Projeto PES da UFSC oferece preparação gratuita para ENEM e vestibular a estudantes da rede pública
O Projeto Educação Solidária, conhecido como Projeto PES, da Universidade Federal de Santa Catarina, vem ampliando as oportunidades de acesso ao ensino superior para estudantes de escolas públicas da região. Em entrevista a jornalista Juliana Oliveira da Rádio Araranguá, o coordenador do projeto, professor Marcelo Zanin, e os integrantes Patrícia Abade e Roger Leodoro falaram sobre o funcionamento do cursinho pré-universitário, os resultados alcançados e as oportunidades oferecidas aos estudantes.
“Criado como um projeto de extensão da UFSC, o PES completa nove anos de existência e atualmente também funciona como uma associação sem fins lucrativos. A iniciativa nasceu com o objetivo de preparar estudantes para o ingresso no ensino superior, mas acabou assumindo uma proposta ainda mais ampla. Esse não é um curso pré-vestibular, ele é um curso pré-universidade”, destacou Marcelo.
O projeto oferece, em geral, duas turmas anuais, com aproximadamente 100 vagas. As aulas acontecem de segunda a sexta-feira, das 18h30min às 22h, e seguem até o período de realização do ENEM e do Vestibular Unificado UFSC/IFSC/IFC.
“O público prioritário é formado por estudantes que estejam cursando o terceiro ano do ensino médio em escolas públicas ou que tenham concluído o ensino médio na rede pública. Também podem participar alunos de escolas particulares que tenham estudado com bolsa integral. A seleção ocorre no início do ano e envolve etapas como prova e entrevista”, ressaltou Patrícia.
De acordo com os entrevistados, mais do que o desempenho em uma avaliação, o processo seletivo busca identificar estudantes que realmente estejam dispostos a aproveitar a oportunidade.
Preparação vai além das disciplinas
O cursinho trabalha conteúdos de diferentes áreas, incluindo redação, gramática, matemática, física e química. A preparação também considera as particularidades do ENEM e do vestibular da UFSC, além de estratégias para a realização das provas.
“Os estudantes contam ainda com monitorias e tutorias, que contribuem tanto para o aprendizado quanto para o acompanhamento durante a jornada de preparação”, disse Roger.
Para Marcelo Zanin, entretanto, a proposta do PES vai além do conteúdo acadêmico. O projeto também procura apresentar aos estudantes diferentes possibilidades de acesso ao ensino superior, incluindo bolsas e outras formas de ingresso.
“Outro diferencial é a aproximação dos alunos com o ambiente universitário. Os estudantes têm a oportunidade de conhecer a estrutura da UFSC e vivenciar o cotidiano da universidade, o que pode contribuir para despertar novos sonhos e ampliar as perspectivas profissionais. A gente quer também plantar essa sementinha da pessoa querer estar lá”, explicou Zanin.
Aulas abertas e preparação para as provas
Além das atividades regulares, o PES promove aulões gratuitos abertos à comunidade nas semanas que antecedem o ENEM e o vestibular. As atividades são realizadas no auditório da UFSC, com vagas presenciais, e também transmitidas ao vivo pelo YouTube.
“As gravações de aulões de anos anteriores permanecem disponíveis na plataforma, permitindo que outros estudantes utilizem o material como complemento à preparação”, lembrou Patrícia.
Alta taxa de aprovação
Um dos resultados que demonstra o impacto do projeto é a taxa de aprovação entre os alunos que permanecem até o final do curso.
“Entre 70% e 80% dos estudantes que permanecem no projeto até o final do ano conseguem aprovação, seja pelo vestibular ou por programas de acesso relacionados ao ENEM. O projeto também acompanha estudantes que não conseguem aprovação na primeira tentativa. Quem permanece até o final do curso, não consegue ingressar na universidade e deseja continuar no ano seguinte tem a vaga garantida automaticamente”, explicou Zanin.
A estratégia já possibilitou que estudantes persistissem na preparação até conquistar vagas em cursos bastante concorridos, como Medicina.
Apoio financeiro aos estudantes
Além de não cobrarem mensalidade dos participantes, o projeto conta com bolsas que beneficiam tanto integrantes da equipe quanto estudantes.
“Os alunos recebem uma bolsa-auxílio para frequentar as aulas, tendo como contrapartida principal a manutenção da frequência”, relatou Patrícia.
A estrutura também conta com apoio da UFSC, que disponibiliza espaços e infraestrutura para o funcionamento das atividades, além de bolsas. O projeto, que nasceu dentro da universidade, atualmente possui uma associação própria, mantendo a parceria com a instituição.
Formação para quem ensina
O PES também representa uma oportunidade de formação para os cerca de 30 integrantes que atuam entre professores e gestores. Muitos são estudantes de graduação e passam pela experiência de atuar em sala de aula, gestão, liderança e trabalho voluntário.
Patrícia Abade e Roger Leodoro destacaram justamente essa troca de experiências entre professores e estudantes. “Como muitos dos professores são jovens universitários que passaram recentemente pelo processo de preparação para o vestibular, conseguem estabelecer uma relação próxima com os alunos”.
O projeto também já registra casos de ex-alunos que foram aprovados no ensino superior e posteriormente passaram a atuar na própria iniciativa.
Processo seletivo para voluntários está aberto
No momento da entrevista, o processo seletivo para novos alunos ainda não estava aberto. A seleção dos estudantes ocorre normalmente no final do ano ou início do ano seguinte.
Por outro lado, o PES mantém processo seletivo para pessoas interessadas em atuar como voluntárias no cursinho.
“Os interessados em dar aulas podem participar de um cadastro de reserva. O processo inclui inscrição, elaboração de plano de aula, aula-teste e entrevista. Embora a maior parte dos integrantes seja formada por estudantes da UFSC, o projeto também permite a participação de pessoas da comunidade interessadas em contribuir como voluntárias”, esclareceu Zanin.
A iniciativa reforça, assim, a importância de criar caminhos gratuitos de preparação para o ensino superior, especialmente para estudantes que não têm condições de frequentar um cursinho particular.
“Mais do que preparar para uma prova, o Projeto PES busca aproximar estudantes da universidade, ampliar perspectivas e transformar a preparação para o ensino superior em uma oportunidade acessível”, concluiram.















