Atualização: famílias já começam a voltar para casas, confirma Defesa Civil de Araranguá
Coordenador da Defesa Civil, Alexandre Rezende, afirma que nível do rio baixou e que três a quatro famílias devem retornar para casa ainda hoje; previsão é concluir a realocação até quinta-feira
A situação provocada pela cheia do Rio Araranguá começa a apresentar sinais de melhora no município. Em entrevista à Rádio Araranguá, o coordenador da Defesa Civil de Araranguá, Alexandre Rezende Pereira, informou que o nível do rio baixou de forma significativa e que as equipes já trabalham para possibilitar o retorno gradual das famílias retiradas das áreas atingidas.
Ao todo, segundo Alexandre, 18 famílias foram alojadas no Ginásio Padre Ézio Julli, vindas principalmente dos bairros Barranca e Baixadinha. Outras famílias permaneceram em suas residências, elevando móveis para locais mais altos, enquanto algumas foram encaminhadas para casas de parentes.
Nível do rio baixou, mas Barranca continuou enchendo
Alexandre explicou que, mesmo depois de o Rio Araranguá parar de subir, por volta das 16h de terça-feira, dia 22, o bairro Barranca continuou registrando elevação da água.
“A situação está melhorando, ela diminuiu bastante o nível do rio. Agora pela manhã a gente abriu a comporta do bairro Barranca, a força d’água muito forte saindo do bairro Barranca, tendo em vista que ontem, mesmo com o rio parando de subir às 4 horas da tarde, o bairro Barranca continuou enchendo e muito rápido.”
Segundo o coordenador, houve uma elevação de aproximadamente 50 centímetros no bairro mesmo com o nível do rio já apresentando redução.
Ao todo, Alexandre estima que cerca de 41 famílias foram drasticamente afetadas, considerando aquelas que precisaram ser retiradas, encaminhadas para parentes ou elevaram os móveis dentro das próprias casas.
Barra do Rio Araranguá teve boa vazão
Um dos fatores apontados pelo coordenador para a redução das águas foi a vazão da Barra do Rio Araranguá, que, segundo ele, apresentou condições favoráveis para o escoamento.
“A Barra do Rio Araranguá eu sempre falo que foi muito assertiva quando foi aberta a Barra do Rio Araranguá naquele local ali, que ele pega uma linha reta logo depois da balsa ali e ele segue em direção ao mar com muita força.”
Alexandre explicou que, anteriormente, o rio perdia força ao longo do caminho até o mar, o que favorecia o acúmulo de sedimentos.
De acordo com ele, a força da água durante o episódio de chuva contribuiu para a abertura de um canal na região da barra. “Foi muita chuva, muita água e essa água com a força passou por cima dos combros e acabou abrindo a Barra, acabou levando essa areia, esse sedimento e abrindo um canal muito bom mesmo, que foi o que ajudou o Rio Araranguá.”
Volume de água na bacia foi muito maior
O coordenador também destacou que o volume de água recebido pelo Rio Araranguá não depende apenas da chuva registrada dentro do município.
Segundo Alexandre, Araranguá recebeu 83 milímetros de chuva, enquanto o conjunto de águas que chegou à bacia hidrográfica teria ultrapassado 500 milímetros, considerando a contribuição de diferentes municípios.
“O Rio Araranguá recebeu 83 milímetros de chuva, mas a água que veio de todos os municípios totalizou praticamente 500 milímetros de água descarregados no Rio Araranguá, na bacia do Rio Araranguá.”
Alexandre citou a contribuição de águas vindas de diferentes municípios da região, como Forquilhinha, Criciúma, Içara, Maracajá e Nova Veneza, além das águas provenientes da região do Costão da Serra.
Defesa Civil prepara retorno das famílias
Com a redução do nível da água, as equipes já iniciaram os preparativos para o retorno dos moradores.
O coordenador informou que solicitou dois caminhões-pipa ao Samae para auxiliar na limpeza das ruas atingidas pelo alagamento. “Então a gente trata com os caminhões em algumas ruas, fazendo essa limpeza, tirando esse lodo, para que os moradores possam ir até a sua casa, fazer uma higiene, tem muitos bichos.”
A orientação é que, primeiro, as vias sejam limpas. Depois, os moradores poderão entrar nas casas para realizar a higienização.
A Defesa Civil também pretende disponibilizar kits de higiene e limpeza para auxiliar na desinfecção dos imóveis. “Assim que a rua está limpa, eu libero as famílias para que façam a limpeza nas suas casas, a gente libera um kit de higiene, um kit de limpeza para eles fazerem a desinfecção da casa. E eles fazendo essa limpeza, a gente começa a retornar gradativamente essas famílias para casa novamente.”
A previsão apresentada por Alexandre é que três a quatro famílias retornem para casa ainda nesta quarta-feira, enquanto a expectativa é de que todas possam voltar até o final de quinta-feira, caso as condições permaneçam favoráveis.
Alexandre relata impacto emocional das famílias atingidas
Durante a entrevista, o coordenador também falou sobre o trabalho das equipes durante o período mais crítico da enchente e relatou o impacto emocional provocado pela retirada dos moradores.
Alexandre afirmou que permaneceu aproximadamente 39 horas acompanhando a situação, especialmente diante da rápida elevação da água no bairro Barranca. “O sofrimento das famílias, eles tentam, tentam até o último momento ficar em casa e quando a água invade muito rápido ali, a gente vê o sofrimento, o medo de perder os bens, os móveis, o chão, o eletrodoméstico.”
Ele também destacou que muitas pessoas tentaram permanecer em casa até o último momento para proteger seus pertences. “Isso dói para a gente, isso é ruim. Nem a administração municipal, nem as pessoas não querem isso.”
Governador Jorginho Mello visita Araranguá
Ainda durante a entrevista, Alexandre confirmou a visita do governador Jorginho Mello a Araranguá nesta quarta-feira, dia 23.
Segundo o coordenador, o governador deve chegar ao município por volta das 16h e, acompanhado do prefeito Cesar Cesa e de integrantes da administração municipal, visitar o bairro Barranca para avaliar os impactos provocados pelas chuvas.
“A gente vai receber o governador às quatro horas da tarde, junto com o prefeito César, os secretários da administração, fazer uma visita no bairro Barranca, passar uma avaliação para ele de tudo o que aconteceu.”
Alexandre afirmou que, apesar dos problemas registrados em Araranguá, os impactos foram diferentes daqueles observados em municípios da região do Pé da Serra, como Timbé do Sul.
Segundo ele, o município também registrou desmoronamentos, deslocamento de lajotas e prejuízos materiais provocados pelas chuvas.
Município decretou situação de emergência
Araranguá também decretou situação de emergência diante dos impactos provocados pelas chuvas.
Alexandre contou que conversou com o prefeito Cesar Cesa e recomendou a adoção da medida diante do número de famílias atingidas e dos danos registrados no município.
“Devido às famílias que foram atingidas, todas elas, algumas famílias precisam também desse decreto de emergência pelos seus trabalhos, seus serviços, para justificar, né? E o município também, para justificar todos os serviços que serão feitos, todo o envolvimento da administração.”
O coordenador afirmou que a decisão foi discutida com o chefe de gabinete Sandro Ramos, o secretário Rony da Silva e o prefeito César Cesa.
Com a redução das águas, a prioridade agora passa a ser a limpeza das áreas atingidas, a recuperação dos acessos e o retorno gradual das famílias, mantendo o acompanhamento da Defesa Civil diante da possibilidade de novas alterações nas condições do Rio Araranguá.











