Geral Neurocirurgião do Hospital São José, de Criciúma, realiza cirurgia inédita em Santa Catarina e transforma a vida de paciente com epilepsia grave

Neurocirurgião do Hospital São José, de Criciúma, realiza cirurgia inédita em Santa Catarina e transforma a vida de paciente com epilepsia grave

12/08/2025 - 13h32

Pela primeira vez em Santa Catarina, um paciente com epilepsia grave e refratária foi submetido a uma calosotomia posterior, procedimento de alta complexidade que busca reduzir a frequência e a intensidade das crises. A cirurgia foi realizada no Hospital São José, em Criciúma, pelos neurocirurgiões Dr. Bruno Loz, especialista em Cirurgia de Epilepsia, distúrbios do movimento e intervenção em dor, e Dr. Carlos Fernando Moreira.

O resultado não poderia ser mais animador. Desde o procedimento, o paciente não apresentou mais crises do tipo atônica, aquelas que provocam quedas bruscas e risco de lesões. Poucos dias após a cirurgia, ele recebeu alta hospitalar e voltou para casa, com uma nova perspectiva de vida.

“A calosotomia posterior é feita por meio de uma pequena craniotomia, utilizando técnicas microcirúrgicas e, em alguns casos, neuronavegação para aumentar a precisão. O procedimento consiste na secção seletiva da parte posterior do corpo caloso, estrutura que conecta os dois hemisférios cerebrais. Ao interromper parcialmente essa comunicação, conseguimos reduzir a propagação das descargas epilépticas, preservando áreas motoras e cognitivas essenciais”, explica Dr. Bruno.

O desafio antes da cirurgia

O paciente sofria com epilepsia grave há anos, com crises frequentes e resistentes ao tratamento medicamentoso. Entre elas, as crises atônicas eram as mais perigosas, pois ocorriam de forma abrupta, causando quedas violentas e colocando a vida em risco.

Após avaliação detalhada, que incluiu exames como vídeo-eletroencefalograma e ressonância magnética, a equipe constatou que o perfil das crises se encaixava nos casos em que a calosotomia posterior poderia trazer benefícios significativos. “Era a melhor alternativa para proporcionar mais segurança e melhorar a qualidade de vida do paciente”, afirma o neurocirurgião.

O que muda para o paciente

Embora não tenha como objetivo a cura total da epilepsia, o procedimento busca diminuir de forma expressiva as crises atônicas e generalizadas. Com menos episódios, há uma redução drástica no risco de quedas e traumas, além de ganho de autonomia e de participação social.

 “Com menos crises, o paciente consegue retomar atividades que antes eram impossíveis ou arriscadas, se sente mais seguro e, naturalmente, tem melhora da autoestima e do convívio familiar e social”, explica Dr. Bruno.

Recuperação e acompanhamento

No pós-operatório imediato, o paciente permaneceu internado para monitoramento neurológico, controle da dor e prevenção de infecções. O acompanhamento com a equipe de neurologia será contínuo, permitindo ajustes de medicamentos e acompanhamento da evolução. Se necessário, também poderá ser indicada reabilitação motora e cognitiva.

Marco para Santa Catarina

De acordo com Dr. Bruno, este é um marco para a medicina catarinense. Até então, pacientes que necessitavam desse tipo de intervenção precisavam buscar centros especializados em outros estados. Agora, o Hospital São José passa a oferecer esse tratamento de forma pioneira no estado.

“Realizar uma calosotomia posterior pela primeira vez em Santa Catarina reforça a capacidade técnica e tecnológica do Hospital São José e amplia as possibilidades de tratamento para nossos pacientes. Isso evita deslocamentos longos e desgastantes, e mantém o cuidado próximo de casa”, ressalta Dr. Bruno.

Com essa conquista, o Hospital São José se consolida ainda mais como referência em neurocirurgia, levando inovação, técnica e cuidado humanizado a quem mais precisa.

Inspiração profissional e aprendizado contínuo

De acordo com Dr. Bruno, essa técnica foi desenvolvida no Brasil pelo Dr. Eliseu Paglioli, um dos grandes nomes da cirurgia de epilepsia no cenário mundial. “Tive o privilégio e a honra de ser residente sob sua orientação. Muito do que aplicamos hoje, incluindo os princípios dessa calosotomia posterior, reflete o conhecimento, a precisão técnica e a visão humanizada que aprendi com ele. Sou profundamente grato por essa formação, que foi determinante para que este procedimento inédito fosse realizado com sucesso em nosso estado”, finaliza Dr. Bruno.