Educação Estudantes do Sesi recorrem ao acervo do Cedoc para investigar a história do carvão em Criciúma

Estudantes do Sesi recorrem ao acervo do Cedoc para investigar a história do carvão em Criciúma

26/09/2026 - 18h30

A história de Criciúma está fortemente ligada ao carvão. Para conhecer essa trajetória para além dos livros e das narrativas já conhecidas, estudantes da Escola Sesi de Criciúma foram em busca de documentos, fotografias, depoimentos e outras fontes que ajudassem a compreender como a atividade carbonífera transformou a cidade e a vida de quem viveu esse período.

Foi nesse percurso que o Centro de Memória e Documentação (Cedoc) da Unesc passou a fazer parte do projeto “Ouro Negro: As Veias e a Voz de Criciúma”, desenvolvido por estudantes da primeira série da instituição e apresentado na Mostra STEAM do Sesi.

Ainda em maio, 25 estudantes participaram de uma oficina no Cedoc sobre historiografia, fontes históricas e escrita da História. Durante a atividade, eles tiveram contato direto com documentos preservados no acervo, especialmente registros relacionados ao mundo do trabalho, às condições enfrentadas pelos trabalhadores das minas e aos acidentes ocorridos na região carbonífera.

Do documento à construção da História

Além de conhecer documentos antigos, a visita possibilitou aos estudantes perceber que cada registro carrega informações que precisam ser analisadas e relacionadas a outras fontes para que uma narrativa histórica possa ser construída.

A experiência integrou uma investigação mais ampla sobre a formação e as transformações de Criciúma e sua relação com a exploração do carvão. Ao longo do projeto, os estudantes trabalharam com diferentes fontes e linguagens, mobilizando conceitos como memória, história oral e análise documental.

A pesquisa também levou a turma a olhar para personagens que nem sempre aparecem com destaque nas narrativas sobre a mineração. Entre eles estão as escolhedeiras de carvão, mulheres que tiveram participação no cotidiano da atividade carbonífera.

Histórias que nem sempre aparecem nos documentos

Ao tentar conhecer as trajetórias dessas trabalhadoras, os estudantes encontraram uma dificuldade que acabou se tornando uma questão central da própria pesquisa, a pouca presença de registros sobre essas mulheres.

A busca provocou reflexões sobre a maneira como a História é registrada e preservada e sobre quais personagens acabam aparecendo com maior frequência nos documentos. Assim, a ausência de determinadas informações também passou a ser compreendida como parte da investigação.

A pesquisa permitiu aos estudantes perceber que conhecer o passado não significa apenas encontrar respostas prontas, mas também fazer perguntas aos documentos e compreender os silêncios existentes entre os registros.

Diferentes formas de contar Criciúma

Os resultados da pesquisa foram apresentados na Mostra STEAM por meio de cartazes, produções artísticas, maquetes e uma proposta de narrativa em realidade virtual. As diferentes linguagens ajudaram a apresentar aspectos da história do carvão relacionados às relações de trabalho, à participação das mulheres, às transformações do território, ao patrimônio e à memória de Criciúma.

Nesse processo, o acervo do Cedoc esteve inserido em uma experiência que aproximou os estudantes das fontes históricas e mostrou que documentos preservados hoje podem ajudar a compreender as pessoas, os espaços e as relações que fizeram parte da construção da cidade.

No projeto “Ouro Negro: As Veias e a Voz de Criciúma”, pesquisar a história do carvão significou, para os estudantes, olhar para diferentes vestígios do passado e perceber que cada documento pode revelar uma parte dessa trajetória. Entre registros preservados, relatos e histórias que ainda precisam ser encontradas, a pesquisa também abriu espaço para refletir sobre a memória que Criciúma escolhe guardar e transmitir às próximas gerações.