Geral Hospital Regional de Araranguá busca viabilizar aparelho de ressonância magnética para atender toda a região

Hospital Regional de Araranguá busca viabilizar aparelho de ressonância magnética para atender toda a região

20/08/2026 - 09h21

Equipamento é considerado estratégico para ampliar diagnósticos, qualificar atendimentos e possibilitar a implantação de novos serviços no Hospital Regional

A busca pela instalação de um aparelho de ressonância magnética no Hospital Regional de Araranguá voltou a ganhar força nos últimos dias. Em entrevista ao jornalista Lucas Casagrande, da Rádio Araranguá, o diretor do Hospital Regional e da Policlínica, Kristian Souza, explicou a importância do equipamento e destacou que a estrutura beneficiaria não apenas os pacientes da unidade hospitalar, mas moradores de toda a região.

Segundo Kristian, a solicitação já havia sido encaminhada anteriormente ao Governo do Estado. Na ocasião, porém, o equipamento foi considerado importante, mas não prioritário diante de outras demandas da saúde.

“Num passado recente, nós encaminhamos em duas situações a solicitação de um equipamento de ressonância pro Hospital Regional de Araranguá. Naquele momento, o Estado entendeu que não era a prioridade, era importante, mas não era a prioridade e nós entendemos perfeitamente.”

O diretor ressalta que a ressonância magnética é necessária para o diagnóstico de diversas doenças e para a definição adequada do tratamento. “O equipamento de ressonância magnética realiza exames dos quais algumas patologias, algumas doenças precisam desse tipo de diagnóstico pra definir conduta, pra definir o tratamento.”

Região não possui ressonância pelo SUS

Um dos principais argumentos apresentados pelo diretor é a ausência de um aparelho de ressonância magnética disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região.

Atualmente, quando um paciente internado no Hospital Regional precisa realizar o exame, a unidade recorre a clínicas particulares conveniadas. Isso significa que, dependendo da disponibilidade, o procedimento pode exigir agendamento e levar alguns dias.

“A nossa região não tem uma ressonância magnética pelo SUS. Então atenderia tanto aos pacientes que estão internados ou que procuram emergência do Hospital Regional de Araranguá, quanto também aos pacientes que estão aguardando nas filas das secretarias municipais de saúde.”

Kristian explica que a instalação do equipamento também aumentaria a capacidade de diagnóstico do hospital. “Quando você equipa um hospital, quando você tem um parque tecnológico robusto, amplo, aumenta a sua capacidade de diagnóstico, os seus tratamentos passam a ser mais assertivos também e possibilita a implantação de novos serviços.”

Entre as áreas que poderiam ser beneficiadas está a neurologia, principalmente em casos de acidente vascular cerebral (AVC) e traumatismos cranioencefálicos. “Um serviço habilitado em alta de neurocirurgia, de neurologia, na verdade, ele necessita desse equipamento.”

A ressonância também seria importante para a ortopedia de alta complexidade, especialmente em procedimentos relacionados à coluna. “A própria ortopedia de alta complexidade, principalmente na área da coluna, nós precisamos realizar a ressonância magnética.”

Investimento pode chegar a R$ 15 milhões

De acordo com Kristian, o investimento necessário para aquisição do equipamento e preparação da estrutura pode ficar entre R$ 12 milhões e R$ 15 milhões.

O valor inclui não apenas o aparelho, mas também a preparação da sala e adequações da rede elétrica. “Ele vai girar em torno, com a preparação da sala, que é uma preparação específica, toda a parte também de rede elétrica que tem que ser específica, em torno de doze a quinze milhões.”

Além do investimento inicial, o diretor chama atenção para os custos permanentes de manutenção e operação do equipamento. “O Estado precisa programar a questão orçamentária também, há um custo mensal alto também, pra manutenção desse equipamento, então tudo isso tem que ser levado em consideração.”

Equipamento atenderia toda a região

A proposta não é restringir a utilização do aparelho aos pacientes internados no Hospital Regional. A intenção é que ele também possa atender a demanda eletiva encaminhada pelas secretarias municipais de saúde.

Kristian destaca que o Hospital Regional recebe pacientes de diferentes municípios e regiões. “Não vem pro Hospital Regional de Araranguá, ele vem pra atender realmente toda a região.”

Segundo o diretor, o equipamento atenderia tanto às demandas internas do hospital quanto aos pacientes que atualmente aguardam exames por meio das redes municipais de saúde.

Estrutura já foi planejada

Kristian explicou que o hospital já possui um projeto para receber o equipamento. A intenção é instalar a ressonância na estrutura do Hospital Regional, já que a Policlínica não possui espaço físico adequado.

“O projeto atual que nós temos é no hospital. A Policlínica não teria espaço físico pra receber esse equipamento.”

A instalação também exigiria ampliação da equipe. Atualmente, o hospital conta com 17 técnicos de radiologia e, segundo Kristian, seriam necessários pelo menos mais quatro profissionais para a operação da nova estrutura. “Nós teríamos que ampliá-los no mínimo para mais quatro profissionais.”

O diretor afirma, porém, que já existe mão de obra especializada na região e dentro do próprio hospital. “Nós temos na região e temos dentro do próprio hospital pessoas com expertise pra realização e também pros laudos.”

Mobilização regional busca apoio para o equipamento

A articulação para viabilizar a ressonância ganhou apoio de representantes políticos e de diferentes municípios. Segundo Kristian, a mobilização é importante para demonstrar ao Governo do Estado que a demanda não é exclusiva do Hospital Regional.

“A bandeira, ela foi levantada e várias pessoas e vários poderes devem fazer coro pra que esse equipamento venha pra região.”

O diretor defende que a mobilização seja vista como uma reivindicação regional. “Não é nem a pressão política, é um pedido mesmo da região pra que o Estado.”

Para Kristian, a união de diferentes representantes em torno da mesma demanda demonstra maturidade política. “É uma maturidade, uma demonstração de maturidade de que é a região que precisa, independente de quem vai conseguir, de quem vai ser o pai da obra.”

Hospital monitora demanda e tempo de espera

Durante a entrevista, Kristian também falou sobre o aumento da procura pelo atendimento hospitalar em períodos de mudanças de temperatura e doenças respiratórias.

Segundo ele, a sazonalidade provoca impacto principalmente na porta de emergência e na ocupação dos leitos. “Esses períodos sazonais, principalmente mudanças de temperatura, aumentam muito as doenças respiratórias. Isso impacta diretamente na nossa porta de emergência, impacta no UPA.”

O diretor afirma que a unidade acompanha permanentemente o tempo de espera e adota medidas para evitar que a demanda fique fora de controle. “Nós monitoramos praticamente 24 horas o tempo de espera no pronto-socorro.”

Kristian também explicou que o tempo entre a chegada do paciente e a alta pode ser influenciado pela necessidade de repetição de exames. Ele citou como exemplo os casos de suspeita de infarto.

“Tem exames que precisam ser repetidos, por exemplo, pacientes com suspeita de infarto agudo do miocárdio, e a troponina tem que ser repetida a cada período de duas a três vezes realmente para descartar.”

Segundo o diretor, a comunicação com o paciente é fundamental para reduzir reclamações. “Nós pedimos incansavelmente essa questão da comunicação e da orientação para as equipes, que sanam 90% das reclamações e desses problemas.”

Retornos médicos também são desafio

Outro tema abordado foi a fila de retornos médicos. Kristian explicou que existe uma determinação estadual para que metade da agenda seja destinada a primeiras consultas e a outra metade a retornos.

“A nossa agenda, 50% obrigatoriamente a gente tem que abrir a primeira vez, isso é regra do Estado, e 50% tem que ser retorno.”

O problema, segundo ele, ocorre quando um mesmo paciente precisa de mais de um retorno, fazendo com que a demanda se acumule. “Quando o paciente tem mais de um retorno, muitas vezes ele tem, essa conta acaba não fechando.”

O hospital afirma que vem realizando atendimentos acima da meta contratual para tentar reduzir esse gargalo. “Nós fizemos as nossas ações. As nossas ações são atender acima daquilo que está no nosso contrato.”

Kristian também explicou que o hospital realiza busca ativa após determinados procedimentos cirúrgicos para verificar as condições dos pacientes. “Nós fizemos as ligações para todas as pessoas que operam, nós ligamos e perguntamos se está tudo bem, se tem algum sinal de infecção.”

Foto Capa: IA