Geral Carreta da Saúde da Mulher chega a Meleiro e atenderá pacientes de 15 municípios por 40 dias

Carreta da Saúde da Mulher chega a Meleiro e atenderá pacientes de 15 municípios por 40 dias

25/08/2026 - 09h15

Estrutura disponibilizada pelo Governo de Santa Catarina realizará mamografias e ultrassonografias para reduzir a fila de espera por exames na região

A carreta da Saúde da Mulher chegou nesta terça-feira, dia 25, a Meleiro, onde permanecerá durante 40 dias para a realização de exames de mamografia e ultrassonografia. A estrutura disponibilizada pelo Governo de Santa Catarina atenderá pacientes dos 15 municípios da região da AMESC, conforme a regulação e as cotas destinadas a cada município.

Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, a secretária municipal de Saúde de Meleiro, Hanna Arns Raupp, explicou que a iniciativa faz parte de um programa estadual voltado à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer.

“É uma honra, né, Saulo, nós recebermos essa carreta do Estado. É um projeto do nosso governador Jorginho, juntamente com a Secretaria de Estado de Saúde, e que é um programa de prevenção para a saúde da mulher”, afirmou.

Segundo a secretária, a carreta não contará com consultas médicas, mas será equipada para a realização dos dois exames. “O Meleiro será a sede para estar recebendo esta carreta, onde tem especialidades no quesito de fazer mamografia e ultrassonografia. Então, não vai vir um médico, não terão as consultas médicas, e sim a execução desses dois exames, que são dois exames fundamentais para a prevenção contra o câncer”, explicou.

Mais de 2,5 mil exames previstos

A distribuição dos atendimentos foi definida pelo Estado levando em consideração o número de habitantes de cada município. Araranguá, por exemplo, receberá 347 ultrassonografias e 463 mamografias.

Meleiro, com aproximadamente sete mil habitantes, foi contemplado com 32 ultrassonografias e 43 mamografias.

Ao todo, conforme Hanna, a ação deverá retirar da fila do CISREG aproximadamente 1.080 ultrassonografias e 1.440 mamografias destinadas aos municípios do Extremo Sul catarinense. “Então, querendo ou não, a gente está tirando um pouco da nossa fila, né? Isso não quer dizer que ela vai ser zerada, mas já ajuda bastante nessa hora”, destacou.

A secretária ressaltou que a demanda por esses exames é elevada e defendeu a importância da realização do rastreamento para identificar possíveis casos de câncer de forma precoce.

“São dois exames que, quando chegam na Unidade Básica de Saúde, são exames que vão rastrear o câncer de mama. E é o câncer que mais mata no Brasil. Então, quando a gente está eliminando, fazendo esse rastreio, com esses dois exames, antes que alguma coisa pior aconteça, nós já estamos ganhando”, afirmou.

Secretária defende maior participação do Estado

Durante a entrevista, Hanna também avaliou a divisão de responsabilidades entre Estado e municípios na oferta de exames especializados. Para ela, procedimentos como mamografia e ultrassonografia deveriam ser disponibilizados com maior rapidez pelo Estado.

“O nosso copo cheio seria que as unidades básicas de saúde, ou os municípios, tivessem esse exame de mamografia e ultrassonografia à disposição. Mas, claro, talvez estejamos distantes disso”, comentou Saulo.

A secretária, porém, apresentou uma visão diferente. “Eu também, eu entendo o teu olhar, Saulo, mas eu não concordo, sabe? Porque, quanto mais nós tiramos responsabilidade que é do Estado executar, mais a gente, como município, precisa remar para atender a nossa população. Eu visualizo que a ordem está contrária”, afirmou.

Segundo Hanna, os exames eletivos são de responsabilidade estadual e a demora acaba impactando diretamente os pacientes. “Todos esses exames, mamografia, ultrassonografia e outros exames que são eletivos, é de responsabilidade do Estado, né? Então, a ordem está virada. Então, eu, a minha opinião como gestora, o Estado precisa estar ofertando com mais rapidez. Assim, a gente consegue fazer a prevenção, que é o que cabe a nós, dentro de uma unidade básica de saúde”, defendeu.

A secretária também sugeriu uma descentralização da regulação dos exames. Para ela, a criação de um sistema regionalizado poderia contribuir para reduzir o tempo de espera.

“No momento que a gente coloca uma fila descentralizada, as coisas tendem a fluir muito melhor. Seria uma das soluções, tá? Que eu visualizo, essa descentralização do SISREG”, avaliou.

Atendimento será feito mediante agendamento

A carreta está instalada na Rua Luíza Napoli Canela, número 984, no Centro de Meleiro, ao lado da Delegacia e junto ao Pavilhão do Arroz.

A secretária explicou que os pacientes não devem procurar o local espontaneamente. Os atendimentos seguem a regulação estadual e os pacientes são chamados conforme a fila e a classificação.

“É a regulação que faz esse agendamento. Então, cada município, todos os dias, tem que entrar na regulação e ver os pacientes que aquele dia o Estado regulou. Então, ele vai pegar o seu transporte e vai trazer o paciente até nós”, explicou.

A previsão é de aproximadamente 40 exames por dia durante os 40 dias de permanência da estrutura.

Hanna reforçou que não haverá atendimento por ordem de chegada. “É horário agendado, tá, Saulo? Muitas pessoas vêm muito cedo, só que é horário agendado. Se marcou para as 8h, 15 minutos antes, sempre do horário, mas é às 8h. Não é por ordem de chegar, tampouco demanda livre.”

Ela também esclareceu uma dúvida frequente entre os moradores: não basta comparecer à carreta para realizar um exame. “Nós continuamos seguindo a fila de classificação pelo CISREG. Claro, não tem essa de pular fila, não adianta chegar às seis da manhã se o exame é às oito, vai ser atendido às oito”, reforçou.

Faltas prejudicam pacientes que aguardam na fila

Outro assunto abordado durante a entrevista foi o número de pacientes que deixam de comparecer a consultas e exames previamente agendados.

Segundo a secretária, o problema também ocorre em Meleiro e pode representar um desperdício de recursos e, principalmente, de oportunidades para outros pacientes que aguardam atendimento. “Eu falo muito sobre direitos, a gente tem, e a gente, o paciente, ele tem muito direito, mas também tem os deveres, e a gente não pode deixar de falar”, afirmou.

Hanna relatou que, em determinados meses, somente uma das unidades básicas do município registra cerca de 100 faltas a consultas. “Tem meses que é 100 pessoas que não vão a consulta médica, ou com ginecologista, ou com psiquiatra. Então, é algo que deixa a gente muito triste”, contou.

A secretária destacou ainda que muitas vezes o paciente deixa de comparecer simplesmente porque o sintoma desapareceu ou porque conseguiu realizar o atendimento por outra via. “Por exemplo, assim, não estou mais com aquela dor. Ah, então eu não vou lá mais, lá no médico, porque já passou. Isso é muito comum”, relatou.

Telesaúde pode ajudar a reduzir faltas

Para enfrentar o problema, a Secretaria de Saúde de Meleiro passou a utilizar o Telesaúde e pretende implementar mecanismos de comunicação com os pacientes antes dos atendimentos.

A ideia é enviar mensagens automáticas para lembrar sobre consultas e exames e permitir que o paciente comunique antecipadamente caso não possa comparecer.

“Vou implantar aquelas mensagens automáticas um dia antes, para aquele paciente não esquecer. Ou que possa cancelar, se tem vergonha de dizer para a gente de saúde, ou ligar, não vou poder ir, mas de repente no aplicativo faz o cancelamento e dá tempo ainda da gente inserir uma outra pessoa”, explicou.

Para Hanna, esse tipo de comunicação pode contribuir diretamente para diminuir o tempo de espera. “E é exatamente isso que acontece, tá? Por exemplo, assim, não estou mais com aquela dor. Ah, então eu não vou lá mais, lá no médico, porque já passou. Isso é muito comum”, reforçou.

Integração entre prefeitura e hospital

Durante a entrevista, a secretária também falou sobre a relação entre a Secretaria Municipal de Saúde e o Hospital São Judas, de Meleiro. Segundo Hanna, o município mantém convênio com a instituição, que atende pacientes pelo SUS e também executa serviços contratados pela prefeitura.

Para ela, além dos contratos e responsabilidades formais, a integração entre as equipes é fundamental para garantir um atendimento de qualidade. “Quando a gente tem uma gestão alinhada, a gente consegue não culpar nenhum tipo de serviço. Que é o posto que está errado ou que é o hospital que está errado. Mas quando a gente tem uma relação boa entre gestão, entre equipes, quem ganha é toda a população que adentra ao hospital”, destacou.

A secretária também ressaltou a estrutura hospitalar disponível na região e citou instituições de diferentes municípios que servem como referência para os moradores do Extremo Sul.

Prevenção também precisa alcançar a saúde do homem

A entrevista também abordou a importância de ampliar o debate sobre a prevenção do câncer de próstata.

Hanna destacou que, embora as campanhas de saúde da mulher tenham grande visibilidade, é necessário estimular os homens a procurarem atendimento médico preventivo. “Câncer de mama, câncer de próstata, que a gente não pode deixar de ser falado, que se fala muito pouco da saúde do homem”, afirmou.

Ela lembrou que ainda existe resistência entre os homens em relação à procura por atendimento médico. “A mulher vai lá, faz seus exames, não tem o homem, só arrastado pra ir pro médico”, comentou.

A secretária reforçou que a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais para aumentar as possibilidades de tratamento.

Carreta ajuda a reduzir demanda, mas não resolve toda a fila

Apesar de considerar a chegada da carreta uma iniciativa importante, Hanna ressaltou que a ação representa um reforço temporário e não elimina a necessidade de ampliar a oferta permanente de exames.

A estrutura permanecerá em Meleiro por 40 dias, atendendo pacientes de todos os municípios da AMESC conforme a regulação.

Para a secretária, o principal objetivo deve ser tornar o sistema mais resolutivo e rápido, especialmente em casos relacionados ao câncer. “Então, querendo ou não, a gente está tirando um pouco da nossa fila, né? Isso não quer dizer que ela vai ser zerada, mas já ajuda bastante nessa hora”, afirmou.

A chegada da carreta também ocorre antes do período tradicional das campanhas do Outubro Rosa, o que, segundo Hanna, pode ajudar os municípios a reduzir a demanda acumulada antes do mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama. “Como veio essa carreta antes de outubro, acaba ficando melhor para os municípios, né? Mais em conta”, concluiu.