Julio Garcia defende experiência na Alesc e apresenta propostas para mandato na Câmara Federal
Candidato a deputado federal pelo PSD foi entrevistado por Saulo Machado e falou sobre segurança, saúde, autismo, atuação parlamentar e polarização política
Dando sequência à série de entrevistas com candidatos nas Eleições 2026, a Rádio Araranguá recebeu, na manhã desta segunda-feira (31), o candidato a deputado federal pelo PSD, Julio Garcia. Presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina e com sete mandatos como deputado estadual, Julio falou sobre a decisão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados e apresentou propostas para um eventual mandato em Brasília.
Durante os 20 minutos de entrevista, conduzida pelo apresentador Saulo Machado, o candidato abordou temas como violência contra a mulher, segurança pública, combate ao crime organizado, investimentos para o Sul de Santa Catarina, atendimento às pessoas com autismo, saúde pública e a polarização política.
Julio Garcia explica decisão de disputar uma vaga na Câmara Federal
Questionado por Saulo Machado sobre os motivos que o levaram a disputar uma vaga de deputado federal, Julio Garcia afirmou que considera encerrado seu ciclo na Assembleia Legislativa, onde exerce o sétimo mandato e já ocupou a presidência da Casa por quatro vezes. “A vida da gente é feita de ciclos, né, e eu entendi que o meu ciclo na Assembleia Legislativa estava esgotado.”
Segundo o candidato, a decisão também levou em consideração a possibilidade de outras pessoas do seu grupo político disputarem uma vaga na Assembleia. “No dia 31 de janeiro eu encerro o meu sétimo mandato como deputado estadual. Quatro vezes presidente da Assembleia.”
Garcia afirmou que poderia ter optado por não disputar a eleição, mas decidiu colocar sua experiência à disposição de um novo mandato. “Poderia não ter disputado a eleição, mas acho que toda a experiência que eu adquiri, a minha vivência política, o aprendizado, podem servir por mais um mandato, caso seja exitoso na disputa à Câmara Federal, no sentido de dar a minha contribuição à Santa Catarina e ao Brasil agora como deputado federal.”
O candidato também afirmou que pretende realizar um mandato voltado à contribuição para o Estado e para o país. “Quero, se eleito, fazer um mandato realmente que honre as tradições de Santa Catarina e que possa, de alguma forma, contribuir para um momento tão difícil porque passa o Brasil.”
Sobre sua atuação em Brasília, Garcia afirmou que pretende fazer sua parte entre os 513 deputados federais. “Eu vou fazer a minha parte, eu vou dar a minha contribuição e fazer a minha parte. Eu tenho certeza absoluta que, se cada um fizer a sua parte, por menor que seja a sua contribuição, ela sendo positiva, ela ajuda a construir uma sociedade melhor.”
Violência contra a mulher
A violência contra a mulher também esteve entre os temas abordados na entrevista. Julio Garcia defendeu o aumento das penas para os autores desse tipo de crime e citou como positiva uma proposta que prevê a transferência do patrimônio do agressor para a mulher e os filhos. “Violência contra a mulher é preciso, em primeiro lugar, aumentar as penas.”
O candidato classificou o feminicídio e a violência doméstica como uma situação inadmissível e lembrou ações realizadas durante sua passagem pela presidência da Assembleia Legislativa. “É inadmissível essa covardia do feminicídio e da violência contra a mulher, que assola o Brasil e não é diferente em Santa Catarina.”
“Nós fizemos na Assembleia Legislativa manifestações em relação a isso, fizemos uma semana como um sinal de protesto a tudo isso que acontece em Santa Catarina.”
Garcia também defendeu que as vítimas sejam estimuladas a denunciar e destacou a importância da participação da comunidade. “Eu acho que as penas são muito brandas e é preciso também que haja consciência para que as denúncias aconteçam.”
Para ele, familiares e vizinhos podem ter papel importante na prevenção de casos mais graves. “Às vezes uma denúncia de um vizinho, às vezes o apoio de um vizinho, pode perfeitamente, de um familiar, pode perfeitamente ajudar a que aquilo não venha a ocorrer.”
Segurança pública e combate às facções
Na sequência, Saulo Machado questionou o candidato sobre segurança pública, incluindo a discussão envolvendo as chamadas “saidinhas” de presos e a classificação de organizações criminosas como terroristas pelo governo dos Estados Unidos.
Garcia afirmou que o Brasil precisa ampliar a atenção dada à segurança, principalmente em relação à atuação das facções criminosas. “Eu acho que o Brasil precisa cuidar um pouco melhor da área de segurança, de modo especial em relação às facções.”
O candidato citou a expansão da atuação de organizações criminosas para diferentes áreas do país como motivo de preocupação. “As facções estão tomando conta do Brasil nas áreas urbanas e agora também na Amazônia. De modo que essa é uma grande preocupação.”
Sobre a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Garcia classificou a iniciativa como uma interferência que, na sua avaliação, não deveria ser aceita pelo Brasil. “Eu acho que essa intromissão nós não devemos aceitar.”
Para o candidato, o governo brasileiro precisa atuar para impedir o avanço das facções, utilizando efetivo policial, ações de inteligência e tecnologia. “É preciso que o governo federal tome providência no sentido de que não haja essa expansão das facções e que a gente dê uma atenção toda especial à segurança pública através de efetivos, através de ações e através também de tecnologia.”
Questionado sobre a possibilidade de o crime organizado financiar candidaturas para influenciar o Congresso Nacional, Garcia disse acreditar que o número de parlamentares comprometidos com as facções não seria suficiente para impedir a aprovação de medidas contra a criminalidade.
“É preciso que aqueles que não têm comprometimento com essas facções, que não têm comprometimento com o crime organizado, que eles tenham a coragem de fazer e que tenham coragem de votar e destravar essas pautas.”
Compromisso com o Sul de Santa Catarina
Questionado sobre como pretende atuar caso seja eleito deputado federal, especialmente em relação ao Extremo Sul, Julio Garcia afirmou que sua atuação continuará voltada às demandas da região.
Ele ressaltou, porém, que o parlamentar eleito representa todo o Estado. “Eu como deputado estadual, o deputado não é deputado de uma região, ele é deputado do estado de Santa Catarina.”
Garcia afirmou que, apesar disso, seu histórico de atuação é fortemente ligado ao Sul. “Todos sabem do meu trabalho em favor do Sul, todos sabem do meu comprometimento, o meu domicílio eleitoral é no Sul de Santa Catarina, mais precisamente na cidade de Criciúma.”
Segundo o candidato, esse compromisso será mantido caso chegue à Câmara dos Deputados. “O meu compromisso com o Sul como deputado federal, ele permanece tanto quanto nos períodos que eu fui deputado estadual.”
Ele acrescentou que pretende atuar também em defesa dos interesses de todo o Estado e do país. “O meu comprometimento e o meu trabalho vai ser em favor de toda a nossa região sul, da AMESC, AMREC e AMUREL.”
Projeto Cidade do Autista
Outro destaque da entrevista foi a discussão sobre políticas públicas para pessoas com autismo. Saulo Machado lembrou que Julio Garcia foi responsável por uma legislação que destinou recursos às APAEs de Santa Catarina e perguntou sobre o projeto chamado “Cidade do Autista”.
Garcia explicou que a proposta busca reunir serviços de diagnóstico, tratamento e acolhimento das famílias. “A Cidade do Autista nada mais é do que um local de acolhimento dessas pessoas, local de diagnóstico, local de tratamento, acolhimento das famílias.”
O candidato citou o projeto em desenvolvimento em Criciúma e afirmou que o autismo representa um dos grandes desafios sociais para o poder público nos próximos anos. “Eu considero que do ponto de vista social, o autismo seja o maior desafio do poder público nos próximos anos.”
Julio defendeu a necessidade de ampliar a estrutura pública e o apoio às instituições que trabalham com pessoas com autismo. “É preciso que o poder público tome providências no sentido de apoiar as instituições que se organizam, é preciso que o poder público também se organize e dê suporte para que essas pessoas com deficiência.”
O candidato também fez questão de destacar que o autismo não deve ser tratado como doença. “O autismo não é uma doença, é uma condição neurológica e de difícil tratamento.”
Para Garcia, o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são fundamentais. “Quando diagnosticado mais cedo, realmente as reações são melhores, mas é preciso que essas pessoas tenham um tratamento especial.”
Ele também defendeu o fortalecimento das instituições que atuam na área social. “É preciso que o poder público estimule, ajude financeiramente, apoie para que essas instituições e o poder público municipal tenha condições de ajudar essas pessoas e ajudar também essas famílias.”
Garcia citou ainda as APAEs e outras entidades como exemplos da participação da sociedade na prestação de serviços. “As APAES exercem um trabalho extraordinário, a educação especial é obrigação do poder público, mas o poder público a gente tem que compreender que não tem braços para tudo e que bom que a sociedade se organiza, cria essas instituições exemplares.”
O candidato revelou ainda que uma emenda destinada à APAE de Araranguá está em tramitação para a aquisição de um veículo. “Recentemente repassamos uma emenda que está em tramitação para a APAE de Araranguá comprar um veículo, um ônibus.”
Segundo Julio, o apoio às instituições deve continuar mesmo com a existência de mecanismos permanentes de financiamento. “A lei das APAES não resolveu todos os problemas das APAES, ela minimizou os problemas e deu possibilidade de se ter um planejamento e ainda continuamos ajudando com emendas.”
Araranguá e a estrutura para atendimento de autistas
Saulo Machado citou ainda a iniciativa da Prefeitura de Araranguá de reformar a antiga sede do União Clube Cidade Alta para transformá-la em uma escola voltada especificamente ao atendimento de pessoas com autismo.
Garcia considerou que a iniciativa segue o mesmo conceito do projeto desenvolvido em Criciúma. “Exatamente nesse sentido.”
O candidato também elogiou a administração municipal de Araranguá. “Ressaltar que o prefeito César Cesa faz uma administração exemplar.”
Para o candidato, embora os projetos possam receber nomes diferentes, o objetivo é semelhante: oferecer tratamento e apoio às pessoas com autismo e suas famílias. “O objetivo é o mesmo, é dar condição de tratamento às pessoas com autismo e também ajudar a cuidar das famílias que têm essa responsabilidade com os autistas que fazem parte da sua família.”
Saúde pública e a tabela do SUS
Na área da saúde, Julio Garcia defendeu uma mudança na forma como o poder público avalia os resultados do atendimento. Para ele, não basta contabilizar o número de cirurgias realizadas; é necessário saber quantas pessoas ainda aguardam por procedimentos. “Eu acho que a gente deveria fazer uma pesquisa para saber quantas pessoas estão esperando para fazer cirurgia.”
O candidato citou situações de pacientes que aguardam há anos por procedimentos. “Nós temos casos de pessoas esperando por dez anos para fazer uma cirurgia.”
Na avaliação de Garcia, um dos principais problemas está na defasagem da tabela do Sistema Único de Saúde. “Faz mais de 20 anos que a tabela do SUS não é atualizada.”
Segundo ele, a falta de atualização compromete a capacidade dos hospitais de oferecer atendimento adequado. “Como é que os hospitais vão dar conta de atender as pessoas com uma tabela defasada em mais de 20 anos?”
O candidato classificou os valores atuais da tabela como insuficientes para atender às necessidades das unidades de saúde. “Se você for ver os números da tabela do SUS, eles são risíveis, são realmente irrisórios, eles não preenchem as necessidades das casas de saúde, dos hospitais.”
Além da atualização dos valores, o candidato defendeu a construção e ampliação de hospitais públicos em Santa Catarina. “É preciso que se construam hospitais públicos em Santa Catarina, é preciso aumentar os hospitais públicos efetivamente público para atender a quem precisa.”
Ele também criticou a necessidade de pacientes do Sul do Estado percorrerem grandes distâncias para realizar procedimentos. “É preciso ampliar hospitais públicos e construir novos hospitais públicos de forma regionalizada para que não haja, por exemplo, pessoas do sul do estado de Santa Catarina de fazer cirurgias em Mafra.”
Garcia também avaliou que a regulação estadualizada pode prejudicar os pacientes em determinados casos. “Acho que a nossa regulação estadualizada é danosa para o paciente, porque em muitos casos as cirurgias são feitas em locais muito distantes.”
Como alternativa, defendeu maior credenciamento de hospitais próximos às regiões de origem dos pacientes. “É preciso que haja credenciamento de hospitais para fazer cirurgias e o acompanhamento pós-cirúrgico mais próximo da residência.”
Polarização política
Na reta final da entrevista, Saulo questionou Garcia sobre sua postura política e sobre a polarização entre direita e esquerda no país.
O candidato afirmou que pretende manter uma postura de respeito a quem pensa diferente. “Eu prefiro manter a minha posição, eu respeito aqueles que pensam diferente, acho que o respeito é fundamental na convivência familiar, na convivência social e não é diferente na convivência política.”
Para Garcia, a polarização prejudica o debate político e dificulta a discussão de propostas. “Eu acho que nós vivemos um momento de polarização.”
Segundo ele, a sociedade precisa superar o confronto permanente entre grupos políticos. “A polarização não faz bem para o Brasil, sem dúvida nenhuma não faz.”
Considerações finais
Ao encerrar a entrevista, Julio Garcia agradeceu o espaço concedido pela Rádio Araranguá e destacou a importância da participação dos veículos de comunicação no processo democrático. “A Rádio Araranguá sempre na vanguarda e sempre permitindo de forma democrática que todos se manifestem, que todos possam expor as suas ideias.”
Para o candidato, o eleitor deve ter acesso às informações necessárias para escolher seus representantes. “A democracia é boa por isso, porque o eleitor é a maior autoridade que existe no sistema democrático e é importante que ele esteja sempre bem informado, que ele conheça os candidatos para bem decidir.”
Julio também defendeu uma campanha baseada na apresentação de propostas. “Eu torço que os rumos sejam retomados para o lado do bem e que a gente possa ter uma campanha com propostas e que o eleitor possa conscientemente escolher aqueles que estejam mais preparados.”
Ao falar sobre a candidatura de João Rodrigues ao governo de Santa Catarina pelo PSD, o candidato afirmou que a disputa representa uma alternativa ao eleitor. “Nós temos no PSD a candidatura do João Rodrigues, que não é uma candidatura contra ninguém, é uma candidatura a favor de Santa Catarina oferecendo a oportunidade de ter uma proposta para o eleitor votar.”
Ao final, Julio Garcia afirmou: “Que tenhamos um pleito onde sejam escolhidos os melhores e que os melhores façam da política a arte de fazer o bem”, concluiu.
Como funcionam as entrevistas da Rádio Araranguá
A entrevista com Julio Garcia integra a série de entrevistas da Rádio Araranguá com candidatos nas Eleições 2026. A emissora estabeleceu critérios objetivos, previamente definidos e aplicados de maneira uniforme aos candidatos que disputam o mesmo cargo.
As entrevistas são realizadas de segunda a sexta-feira, entre 8h e 12h, com 20 minutos de duração, no estúdio da Rádio Araranguá. A participação é previamente agendada e está condicionada à disponibilidade da agenda da emissora.
Os candidatos ao mesmo cargo têm a mesma oportunidade de participação, respeitando o limite de dois candidatos por partido ou federação.
O formato é padronizado, com o mesmo tempo de duração e critérios de condução. As entrevistas são realizadas por dois comunicadores da emissora e transmitidas ao vivo, sem edição.
Eventuais manifestações de ouvintes durante as transmissões ao vivo não são utilizadas como critério para favorecer ou prejudicar candidatos, e a emissora não toma essas manifestações como parte da condução das entrevistas, em observância às regras estabelecidas para a cobertura eleitoral.
O candidato que confirmar e não participar no dia e horário agendados perderá aquela oportunidade, sem garantia de remarcação. Eventuais ausências comunicadas previamente serão avaliadas conforme a disponibilidade da agenda e a necessidade de preservar a igualdade de condições.
Os critérios foram estabelecidos com base na legislação eleitoral e na jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), observando os princípios da isonomia, imparcialidade, impessoalidade e igualdade de oportunidades.
A Rádio Araranguá dará continuidade à série de entrevistas com os demais candidatos, mantendo os mesmos critérios para os concorrentes ao mesmo cargo.







