímos em pouco tempo”, comemorou.
Maike reforçou que o modelo cívico-militar trabalha principalmente valores e organização. “O foco não é militarizar, mas desenvolver valores como respeito, disciplina, responsabilidade e organização. Hierarquia e regras existem em qualquer ambiente organizado, seja militar ou civil”, explicou.
Ele também destacou que a educação é uma ferramenta essencial para prevenção da violência. “O que fazemos hoje dentro da escola é justamente trabalhar para que essas crianças não sejam, no futuro, atendidas pelas forças de segurança por situações negativas”, disse.
A sargento Roberta ressaltou que o principal objetivo do programa é formar multiplicadores ambientais. “Ninguém preserva aquilo que não conhece. Queremos mostrar às crianças a importância do meio ambiente e fazer com que elas levem esse aprendizado para dentro de casa”, afirmou.
Segundo ela, pequenas atitudes das crianças já ajudam a transformar comportamentos familiares. “Muitas vezes a criança chega em casa e orienta os pais sobre o que aprendeu. Isso acaba gerando conscientização dentro da própria família”, destacou.
Ao final da entrevista, os convidados agradeceram o espaço concedido pela rádio e reforçaram a importância de investir em educação preventiva. “A educação transforma. Precisamos plantar essas sementes agora para construir um futuro melhor”, concluiu Maike.











