Hospital Regional de Araranguá registra aumento de quase 50% nos atendimentos e opera no limite da capacidade
Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o diretor do Hospital Regional de Araranguá, Cristian Souza, falou sobre a sobrecarga enfrentada pela unidade hospitalar nos últimos meses, especialmente após o fechamento e as restrições de atendimento do Hospital Materno Infantil Santa Catarina.

Segundo o diretor, o hospital vive atualmente um cenário de alta demanda nos setores de Centro Obstétrico, Maternidade, Pediatria e Pronto Atendimento, situação que tem provocado aumento no tempo de espera e elevado a pressão sobre as equipes de saúde.
“O Hospital Regional de Araranguá informa que, neste momento, encontra-se com alta demanda de atendimentos nos setores de Centro Obstétrico, Maternidade, Pediatria e Pronto Atendimento, o que pode ocasionar maior tempo de espera para assistência. Diante das medidas de contingenciamento e restrição progressiva dos atendimentos no Hospital Materno Infantil Santa Catarina, houve aumento significativo da procura pelos serviços de urgência e emergência em nossa unidade”, explicou Cristian.
O diretor destacou que o crescimento da procura por atendimentos de urgência e emergência já vinha sendo percebido desde 2024, mas se intensificou com a situação enfrentada pelo hospital de Criciúma.
“Nossa preocupação é sempre com a segurança do atendimento. De 2024 até o momento tivemos um aumento de quase 50% dos atendimentos do que é porta de pronto-socorro. Isso aumenta também o nosso centro obstétrico. Hoje temos quase 180 partos por mês. Com essa situação do hospital infantil de Criciúma, temos recebido muitas pessoas de outros municípios”, afirmou.
Cristian Souza também chamou atenção para o grande número de pacientes que procuram o hospital com casos considerados de menor complexidade, que poderiam ser atendidos em unidades básicas de saúde ou UPAs.
“Temos hoje quase 60% de pacientes que seriam vocacionados para postos de saúde ou UPA. Entretanto, como temos sempre a porta aberta, acabamos atendendo esses pacientes. Com isso, pedimos a colaboração da população, para que procure, dependendo do seu caso, as unidades de pronto atendimento primeiro. Porque já estamos com a demanda muito alta. Nesse momento estamos com a demanda em sua capacidade máxima”, relatou.
Apesar da pressão enfrentada diariamente, o diretor ressaltou os indicadores positivos alcançados pela região na área da saúde, especialmente na redução da mortalidade infantil. “A gente não consegue atender as expectativas de todos os pacientes. Entretanto, nossa região é a segunda menor em mortalidade infantil. Ou seja, temos um índice muito abaixo comparado ao nacional. Sabemos dos critérios e regras do sistema SUS. Ainda assim, garantimos com números que nosso serviço é de qualidade e segurança”, destacou.
Durante a entrevista, Cristian também comentou sobre os desafios estruturais da saúde pública regional e defendeu investimentos em novas portas de atendimento e diagnóstico para aliviar a pressão sobre o Hospital Regional e a UPA.
Regionalização da Saúde
“O funcionamento do hospital é muito complexo. Isso exige regras claras. Vamos continuar atendendo, mas pedimos a colaboração da população. Se de fato houver a regionalização da saúde, vai ajudar parcialmente. Até porque vai regular para alguns serviços, mas se não tiver os serviços aqui na região, o paciente segue indo para a fila estadual”, explicou.
O diretor alertou ainda para o crescimento populacional do Extremo Sul catarinense e afirmou que o atual sistema já opera no limite. “Nossa região está crescendo muito. A saúde é a mais importante. Temos muitas cirurgias eletivas. Mas quando falamos em urgência e emergência, precisamos pensar em alguma outra alternativa na região, porque estamos trabalhando em nosso limite. Precisamos de mais portas diagnósticas. Hoje só temos duas: o Hospital Regional e a UPA”, concluiu.













