Política Futuro comando da Assembleia: quem irá substituir Julio Garcia e seu notável perfil de liderança

Futuro comando da Assembleia: quem irá substituir Julio Garcia e seu notável perfil de liderança

01/06/2026 - 09h36

Desde a confirmação da pré-candidatura do presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Julio Garcia, à Câmara dos Deputados, iniciou-se nos bastidores da política catarinense a dúvida: quem será seu substituto? O movimento ganhou mais um capítulo nesta semana, durante evento realizado em Forquilhinha, quando o prefeito Neguinho declarou apoio público às pré-candidaturas de Julio Garcia para deputado federal e de Rodrigo Minotto para a Assembleia Legislativa.

Para o analista político Upiara Boschi, o fato simboliza algo maior do que uma simples articulação eleitoral: representa o encerramento de uma das mais marcantes trajetórias da história recente do Parlamento catarinense.

“Vai se consolidando o fim do ciclo de Julio Garcia como deputado estadual”, observou Upiara.

Ao longo de décadas de vida pública, Julio Garcia construiu uma posição singular na política catarinense. Presidente da Assembleia Legislativa em quatro oportunidades, participou de momentos decisivos da história do Estado, atravessando diferentes governos e conjunturas políticas. Entre uma passagem e outra pelo Parlamento, atuou durante dez anos como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, retornando posteriormente à política eleitoral para reassumir protagonismo na Alesc.

Mais do que os cargos ocupados, porém, Julio Garcia consolidou um estilo próprio de liderança. Diferentemente de períodos marcados por disputas internas mais intensas, sua condução da Assembleia ficou conhecida pela capacidade de diálogo, construção de consensos e acomodação de diferentes correntes partidárias.

Segundo Upiara Boschi, essa característica ajudou a transformar a Alesc em um ambiente político menos agitado do que outras casas legislativas do país.

“Julio Garcia virou um tipo de liderança de acomodação, de baixar a fervura, de dar espaço a todos os partidos para compor a mesa. É um estilo que tornou a Assembleia um terreno mais leve na política catarinense”, avaliou.

A influência construída ao longo dos anos faz com que sua saída gere uma série de questionamentos sobre o futuro do Legislativo estadual. O principal deles é quem ocupará o espaço político deixado por uma liderança que se tornou referência na mediação de interesses e na condução dos trabalhos parlamentares.

A discussão também já avança para a sucessão na presidência da Assembleia. Embora a definição dependa da composição das bancadas após as eleições de outubro, alguns nomes começam a circular nos bastidores. Entre eles está o atual vice-presidente da Casa, Fernando Krelling, além de lideranças experientes como Mauro de Nadal.

O cenário, no entanto, estará diretamente ligado ao resultado da disputa pelo Governo do Estado e à correlação de forças que emergirá das urnas.

Enquanto as articulações para 2027 já movimentam os corredores da política catarinense, uma certeza começa a se consolidar: independentemente do resultado eleitoral, a Assembleia Legislativa viverá uma nova realidade sem a presença de Julio Garcia entre seus deputados.

Após décadas exercendo influência decisiva nos rumos do Parlamento, sua saída marca o encerramento de um ciclo que ajudou a moldar a política catarinense contemporânea e deixa como legado um modelo de liderança baseado na articulação, no diálogo e na construção de consensos.

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