De Sombrio para o país: doce de leite da La Fattoria recebe selo inédito na Amesc e será vendido em todo território nacional
Uma receita mantida por muitas gerações que está conquistando os consumidores do Sul do Estado, agora vai estar na mesa de milhares de brasileiros. De Sombrio para o mercado nacional, o doce de Leite produzido, de forma artesanal, pela La Fattoria, agora poderá ser comercializado em todo o território nacional com recebimento o Selo Arte.
No 95.5 Entrevista dessa quinta-feira, 07, o jovem empresário Juan Sérgio Bez, de apenas 23 anos, que é formado em Tecnologia de Alimentos pelo Instituto Federal Catarinense, contou como foi a evolução da empresa La Fattoria.
“A receita já está na família há muitas gerações. É uma receita da minha bisavó. Minha avó aprendeu e durante a pandemia, assim que eu finalizei meus estudos, eu estava em busca de emprego. O mercado de trabalho estava difícil e eu vim para a fazenda para ajudar meus avós, que já têm um pouco mais de idade. Nos dias de chuva a gente acabava não trabalhando e íamos para o fogão à lenha preparar doce de lei”.
E esse passatempo acabou se transformando em um negócio rentável. “Começamos a receber alguns amigos em casa, servíamos o doce e o pessoal gostava muito. Nisso eles começaram a pedir para comprar doce de leite. Me perguntavam se eu conseguia colocar em um pote e vender à quilo. Aí resolvi fazer uma embalagem e começar a oferecer para outras pessoas também. Eu mesmo preparei o rótulo baseado no que eu tinha aprendido no Instituto Federal. Preparamos também um Instagram e começamos a divulgar durante a pandemia e fazíamos as entregas em casa. Aos poucos a demanda foi crescendo e surgiu a necessidade de criar a indústria para produzir um volume um pouco maior. Também consegui os selos para que pudéssemos colocar nos mercados e padarias”.
O crescimento também gerou investimento para atender a demanda do mercado. “A intenção era construir essa fábrica dentro da fazenda para que pudéssemos usar a matéria prima local. Uma matéria prima mais fresca possível. Foi quase um ano nessa fase de construção do novo espaço. Tivemos que buscar capital de fora para adquirir maquinário, mas tudo deu certo”, explicou Juan.
Juan deixa claro que o doce de leite da La Fattoria não leva conservantes ou aditivos. A tradição de fabricar o produto da forma mais natural possível é um dos segredos que faz da empresa uma referência no mercado.
“Eu gosto de dizer que eu trabalho com uma matéria que é viva. Se chove ou se dá muito sol, se uma vaca acaba se estressando, tudo isso interfere no leite que vamos receber para produzir. O cuidado que se tem com os animais reflete na qualidade que a gente tem no nosso doce de leite. A ordenha é feita pela manhã. Após isso recolhemos o leite, fazemos as análises necessárias e levamos para a indústria. Lá temos um tacho de cozimento. O leite fica nesse processo por aproximadamente 8 horas. É um processo um pouco mais lento para que o produto tenha o sabor que realmente tem que ter. Hoje usamos apenas açúcar e bicarbonato que é a receita mais pura possível. Depois de pronto, o envase é todo manual, vai para o estoque e no dia seguinte finalizamos toda a produção com rotulagem e tudo mais”.
Recentemente a La Fattoria recebeu o Selo Arte e com isso será possível vender para todo o pais. Katia Casagrande foi a profissional responsável por buscar esse reconhecimento. Ela é engenheira agrônoma e pós-graduada em gestão de pessoas e consultoria de alimentos e é proprietária da Merial Consultoria agrícola. “É um selo de qualidade e identidade de um produto. O registro é feito pelo Ministério da Agricultura, que disponibiliza o selo que aqui em Santa Catarina é delegado à Cidasc. Quando eu conheci o Juan uma preocupação dele era com relação ao produto ser artesanal. Mas como dizer que esse produto é artesanal? Hoje têm legislações que não definem o que é artesanal ou não. Então a gente pode pôr no rótulo e ficar na dúvida, de ser questionado e tudo mais. Sendo assim, uma das medidas que estudamos e encontramos foi o Selo Arte. A La Fattoria preenche todos os requisitos que é ter o produto artesanal, utilizar a matéria prima da própria propriedade e levar em consideração o bem-estar dos animais na própria propriedade. Demos início aos procedimentos para o Selo Arte. Regularizamos alguns documentos, adequamos a legislação nova de tabela nutricional e rotulagem. Com tudo ajustado fomos buscar o selo. Demos entrada no processo. Foi um processo muito rápido com todos os requisitos preenchidos. Em alguns dias tivemos o retorno que recebemos o Selo. Esse foi o primeiro da região da Amesc”, concluiu Kátia.
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