Esportes Entre dunas, matas e lagoas: Balneário Ilhas recebe a 3ª etapa do Campeonato Catarinense de Orientação 2026

Entre dunas, matas e lagoas: Balneário Ilhas recebe a 3ª etapa do Campeonato Catarinense de Orientação 2026

02/09/2026 - 09h47

Araranguá será palco da 3ª etapa do Campeonato Catarinense de Orientação 2026, nos dias 12 e 13 de setembro, na comunidade do Balneário de Ilhas. A competição é organizada pela Federação Catarinense de Orientação (FCO) e pelo Clube de Orientação do Extremo Sul Catarinense (COrESC), em parceria com a Prefeitura de Araranguá e a Associação de Veteranos do 28º GAC.

Em entrevista à Rádio Araranguá, o Major R/1 Paulo Calisto Becker, presidente do COrESC, e Vanderlei Becker, Capitão R/1 e diretor técnico do clube, destacaram a expectativa para a competição, a estrutura preparada, as características dos percursos e o potencial do evento para unir esporte, natureza, turismo e convivência familiar.

Segundo Paulo Becker, a expectativa é superar o número de participantes registrado no ano passado. “No ano passado, nós tivemos mais de 100 atletas participando, mais ou menos 130. Vamos ver se conseguimos ultrapassar isso. E a orientação está vindo para ficar em Araranguá. Então, isso é um motivo de orgulho para nós e estamos sendo bem acolhidos aqui.”

Esporte que une mapa, bússola e conhecimento do terreno

Para quem ainda não conhece a modalidade, o Major explicou que a orientação surgiu na Europa e foi inicialmente praticada por militares, utilizando mapas e bússolas para percorrer trajetos determinados.

“A orientação é um esporte que veio da Europa em 1970, inicialmente praticado pelos militares pela necessidade de seguir uma rota balizada com mapa e bússola. E ela consiste basicamente em você ter um mapa, uma bússola e seguir um percurso que está marcado no mapa.”

Os percursos são divididos de acordo com o nível técnico dos participantes. Há opções para iniciantes e categorias mais difíceis, além da categoria Elite. “Para iniciantes, considerada a categoria N, para o nível difícil, que é a categoria B, e muito difícil, para a categoria A. Os iniciantes, assim, nós montamos as etapas e os percursos, você não coloca normalmente mato adentro, porque senão ele vai começar a pegar um percurso difícil, ele vai fazer uma vez e vai dizer ‘não é para mim isso aqui’. Conforme vai aprendendo, aí então ele vai aumentando a dificuldade.”

Participação de atletas de diferentes estados

A etapa em Araranguá deve reunir competidores de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, além de atletas de outros estados.

Vanderlei Becker explicou que o intercâmbio entre os clubes da região Sul é uma das características da modalidade. “Como nos outros anos, vem pessoal do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Eventualmente, vem até uns de São Paulo ou de outros estados, mas assim concentra mais a região sul. A maioria, claro, é de Santa Catarina.”

O diretor técnico também destacou a participação de clubes de diferentes cidades. “Muito importante para nós, porque estamos aqui no extremo sul catarinense. Então, eles estão aproveitando as nossas etapas e nós também aproveitamos as etapas deles.”

Programação começa no sábado

A programação da competição inicia no sábado, dia 12 de setembro, com uma atividade gratuita pela manhã para quem quiser conhecer e experimentar a modalidade.

De acordo com Paulo Becker: “No sábado de manhã, dia 12, na parte da manhã, nós temos gratuitamente, para quem quiser testar, um sistema chinês, de apuração eletrônica e de percursos eletrônicos.”

À tarde, a partir das 14 horas, será realizado o percurso médio. Já no domingo, dia 13, as atividades começam às 9 horas, com o percurso longo e o encerramento da competição. “De tarde, 14 horas, o percurso médio, tá, um nível técnico bom, né, devendo, valendo de acordo com as categorias. No domingo, daí 9 horas, nós temos o percurso longo e o encerramento das atividades.”

Área de competição terá mapas inéditos

Um dos diferenciais da etapa será a utilização de áreas com mapas inéditos. A competição será realizada em uma propriedade na localidade conhecida como João da Ilha.

Paulo Becker ressaltou a importância da parceria com o proprietário da área. “Então, vai ser lá na localidade do João da Ilha, a quem eu agradeço profundamente. O João da Ilha, ele abriu as porteiras para nós, né, vai até lá na lagoa, toda a área.”

O Major também explicou que o clube vem ampliando o mapeamento do local. “Nós fizemos uma parte do mapa o ano passado, estamos fazendo a segunda parte do mapa e vamos fazer mais outras competições, todas, todas sem exceção com mapas inéditos, porque a área dele é uma área muito boa para a prática da orientação.”

A característica do terreno também favorece diferentes níveis de dificuldade. “Ela tem que ter uma variação de floresta nativa, de eucaliptos, pinos, aqui nós temos um pouco de dunas ali, o desnível ali é praticamente zero, tá. Então, isso facilita a corrida dos atletas, né. Enquanto aí, o que a gente procura dar mais ênfase? No nível técnico.”

Bússola e equipamentos eletrônicos

Além do mapa, a bússola é um dos principais instrumentos utilizados pelos atletas. Paulo Becker explicou que atualmente muitos competidores utilizam a chamada bússola de dedo.

“Ela vai aqui no dedo, então tu não precisas estar mexendo-a, por exemplo, né, com ela aqui na mão, a outra lá, a outra tu tens que carregar aqui. E essa de dedo não, ela vai acoplada.”

A competição também utiliza equipamentos eletrônicos para registrar a passagem dos atletas pelos pontos de controle. “É o equipamento eletrônico que vai bipar, que a gente chama, passar no ponto e dizer que ele marcou a sua passagem lá.”

Ao final do percurso, os dados são descarregados e permitem verificar se todos os pontos foram corretamente registrados. “No final ele vai descarregar isso aqui, por exemplo, uma pista com 12, 15 pontos, e o sistema vai dizer, não, ele não errou nada.”

Esporte também é turismo e lazer em família

Além do aspecto competitivo, Paulo Becker destacou que a orientação possui diferentes vertentes, incluindo o turismo e a participação familiar.

“E a orientação, já nas belezas naturais, nós temos uma vertente que é turística, para a pessoa conhecer esses lugares assim. Temos uma vertente competitiva, que é justamente para competir entre os vários atletas de uma categoria, temos a vertente geográfica, por exemplo, ele entra ali, ele vai ver a parte da natureza, mas na escala do mapa ele pode ver distâncias, calcular, por exemplo, matematicamente essa distância usando uma escala. E uma vertente, vou dizer assim, familiar, que reúne toda a família para congraçar ali e fazer o percurso que estiver mais adequado.”

A participação também pode ocorrer em duplas. “Pode fazer em dupla. Em dupla a gente aceita, daí ele não é competitivo no caso, né? Vai lá o pai, a esposa, o namorado, o filho, tá? Podem fazer, não tem problema nenhum, a gente chama de dupla.”

Expectativa é superar 130 participantes

A organização espera ultrapassar o número de atletas registrado na edição anterior. Segundo Paulo Becker, cerca de 100 inscrições já estavam confirmadas no momento da entrevista, com expectativa de crescimento até o encerramento das inscrições. “É, como eu falei, a gente quer ultrapassar os 130. Eu acho que uns 100 inscritos nós já temos, que tem algumas inscrições que a gente tem que lançar ainda.”

Ele destacou ainda que os participantes costumam viajar acompanhados, o que amplia o impacto do evento para o município. “O pessoal que vem, normalmente dá 130, 150 atletas, mas vem acompanhado. Marido, esposa, filho. Isso em número, mais que dobra.”

Para o Major, esse movimento contribui diretamente para Araranguá. “Isso aí é bom para a cidade, divulga a cidade, movimenta a economia e mostra as belezas da nossa região.”

Percursos exigem estratégia e preparo físico

A orientação combina corrida, leitura de mapas e tomada de decisões. Por isso, além do preparo físico, o atleta precisa ter capacidade de interpretação e estratégia.

Entre os obstáculos encontrados no terreno estão as valas, que precisam ser corretamente identificadas no mapa. “Na localidade, da área do mapa, nós vamos encontrar muitas valas. Essas valas, elas estão como transponíveis e intransponíveis.”

Paulo Becker explicou que a escolha dos pontos de controle é feita a partir do trabalho de mapeamento da área. “Quando for para colocar os pontos, eleger os pontos, por exemplo, que uma moita, um buraco, uma torre vai ser um ponto de controle, a gente passa por todo o mapa, mas quem nos dá essa condição é o mapeador, o nosso amigo Edson Copete, lá de Porto Belo.”

E elogiou o trabalho realizado na elaboração do mapa: “Ele, para mim, é um artista, porque ele fez em perfeição esse mapa, que está com ele lá ainda. Então, é ele que nos dá essa beleza de escolha de pontos, de rotas, tudo para fazer uma boa competição.”

Como participar

Interessados em conhecer mais sobre o esporte podem buscar informações pelos canais indicados pela organização. Paulo Becker citou o site da Confederação Brasileira de Orientação e o Instagram do COrESC.

Segundo ele, mesmo quem não é filiado pode procurar a organização para participar. “Ali eu consigo direcionar ou para o site fazer inscrição ou quem não é filiado à Confederação Brasileira e ao clube fazer inscrição diretamente comigo. Ninguém vai ficar fora da competição se entrar em contato comigo.”

Agradecimentos

Ao final da entrevista, Paulo Becker fez questão de agradecer aos parceiros envolvidos na realização da etapa em Araranguá, destacando o apoio da administração municipal. “Eu primeiramente quero agradecer o prefeito de Araranguá, o doutor César, ele nos abriu as portas de uma maneira que a gente não consegue entender.”

E também citou o trabalho desenvolvido pelo responsável pelo turismo e planejamento: “E ao Renan, tá? O Renan é gerente de turismo e planejamento, né? Ele que vai em busca de tudo pra nós, então é um inveterado trabalhando pela orientação. Muito obrigado, Deus abençoe”, concluiu.