Processo para escolha da nova OS do Hospital Regional de Araranguá entra em nova etapa
Diretor Kristian Souza afirma que reabertura das propostas prolongou processo e admite preocupação com profissionais diante da indefinição sobre a futura administração
O processo de escolha da nova Organização Social (OS) responsável pela administração do Hospital Regional de Araranguá continua em andamento e ainda depende da conclusão das etapas previstas no edital. Em entrevista ao jornalista Lucas Casagrande, da Rádio Araranguá, o diretor da unidade, Kristian Souza, falou sobre o andamento do processo e os impactos da indefinição para os profissionais que atuam no hospital.
Questionado sobre a expectativa em relação à definição da nova organização responsável pela gestão, Kristian adotou cautela e afirmou que ainda não é possível antecipar o resultado.
“Martelo sobre isso, até lá não se fala, né? Bater martelo sobre isso, definição sobre isso, né? Não, não. Acredito que não. Teremos que esperar até essa data pra essa definição.”
Reabertura das propostas prolongou processo
De acordo com Kristian, uma das etapas de recursos já havia sido encerrada, inclusive com a participação da atual organização na apresentação de questionamentos e defesas.
“Na primeira fase, sim, nós fizemos as defesas, utilizamos a fase do recurso para questionamento de pontuações, enfim, essa fase foi encerrada.”
No entanto, posteriormente surgiu uma nova proposta que não havia sido localizada pelo Estado inicialmente. Por esse motivo, o processo precisou ser reaberto para uma nova análise.
“Surgiu um novo fato que foi uma nova proposta que realmente o Estado não tinha localizado e obrigatoriamente tiveram que reabrir as propostas, serão feitas as análises novamente.”
Segundo o diretor, a possibilidade é de que uma nova fase de recursos também seja aberta. “Não sei de certeza, mas me parece que a fase de recursos vai ser aberta novamente, então por isso que esse período acabou se estendendo.”
Dessa forma, a definição da organização que assumirá a gestão do hospital ainda depende do cumprimento das próximas etapas do processo.
Atual gestão acompanha o processo
Kristian explicou que o Instituto Maria Schmidt possui uma equipe específica responsável pelo acompanhamento do processo. “O Instituto Maria Schmidt tem uma equipe, isso pertence à matriz, que fica monitorando e que fica responsável por isso.”
Segundo ele, a direção do Hospital Regional auxilia a equipe responsável, principalmente em questões relacionadas à realidade da unidade. “Obviamente que nós acompanhamos, nós auxiliamos, mas há uma equipe dentro do Instituto Maria Schmidt, na matriz mesmo, no corporativo, que é responsável por esse acompanhamento, elaboração dos projetos, enfim.”
Incerteza gera preocupação entre profissionais
Um dos principais impactos apontados pelo diretor é a insegurança provocada entre os trabalhadores do hospital.
Kristian reconhece que a indefinição sobre quem administrará a unidade pode influenciar diretamente a permanência de profissionais, principalmente diante de propostas de trabalho feitas por outras instituições. “Há uma certa preocupação de toda a equipe, há uma insegurança profissional, isso causa alguns prejuízos.”
Segundo ele, a direção tem buscado manter reuniões e conversas com os trabalhadores para reduzir os efeitos da indefinição. “Nós tentamos minimizar conversando, fazendo reuniões, tentando tranquilizar, principalmente, as equipes médicas que ficam muito preocupadas.”
O diretor afirma que alguns profissionais acabam recebendo outras propostas e, diante da incerteza, podem optar por deixar a instituição. “Equipes que às vezes recebem outras propostas, e nessa incerteza de que se nós iremos continuar ou não, muitas vezes acabam aceitando essas propostas, acabam saindo da instituição.”
Kristian revelou que uma equipe de especialidades deixou recentemente a instituição, o que aumenta os desafios para a gestão. “Aconteceu recentemente com uma equipe de especialidades, e isso traz dificuldades para uma gestão que já é difícil.”
Diretor também é funcionário do hospital
Kristian destacou ainda que a indefinição também atinge a própria direção da unidade. Segundo ele, os gestores são funcionários e também enfrentam dúvidas em relação ao futuro profissional.
“As pessoas acham que o diretor é o proprietário. Não, eu também sou funcionário, também tenho as minhas atribuições e eu estou no mesmo saco, como se diz.”
Ele afirmou que a situação gera preocupação especialmente em relação aos empregos e às possíveis rescisões contratuais. “Todos nós da direção e da administração somos funcionários e todos nós entendemos essa insegurança em termos do emprego, das rescisões, enfim.”
Apesar das preocupações, Kristian avalia que o processo de transição vem sendo conduzido de forma responsável.
Negociações envolvem Estado, atual OS e Tribunal de Contas
Outro ponto mencionado pelo diretor é a existência de uma mesa de consensualismo envolvendo o Governo do Estado e o Instituto Maria Schmidt, com mediação junto ao Tribunal de Contas.
Segundo Kristian, o objetivo é discutir responsabilidades financeiras e obrigações relacionadas a uma eventual transição. “Tanto o Estado quanto o Instituto Maria Schmidt, atualmente, existe uma mesa de consensualismo que está sendo mediada junto ao Tribunal de Contas.”
O diretor afirma que estão sendo discutidos os valores que cada parte deve e aqueles que eventualmente têm a receber. “O que que cada um deve, o que que cada um tem pra receber, enfim.”
Kristian, que já acompanhou outras mudanças na administração hospitalar, afirma que essa transição apresenta características diferentes das anteriores. “Eu já passei por quatro transições, algumas bem traumáticas com fechamento do hospital e esse risco corre se as duas partes não entrarem num acordo, caso uma possível rescisão e mudança de empresa.”
Apesar disso, ele avalia positivamente a condução das tratativas. “Mas eu acho que está sendo muito bem conduzido dessa vez.”
Relação com sindicato é marcada pelo diálogo
A relação entre a direção do hospital e o sindicato dos trabalhadores também foi abordada durante a entrevista. Kristian afirmou que existe diálogo permanente e transparência entre as partes. “A relação com o sindicato ela é muito boa, é uma relação de transparência, de muita conversa.”
De acordo com o diretor, informações novas são compartilhadas para evitar dúvidas e desencontros. “Todos os fatos novos tanto da parte do sindicato quanto da nossa parte são externados, são sinalizados até para que lá na frente alguém não diga que não foi avisado ou que não sabia.”
Kristian também destacou que o sindicato tem procurado a direção para confirmar informações que circulam sobre o processo de transição. “Sai muita informação desencontrada, sai muitas informações que não são verídicas e o sindicato vem conversar para saber se realmente aquilo procede ou não.”
Segundo ele, a entidade sindical tem papel importante na defesa dos trabalhadores durante uma eventual mudança administrativa. “É o sindicato que acaba indo, muitas vezes, para frente dessas demandas para tentar resolver e minimizar o impacto para o trabalhador.”
Definição ainda depende das próximas etapas
Kristian reforçou que, neste momento, a orientação é aguardar o cumprimento das etapas previstas no processo. “No momento estamos só aguardando realmente os próximos passos.”
A definição da nova Organização Social deverá ocorrer somente após a conclusão das análises, eventuais recursos e demais procedimentos previstos no processo. Até lá, a atual administração segue acompanhando a situação e buscando manter a estabilidade das equipes e dos serviços prestados pelo Hospital Regional de Araranguá.













