Segurança Defesa Civil de Araranguá prepara simulado de emergência com participação do Exército no bairro Barranca

Defesa Civil de Araranguá prepara simulado de emergência com participação do Exército no bairro Barranca

17/08/2026 - 09h17

Treinamento será realizado no dia 21 e terá cenários de resgate de pessoas e queda de árvore; ação busca preparar equipes para situações de emergência e orientar a população

A Defesa Civil de Araranguá realiza, no dia 21, um simulado de emergência no bairro Barranca, com a participação do Exército Brasileiro, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, equipes municipais e demais integrantes do Grupo de Ações Coordenadas (GRAC).

A atividade terá como objetivo preparar os órgãos públicos para uma eventual situação de desastre e testar, na prática, os procedimentos de acionamento, deslocamento e atendimento às vítimas.

Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o coordenador da Defesa Civil de Araranguá, Alexandre Rezende Pereira, explicou que o exercício será realizado como se fosse uma ocorrência real.

“Dois motivos eu tenho para estar aqui hoje, um é para alertar a população da nossa cidade, que vai haver esse, vamos dizer, simulado, agora dia 21, e com certeza um simulado como se fosse real, com vítimas, figurantes, vai ter todo um acionamento normal.”

Segundo Alexandre, a Defesa Civil preparará dois cenários para o treinamento. No primeiro, será simulado o resgate de um homem e uma criança que estejam impossibilitados de deixar uma residência. No segundo momento, haverá uma ocorrência envolvendo queda de árvore e pessoas atingidas.

“A Defesa Civil vai preparar todo o cenário, que são dois cenários, um cenário de salvamento de um senhor com uma criança acamado, cadeirante, ou ficou impossibilitado de sair, e um segundo cenário, depois desse, uma queda de árvore com pessoas embaixo, então vai envolver maquinário, motosserra, como se fosse real.”

Exército será acionado durante o exercício

Uma das particularidades do treinamento será justamente a participação do Exército Brasileiro. De acordo com Alexandre, os militares estarão alojados em Turvo e uma equipe ficará em Araranguá. O objetivo é testar também o sistema de acionamento da força militar em uma situação de emergência.

“A partir do momento que estiver tudo pronto, eu, como coordenador da Defesa Civil, vou ligar para o comandante do Exército e solicitar apoio. Comandante, tivemos um problema, um incidente, precisamos do apoio do Exército imediatamente.”

A partir do chamado, o comandante em Turvo deverá acionar a equipe posicionada em Araranguá, dando início ao deslocamento das viaturas.

Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros também serão comunicados e convidados a participar do exercício, além dos integrantes do GRAC. “Vamos fazer todo esse simulado real, e vai haver filmagem, vai haver o pessoal passando esses vídeos, e às vezes a população que não sabe o que está acontecendo pode ficar preocupada.”

Por isso, Alexandre reforçou que a população não deve se assustar com a movimentação de veículos, sirenes e equipes durante a manhã do treinamento. “Então isso é apenas um simulado, que vai durar agora sexta-feira, dia 21, das oito da manhã ao meio-dia.”

O coordenador voltou a destacar a importância de avisar previamente os moradores. “Então a gente quer avisar a população que é importante que saibam, que é um treinamento do Exército Brasileiro junto com a Defesa Civil.”

Exército procurou a Defesa Civil

Segundo Alexandre, a iniciativa de realizar o treinamento partiu do próprio Exército Brasileiro. A Defesa Civil estudava a possibilidade de procurar a instituição para discutir a utilização de equipamentos militares em situações de emergência, mas os militares anteciparam o contato.

“A Defesa Civil estava se programando para conversar com o Exército, solicitar os carros anfíbios, caso necessário, lá na frente. Eu acho que uma semana antes. Não chegou a nós ir falar com eles, eles procuraram.”

Alexandre relatou que o Exército solicitou uma reunião com a Defesa Civil e, posteriormente, também com o prefeito de Araranguá. A intenção é conhecer a estrutura do município e estabelecer canais de comunicação para agilizar uma eventual resposta.

“Devido a toda essa projeção, o Exército Brasileiro está se mobilizando e fazendo treinamento para conhecer o município, conhecer os locais de… Quando chegar já vem.”

O coordenador também destacou a troca de contatos entre as instituições. “O comandante do Exército pegou o número do meu celular pessoal, o número do celular da Defesa Civil, eu peguei o número do celular dele, assim como ele deve estar fazendo nos outros municípios.”

Para Alexandre, a preparação antecipada pode fazer diferença em uma emergência. “Está sendo tudo trabalhado de uma forma para que seja rápido, para minimizar os impactos e principalmente salvar uma vida, se necessário, tomara que não seja necessário.”

Defesa Civil reforça estrutura e equipamentos

Durante a entrevista, Alexandre também apresentou um panorama da estrutura atual da Defesa Civil de Araranguá. Segundo ele, o município avançou na organização documental, nos planos de contingência e na formação das equipes que poderão atuar durante uma situação de crise.

“A Defesa Civil a gente conseguiu estruturar ela com todo o apoio do Governo Municipal. A gente está com a estrutura hoje documental toda montada, nosso plano de contingência todo pronto, nosso plano de ação todo pronto.”

O município também conta com o GRAC (Grupo de Ações Coordenadas), formado para atuar em momentos de crise.

“O GRAC, que foi uma lei nova que foi criada agora, que tem essa exigência nos municípios, é o Grupo de Ações Coordenadas, que é convocado em momentos de crise, em momentos de algum momento climático.”

De acordo com o coordenador, o grupo reúne representantes de diferentes áreas e forças de segurança. “Está formado também, com as três forças policiais e a secretaria.”

Entre os novos equipamentos, a Defesa Civil recebeu uma caminhonete com tração 4×4 e adquiriu um drone com tecnologia para auxiliar no monitoramento, inclusive durante a noite. “Além disso, a gente comprou agora também um drone, um drone de última geração, com infravermelho para movimentos à noite, se precisar.”

Alexandre explicou ainda que 20 servidores municipais estão à disposição da Defesa Civil para serem mobilizados durante situações climáticas. “A qualquer momento que acontecer alguma coisa relacionada a climático, a gente aciona esse grupo, que é um grupo que está montado já, aciona o grupo e esses 20 funcionários fazem parte da Defesa Civil naquele momento, até que se passa aquele momento de crise.”

Município prepara estoque para situações de emergência

Outra frente destacada pelo coordenador foi a preparação dos materiais de ajuda humanitária. Segundo ele, o município realizou licitações e criou registros de preços para garantir que os produtos possam ser solicitados rapidamente quando necessário.

Entre os itens estão colchões, kits de limpeza, kits de higiene, lonas, telhas, edredons e travesseiros.

“Já saiu até os ganhadores agora da ajuda humanitária, que compõem kit de limpeza completo, um balde, vassoura, rodinho, tudo, kit de higiene pessoal infantil, a gente separou o infantil do adulto.”

Alexandre explicou que o objetivo é evitar que a administração tenha de começar todo o processo de compra somente depois que uma emergência acontecer. “As pessoas têm que entender que no serviço público é diferente, tem que ter a licitação, tem que ter essa garantia, na hora você não consegue fazer.”

Segundo ele, a estratégia é manter parte dos materiais previamente disponíveis. “A gente fez essas todas as licitações para estar pronta, então ligou, tem 72h, mas antes eu já vou fazer esse pedido, vai ficar no depósito guardado.”

Chuvas provocaram ocorrências pontuais

Antes de abordar o simulado, Alexandre também relatou ocorrências registradas durante o período de chuvas. Uma delas aconteceu na comunidade de Sanga do Marco, onde o rompimento de uma tubulação provocou alagamentos em residências.

“Na Sanga do Marco, na sexta-feira, foi um chamado, porque uma tubulação se rompeu e acabou invadindo ali as casas mais baixas da primeira rua ali.”

Segundo o coordenador, aproximadamente 15 a 20 casas chegaram a registrar entrada de água. “Então eram de umas 15, 20 casas que já estavam com água entrando dentro de casas, algumas até com palmo dentro de casas de água.”

A Defesa Civil utilizou um trator e uma bomba para auxiliar no escoamento. “Então a gente teve que fazer uma intervenção com o trator e a bomba de água para transferir a água de um local para outro devido a um problema nessa tubulação que rompeu.”

Alexandre afirmou que os moradores não precisaram deixar as residências porque a intervenção foi realizada rapidamente. No entanto, o problema voltou a ocorrer no dia seguinte.

O coordenador também relatou preocupação com a presença de água contaminada e com a situação de um cavalo encontrado no local. Segundo ele, a Vigilância Sanitária seria acionada para avaliar as condições. “Eu vou acionar a Vigilância Sanitária agora pela manhã para fiscalizar a questão das fossas também lá e também a questão do cavalo lá.”

Defesa Civil monitora áreas de risco

Apesar do volume de chuva registrado, Alexandre avaliou que o rio Araranguá apresentou comportamento considerado satisfatório durante o período. “O rio se comportou bem. A nossa região aqui é uma região que se choveu uma semana daquele tipo ali, não acontece nada com o nosso rio Araranguá.”

Ele ressaltou, entretanto, que o comportamento do rio depende também das águas que chegam de outros municípios. “O nosso problema sempre foi Serra, o costão da Serra e os outros municípios todos que vêm para Araranguá.”

O coordenador citou municípios da região que contribuem para o volume de água que chega ao rio Araranguá. “Imagina Criciúma, Içara, Forquilhinha, todos esses municípios a água acaba vindo para Araranguá, então é onde acaba enchendo o rio Araranguá.”

Durante as chuvas, foram registrados pequenos deslizamentos, buracos, alagamentos pontuais, vistorias em imóveis com rachaduras e árvores com risco de queda.

Alexandre critica divulgação de imagens antigas como se fossem atuais

Outro ponto abordado durante a entrevista foi a circulação de imagens antigas de enchentes e desastres nas redes sociais como se fossem registros atuais.

Para Alexandre, esse tipo de publicação prejudica diretamente o trabalho dos órgãos de emergência. “As pessoas deviam ajudar em vez de atrapalhar, mostrar a realidade para a gente.”

Ele afirmou que as imagens falsas ou fora de contexto provocam preocupação desnecessária entre moradores que possuem familiares em outras regiões. “Daí deixa todo mundo apreensivo, nervoso, agitado. O que a pessoa ganha fazendo isso? Não consigo entender.”

O coordenador também destacou que a equipe perde tempo verificando informações que posteriormente se mostram falsas. “Você está falando desse trabalho da Defesa Civil, né? Você tem sido muito atuante desde que assumiu, Alexandre.”

Ao responder, Alexandre reforçou que prefere trabalhar com informações oficiais e verdadeiras. “Começou com essas fake news, eu deixo de seguir, porque isso não me interessa, o que me interessa são coisas verdadeiras.”

Prevenção é prioridade

Alexandre defendeu que as ações preventivas precisam ser realizadas independentemente de uma eventual confirmação de grandes eventos climáticos. “Tudo que está sendo feito é preciso ser feito, porque a Defesa Civil tem que estar organizada, tem que estar preparada para enfrentar o que pode vir.”

Segundo ele, serviços como limpeza de bocas de lobo, valos e desassoreamento de rios são medidas que precisam fazer parte da rotina do município. “Tudo que está sendo feito precisa ser feito, independente com El Niño ou sem El Niño.”

Entre os trabalhos citados está a limpeza do Rio dos Porcos, que, segundo Alexandre, não recebia esse tipo de intervenção há mais de três décadas. “Como o Rio dos Porcos foi feito, uma limpeza que mais de 30 anos não tinha sido feita.”

A Defesa Civil também acompanha áreas como a Lagoa da Serra, considerada um ponto que merece atenção devido ao risco de avanço da água sobre residências. “A gente está sempre vistoriando o quê? Essas áreas de risco, né? Claro. Que é a Lagoa da Serra, para não invadir as casas da Lagoa da Serra.”

Defesa Civil também recebe denúncias da população

Durante a entrevista, Alexandre afirmou que a população pode procurar a Defesa Civil para comunicar situações de risco. Um exemplo citado foi a situação de pesqueiros que apresentam estruturas deterioradas. “A Defesa Civil pode fazer várias intervenções. Quando se fala em prevenção da vida, ela pode fazer várias intervenções dentro dos seus limites.”

O coordenador afirmou que, mesmo quando determinado problema não está diretamente sob responsabilidade da Defesa Civil, a equipe pode verificar a situação e encaminhá-la ao setor competente. “Isso não quer dizer, e mesmo que não faça parte da Defesa Civil, não quer dizer que eu não possa pegar, ir lá, olhar e chamar a pessoa responsável.”

Alexandre resumiu sua postura diante das ocorrências: “A gente está aqui para atender a população, não para separar, eu faço isso, não vou fazer aquilo, deixa assim.”

“Um erro pode ser fatal”, afirma coordenador

Ao comentar o trabalho de prevenção, Alexandre reconheceu que falhas podem acontecer, mas afirmou que a preparação busca justamente reduzir os riscos. “Erros acontecem, Saulo? Acontecem, mas a gente tem que trabalhar para não acontecer nenhum erro.”

E destacou: “Porque um erro em um momento climático, em uma criança presa dentro de uma casa, ele pode ser fatal e isso eu não vou admitir, eu não vou admitir de forma nenhuma.”

Para o coordenador, o simulado com o Exército e os demais órgãos de segurança representa justamente uma oportunidade para identificar dificuldades antes de uma emergência real.

População deve ficar atenta ao movimento no bairro Barranca

A Defesa Civil reforça que o movimento de viaturas, militares, policiais, bombeiros, sirenes e equipamentos pesados no bairro Barranca durante o treinamento não representa uma ocorrência real.

A ação está prevista para ocorrer no dia 21, das 8h ao meio-dia, com dois cenários de emergência e participação integrada dos órgãos públicos.

Alexandre reforçou o pedido para que os moradores não se assustem caso recebam vídeos ou vejam a movimentação das equipes. “Então não se assustem que é apenas um simulado entre a Defesa Civil, esses órgãos de polícia de Araranguá e o Exército Brasileiro.”

Segundo o coordenador, a intenção é garantir que, diante de uma eventual emergência, as equipes já saibam exatamente como agir e consigam responder com rapidez. “Está sendo tudo trabalhado de uma forma para que seja rápido, para minimizar os impactos e principalmente salvar uma vida, se necessário, tomara que não seja necessário.”

Ao finalizar a entrevista, Alexandre afirmou que a Defesa Civil continuará à disposição para esclarecer dúvidas e manter a população informada. “A gente está aqui para deixar a população tranquila, né? Porque a gente já passa uma semana corrida, trabalhando, preocupado, e aí essa questão do El Niño, ela vai ser frequente agora até final do ano, então sempre que necessário para esclarecer para a população, deixá-la tranquila, a gente estará aqui.”