Diesel caro pressiona setor e ameaça abastecimento em SC, alerta presidente da Fetrancesc
O presidente da Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina), Dagnor Roberto Schneider, traçou um cenário preocupante para o transporte de cargas no estado diante da possibilidade de paralisação dos caminhoneiros e, principalmente, da disparada no preço do óleo diesel. Em entrevista ao apresentador Saulo Machado da Rádio Araranguá, ele destacou que o setor vive um momento “extremamente crítico” e com risco real de colapso.
Segundo Schneider, o principal problema está no forte aumento do diesel, principal insumo da atividade, sem que esse custo tenha sido repassado ao valor dos fretes. Em alguns casos, o combustível representa até 50% do custo operacional do transporte, o que torna qualquer reajuste altamente impactante.
“O cenário é bastante sensível. Tivemos aumentos que chegam a 20% ou até 30% em algumas regiões, e isso não foi incorporado às tarifas de frete. O setor não está mais falando em lucro, mas em não conseguir cobrir o custo da operação”, afirmou.
Paralisação preocupa, mas ainda é incerta
Sobre a possível greve dos caminhoneiros, Schneider explicou que o movimento ainda não tem a mesma organização de paralisações anteriores, como a de 2018. No entanto, há forte insatisfação, especialmente entre os motoristas autônomos.
A orientação inicial, segundo ele, é que caminhoneiros permaneçam parados ou não saiam para trabalhar, o que pode afetar diretamente o abastecimento. “É um momento de aguardar e entender como isso vai evoluir, mas a preocupação é grande”, destacou.
Frete defasado agrava crise
Outro ponto crítico levantado pelo presidente da Fetrancesc é o descumprimento da tabela mínima de frete por parte de grandes embarcadores, o que agrava ainda mais a situação. “Nem sequer a tabela mínima está sendo respeitada. Isso impede que o transportador consiga pagar seus custos básicos. Falta sensibilidade de quem contrata o frete”, criticou.
Ele defende que, diante da crise, seja aplicada uma remuneração extraordinária temporária para equilibrar o setor, até que o cenário se normalize.
Custos acumulados colocam setor no limite
Além do diesel, Schneider lembrou que o transporte de cargas já vinha fragilizado por outros fatores, como as más condições das rodovias brasileiras. “Além disso, mais de 60% das estradas estão regular, ruim ou péssimo, o que eleva os custos de manutenção dos veículos em mais de 30%”.
Com a economia desaquecida e baixa oferta de fretes, o setor acumula prejuízos. “Estamos operando abaixo do custo há algum tempo. Agora, com o diesel, a situação se agravou ainda mais”, disse.
Risco de desabastecimento preocupa
Outro alerta importante feito pelo presidente é quanto ao risco de falta de diesel no Brasil, especialmente por conta da dependência de importação. Cerca de 25% a 30% do combustível consumido no país vem do exterior.
Com tensões internacionais afetando a logística global, há possibilidade de redução no volume disponível. “Além do preço elevado, o mais crítico pode ser o desabastecimento. Isso sim pode colapsar a economia”, afirmou.
Apesar de ainda haver combustível chegando ao país, Schneider não descarta problemas no curto prazo.
Falta de medidas concretas do governo
Por fim, o presidente da Fetrancesc criticou a ausência de ações efetivas por parte do governo. “Medidas como redução de impostos já foram anuladas pelo próprio aumento do diesel e não resolvem o problema estrutural. O que precisa acontecer é simples: qualquer aumento no diesel deve ser imediatamente incorporado ao frete. Sem isso, o sistema entra em colapso”, concluiu.
A situação segue sendo monitorada pelo setor, que aguarda desdobramentos tanto da possível paralisação quanto do cenário internacional que impacta diretamente o custo e a oferta de combustível no país.
Foto capa: InfoMoney







